{"id":123,"date":"2001-05-31T03:30:00","date_gmt":"2001-05-31T06:30:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T03:00:00","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/123","title":{"rendered":"Acesso para todos"},"content":{"rendered":"<p>Segundo dia do <a href=\"http:\/\/www.softwarelivre.rs.gov.br\" target=\"forum\">F\u00f3rum Internacional Software Livre 2001<\/a>. A manh\u00e3 basicamente se resumiu ao debate &#8220;As grandes marcas e o Software Livre&#8221;, com representantes da IBM, Intel, Sun, HP, Dell, Borland, Apple e Conectiva. Como as iniciativas que as grandes empresas americanas fazem no mundo do software livre vivem aparecendo nos jornais (apoio da IBM ao projeto Apache, desenvolvedores da Intel ajudando sempre no desenvolvimento do kernel do Linux, HP adotando o Linux no lugar do HP-UX, etc&#8230;) fui para ver o que a Conectiva est\u00e1 fazendo. O Sandro Nunes mostrou o quanto a empresa cresceu nos \u00faltimos anos (de 43 mil c\u00f3pias vendidas em 1998 para 1,1 milh\u00e3o no ano passado), assim como outras empresas que adotaram o modelo de c\u00f3digo aberto: citou uma empresa paulista que em um ano e meio depois de passar a distribuir de gra\u00e7a o seu sistema &#8211; cujo valor de venda  praticamente s\u00f3 cobria os custos de produ\u00e7\u00e3o &#8211; o n\u00famero de contratos de manuten\u00e7\u00e3o foi duplicado em rela\u00e7\u00e3o aos 10 anos anteriores de opera\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Fui ent\u00e3o acompanhar o Workshop Software Livre. A sess\u00e3o era &#8220;Migra\u00e7\u00e3o, Laborat\u00f3rio e Ger\u00eancia de Recursos&#8221;. Foram mostradas experi\u00eancias feitas em universidades no que se refere \u00e0 ger\u00eancia dos recursos computacionais utilizando software livre. A experi\u00eancia mais interessante foi a da UFPR, onde nos laborat\u00f3rios de inform\u00e1tica se partiu para uma solu\u00e7\u00e3o de reaproveitamento de equipamento j\u00e1 que a op\u00e7\u00e3o foi fazer o software rodar no servidor da rede e o usu\u00e1rio passaria a usar o computador como um terminal gr\u00e1fico. A volta do mainframe? Pode at\u00e9 ser, mas o detalhe \u00e9 que eles est\u00e3o conseguindo reaproveitar at\u00e9 486s. Segundo o palestrante (Marcos Castilho) utilizando-se um 486 como terminal gr\u00e1fico o Star Office &#8220;abre&#8221; em quest\u00e3o de 5 segundos. \u00c9 que o 486 na verdade n\u00e3o processa nada: o importante aqui \u00e9 a placa de v\u00eddeo e a placa de rede (Ethernet de 100Mb). Foi colocado que os usu\u00e1rios est\u00e3o satisfeitos com a solu\u00e7\u00e3o, pois computadores extremamente lentos ficaram &#8220;r\u00e1pidos&#8221;. A descri\u00e7\u00e3o do parque computacional pode ser vista <a href=\"http:\/\/www.inf.ufpr.br\/info\/depto\/parq_comp.html\" target=\"ufpr\">aqui<\/a>.  E se \u00e9 para falar em volta do mainframe, na UCS, de Caxias do Sul, utilizando um sistema chamado Tarantella (que n\u00e3o \u00e9 livre), eles trabalham com aplicativos Linux, Windows e Netware utilizando navegadores web rodando sobre o Linux. \u00c9 \u00f3bvio que dependendo do aplicativo \u00e9 melhor ter uma solu\u00e7\u00e3o baseada em esta\u00e7\u00f5es de trabalho. \u00c9 o caso de editora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica e CAD, por exemplo. Mas para trabalhar com o Word, Excel, etc, essa solu\u00e7\u00e3o se revelou muito boa. Ah, por que a UCS n\u00e3o est\u00e1 usando direto o Star Office no Linux, como \u00e9 o caso da UFPR? Deve-se \u00e0 pol\u00edtica de abandonar gradualmente a cultura Windows, de forma que n\u00e3o seja desconfort\u00e1vel para os usu\u00e1rios. Outra solu\u00e7\u00e3o interessante \u00e9 a da UPF (Passo Fundo), onde se utiliza software livre para gerenciar imagens de disco no laborat\u00f3rio de inform\u00e1tica. Mais ou menos o que se faz aqui no local onde trabalho com o Ghost, s\u00f3 que o sistema verifica se a configura\u00e7\u00e3o do sistema est\u00e1 corompida e automaticamente faz o download da imagem correta e instala. Ali\u00e1s, usando esse sistema foi poss\u00edvel criar um menu de op\u00e7\u00f5es, onde o usu\u00e1rio pode escolher o sistema operacional que ele quer rodar: Windows 95, 98, NT, Linux, etc&#8230; Segundo o Frederico Goldschmidt, o processo de carregamento de uma imagem n\u00e3o passa de 5 minutos. Pena que a M\u00e1rcia n\u00e3o pode ficar e olhar todas as experi\u00eancias relatadas, j\u00e1 que ela tinha que voltar