{"id":103,"date":"2001-05-08T02:10:00","date_gmt":"2001-05-08T05:10:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T03:00:00","slug":"Chato,_porem_necessario ","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/103","title":{"rendered":"Chato, por\u00e9m necess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Hoje fui no Instituto Goethe, onde havia uma \\&#8221;queima de arquivo\\&#8221;. \u00c9 que o Instituto decidiu ter s\u00f3 CDs no acervo da sua biblioteca e assim botou a venda, a 2 reais cada, os seus LPs. \u00c9 uma daquelas oportunidades perfeitas para comprar aquelas coisas que voc\u00ea nunca compraria em s\u00e3 consci\u00eancia,  tais como um LP do <a href=\\\"http:\/\/www.falco.at\\\">Falco<\/a>, por exemplo. E ainda pegando as \\&#8221;p\u00e9rolas\\&#8221; deu para catar algumas preciosidades, tais como uma colet\u00e2nea de jazz dos anos 30 (jazz americano cantado por americanos&#8230; at\u00e9 me surpreendi quando escutei: esperava ouvir aquele jazz meio de cabar\u00e9 tipicamente alem\u00e3o), uma grava\u00e7\u00e3o feita pela orquestra sinf\u00f4nica de Londres de duas pe\u00e7as do Kurt Weill e uma colet\u00e2nea de rock alem\u00e3o do come\u00e7o da d\u00e9cada de 80 (muuuuuita coisa ruim, mas a primeira faixa mata a pau: <a href=\\\"http:\/\/www.jps.net\/khoyt\/peter\/l-mtvl.html\\\">Major Tom  (V\u00f6llig losgel\u00f6st)<\/a>, de Peter Schilling). Isso sem contar com o disco que estou ouvindo agora: o Requiem, de Mozart. Lindo, simplesmente lindo. Sempre tenho medo de gastar dinheiro com m\u00fasica cl\u00e1ssica, pois n\u00e3o conhe\u00e7o o que realmente vale a pena. Depois desse disco estou me sentindo mais seguro para comprar o CD&#8230;<\/p>\n<p>Mas a grande compra diz respeito a 8 discos com m\u00fasica erudita contempor\u00e2nea alem\u00e3. Arnold Sch\u00f6nberg, Michael Koenig, Roland Kayn, entre outros. Presen\u00e7a principal: Karlheinz Stockhausen, sem d\u00favida o m\u00fasico mais criativo e maluco do s\u00e9culo XX. Obras que s\u00e3o leg\u00edtimas p\u00e9rolas, para guardar e nunca escutar. Hein? Que foi? N\u00e3o sabia? Todos esses m\u00fasicos s\u00e3o \u00f3timos para serem conhecidos e ter a sua obra analisada no que diz respeito a que influ\u00eancias exerceram. Sch\u00f6nberg, por exemplo, serviu papinha na boca de Arrigo Barnab\u00e9, que cresceu dodecafonista antes de sair perguntando pr\u00e1s mo\u00e7oilas se elas tinham medo de fazer amor com um bandido&#8230; Koenig e Stockhausen influenciaram uma p\u00e1 de gente, tais como os Beatles, Kraftwerk, Can, Bj\u00f6rk&#8230; S\u00f3 que seus trabalhos, apesar de criativos, rompedores de  paradigmas, etc, etc, tem um pequeno grande problema: s\u00e3o invariavelmente chatos. Insuportavelmente chatos. Chat\u00edssimos. Ouvir a <a href=\\\"http:\/\/w1.xrefer.com\/entry\/241533\\\">Klavierst\u00fccke I-XI<\/a>, por exemplo, pode ser enquadrado na categoria tortura cruel. Ok, m\u00fasicos podem at\u00e9 gostar devido aos detalhes ali encontrados, mas um reles mortal como eu acho horr\u00edvel. <\/p>\n<p>Ok, se \u00e9 assim, a pergunta: porque ent\u00e3o comprei tais discos? Porque n\u00e3o deixei de lado todos os discos desses compositores, se eu sabia que eram chatos? Masoquismo? N\u00e3o, \u00e9 que, apesar de chatos, \u00e9 necess\u00e1rio conhecer tais obras. Elas serviram\/servem de base para as melhores coisas que se fez no final do s\u00e9culo XX. Dizer que sem Stockhausen n\u00e3o haveria um Portishead \u00e9 exagero, mas com certeza se n\u00e3o fosse o trabalho de malucos como ele hoje dificilmente apreciar\u00edamos a beleza que h\u00e1 por tr\u00e1s de um ru\u00eddo ou de notas meio que jogadas ao acaso. Afinal, foi na primeira metade do s\u00e9culo XX que esses caras deram a cara para bater, tendo que ouvir muitas e muitas vezes a pergunta: \\&#8221;Mas isso \u00e9 m\u00fasica?\\&#8221; Sim, houve uma \u00e9poca que se perguntava isso por causa de coisas feitas dentro de conservat\u00f3rios de m\u00fasica, n\u00e3o por causa do bonde do Tigr\u00e3o. Est\u00e1 certo que n\u00e3o s\u00e3o m\u00fasicas f\u00e1ceis, agrad\u00e1veis, como \u00e9 o caso das pe\u00e7as de Mozart, por exemplo, mas tem toda uma l\u00f3gica na sua constru\u00e7\u00e3o que merece ser conhecida e analisada. Ouvir obras desse tipo na pior das hip\u00f3teses vai servir de base para escolher aquele CD de anivers\u00e1rio para aquele amigo mala que se faz de intelectual\u00f3ide e que n\u00e3o p\u00e1ra de encher o saco. O perigo \u00e9 ele gostar e voc\u00ea sempre que visitar ele ser\u00e1 obrigado a escutar a coisa junto&#8230;<\/p>\n<p>Mas mudando de assunto, o Carlos Nepomuceno fez uma rela\u00e7\u00e3o interessante entre a enchurrada de emails que recebemos e <a href=\\\"http:\/\/www.e-clipping.inf.br\/nepomuceno\/bicicleta.htm\\\">a arte zen dos tombos de bicicleta<\/a>. Simples e legal. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje fui no Instituto Goethe, onde havia uma \\&#8221;queima de arquivo\\&#8221;. \u00c9 que o Instituto decidiu ter s\u00f3 CDs no acervo da sua biblioteca e assim botou a venda, a 2 reais cada, os seus LPs. \u00c9 uma daquelas oportunidades perfeitas para comprar aquelas coisas que voc\u00ea nunca compraria em s\u00e3 consci\u00eancia, tais como um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=103"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}