Pampa meu país

E eis que uma emissora de TV belga inventa de brincar de Orson Welles e divulga que a metade da população resolveu se separar do resto do país. Eles inventaram essa levando em conta o resultado das últimas eleições, dando a entender que havia ali sinais de uma possível quebra do país. Bem, como da Bélgica eu entendo tanto quanto o Cazaquistão, não posso dar nenhum pitaco, mas fico imaginando uma coisa…

E se a RBS inventasse de fazer algo assim? Ok, deixemos de lado o fato de que a RBS é bastante conservadora, de modo que uma brincadeira vindo dela é quase impossível, mas imagine a cena: abre o Jornal do Almoço e aparece o Lasier Martins falando que, em protesto ao aumento de 100% dos salários dos parlamentares e a todos os descalabros que estão acontecendo no governo federal, o Palácio Piratini foi ocupado pelo MTG junto com as Forças Armadas e eles declaravam a República do Pampa junto com Santa Catarina e Paraná. Nisso aparecem imagens de uma multidão pilchada em frente ao Piratini comemorando, com o Paixão Cortes saudando o povo, com o Rigotto do lado dizendo que vai continuar de qualquer maneira o governo de transição e que para ele tanto faz qual vai ser o governo, enfim, toda a baderna. E nos discursos, entre os motivos para a separação, será citada justamente a tradição histórica do gaúcho sempre votar no candidato de oposição, de forma que nada mais natural que a gente se separe de uma vez.

É, pena que a RBS não vai fazer uma dessas, já que ela é uma empresa responsável. Seria bonito ver o povo levando a sério e se perguntar “É mesmo… Brasília para quê?”. Eu, para manter a tradição de achar que uma ilha de burocracia ajuda a desenvolver regionalmente rincões remotos, desde já voto para a capital do país ser em Chapecó. Pelo menos o hino já temos pronto.

6 Responses to “Pampa meu país”

  1. plan9ner Says:

    > E se a RBS inventasse de fazer algo assim?

    Seria estúpido. Além da própria noção de separatismo ser inútil num mundo cada vez mais unido, quem iria mandar por aqui? Exatamente os mesmos senhores que sequer estavam lá para ser contra (li em algum lugar que o único Gaúcho contra (ou seja, que estava lá, pra começo de conversa) era um dos dois que votaram pelo “não”).

    Então não mudaria muito. Talvez pioraria, porque teríamos que achar mercados consumidores que gostassem de pagar o nosso altíssimo ICMS (que, francamente, o governo local não pensaria duas vezes em manter do jeito que está).

    Temos a impressão torta de que somos mais aguerridos que outros estados, mas é falácia: fosse esse o fato, não teríamos eleito os últimos “n” governadores após 1985, que não fizeram nada a não ser afundar o Estado.

  2. plan9ner Says:

    Ah, e o que votou contra era do PSOL, acostumados a dizer não porque são a minoria da vez.

  3. plan9ner Says:

    Aliás: http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,AA1388639-5601,00.html

    Destaque:

    “Na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, como o aumento foi determinado a partir da revisão do decreto nº 444/2002, o reajuste dos deputados gaúchos é automático. O salário na Assembléia subirá para R$ 18.375. O aumento no estado sulista só deixaria de ser automático caso o decreto fosse revogado pelo Congresso.”

  4. alexsaueressig Says:

    Na verdade, se a RBS fosse responsável, ela já deveria ter iniciado algum movimento destes. E viva a República dos Pampas!

  5. plan9ner Says:

    Aham. Os primeiros a bravatear, os primeiros a fugir quando a bala vem.

  6. alexsaueressig Says:

    plan9ner,
    apenas defenda a tua idéia, não ataque a dos outros com argumentos superficiais. Assim tua conserva tua credibilidade. Afinal, com os argumentos acima viu-se claramente que tu consegue suportar tuas idéias, com muitos apontamentos relevantes.

    Voltando…
    Eu gosto de analisar pela base a situação do Brasil: na minha concepção o país não cresce devido ao tamanho. A burocracia é o empecilho do desenvolvimento. Acredito que um Estado menor seja mais fácil de controlar, menos burocrático. Qual a tua (e as demais) opinião a respeito?

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