pr\u00e1 Taquara para trabalhar. <\/p>\n<p>A tarde acompanhei a apresenta\u00e7\u00e3o &#8220;NASA: Utilizando software livre na terra e no espa\u00e7o&#8221;, com o Marco Figueiredo, brasileiro que trabalha numa empresa que presta servi\u00e7os pra NASA (o que \u00e9 normal: praticamente 80% dos empregados da NASA s\u00e3o terceirizados) que apesar do nome n\u00e3o foi t\u00e3o interessante assim. Basicamente falaram do projeto de levar para os sat\u00e9lites o Linux, visando acabar com o uso de v\u00e1rios sistemas operacionais em sat\u00e9lites, e do projeto Beowulf, que \u00e9 uma distribui\u00e7\u00e3o Linux utilizada para transformar uma rede de computadores num computador paralelo. O Figueiredo aproveitou a apresenta\u00e7\u00e3o para falar de uma concep\u00e7\u00e3o nova de desenvolvimento de computadores, que \u00e9 o ConfigWare, que n\u00e3o vou me aventurar a tentar explicar, j\u00e1 que hardware definitivamente n\u00e3o \u00e9 o meu forte.<\/p>\n<p>Acompanhei ainda a &#8220;Mesa Internacional UNESCO Presente!&#8221;, onde foi colocado o objetivo da UNESCO de criar uma rede latino-americana de desenvolvimento de software livre. N\u00e3o acompanhei toda a palestra, j\u00e1 que estava mais interessado em ver a palestra paralela &#8220;As universidades e o Computador Popular&#8221;, onde foi apresentado o projeto do PC Popular (que \u00e9 um PC que custar\u00e1 em torno de US$ 250,00) e como esses computadores podem ser utilizados em escolas e universidades. Interessante aqui \u00e9 que n\u00e3o apenas mostraram o projeto do computador, mas tamb\u00e9m outras alternativas como o &#8220;Meu Computador Virtual&#8221; (onde haveriam centros de inform\u00e1tica, com &#8220;discos virtuais&#8221; permitindo o acesso de dados em outros locais, para as pessoas de baixa renda). Mas o fato \u00e9: o governo federal est\u00e1 apostando no Linux como solu\u00e7\u00e3o para dimuinuir as barreiras de acesso \u00e0 tecnologia. Para quem quiser saber mais sobre o que levou o governo a financiar esse projeto uma leitura obrigat\u00f3ria \u00e9 o &#8220;Livro Verde&#8221;, que est\u00e1 <a href=\"http:\/\/www.socinfo.org.br\/livro_verde\/\" target=\"verde\">dispon\u00edvel na rede<\/a>, em formato html e PDF.<\/p>\n<p>E j\u00e1 que estamos falando em software livre, eis a mensagem que eu recebi via do meu amigo Gustavo de Souza:<\/p>\n<blockquote><p>\nNa onda do free software, resolvi baixar os 70Mb do Staroffice 5.2&#8230; Qual a minha surpresa diante de um programa que tem acesso aos mais diversos Bancos de dados, traz embutidos os softwares do Office Professional, Frontpage, mais Corel Draw! e Photopaint DE GRA\u00c7A com uma interface muito intuitiva!!! <br \/>\nAbandonei o tio Bill, nessa. S\u00f3 falta o SO. \ud83d\ude42\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Assim sendo, o dia s\u00f3 n\u00e3o foi muito bom por dois motivos: o primeiro foi que o pessoal do Apache foi <a href=\"http:\/\/www.apache.org\/info\/20010519-hack.html\">crackeado<\/a>, o que \u00e9 muito chato para o movimento como um todo&#8230;  O detalhe \u00e9 que nem foi culpa do servidor Apache, mas sim do servi\u00e7o de ssh.<\/p>\n<p>E o segundo e mais importante motivo \u00e9 que a M\u00e1rcia passou mal hoje. Ali\u00e1s, eu pisei feio na bola com ela \ud83d\ude1b Ela me ligou avisando que n\u00e3o estava bem e eu tanzo do jeito que sou nem me toquei que poderia ter pegado o \u00f4nibus no local onde trabalho pr\u00e1 Taquara e ter ficado com ela. Est\u00e1 certo que eu, quando fico doente, quero \u00e9 ficar sozinho, s\u00f3 dormindo, totalmente isolado do mundo. Mas isso sou eu, n\u00e3o a M\u00e1, tanto que ela me ligou pouco depois da meia-noite me perguntando por que eu n\u00e3o fui l\u00e1 na casa dela&#8230; \ud83d\ude41 De qualquer maneira, ela j\u00e1 estava melhorzinha e pelo jeito ela vai poder ir ver comigo o resto do evento \ud83d\ude42 E fica o aprendizado: eu tenho agora uma namorada que gosta que eu fique por perto quando ela est\u00e1 doente. Vou repetir mil vezes para gravar bem: eu tenho uma namorada que gosta que eu fique por perto quando ela est\u00e1 doente, eu tenho uma namorada que gosta que eu fique por perto quando ela est\u00e1 doente, eu tenho uma namorada que gosta que eu fique por perto quando ela est\u00e1 doente, eu tenho &#8230;  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo dia do F\u00f3rum Internacional Software Livre 2001. 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