{"id":1296,"date":"2003-03-25T16:58:07","date_gmt":"2003-03-25T19:58:07","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T03:00:00","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/1296","title":{"rendered":"G-e-n-i-a-l"},"content":{"rendered":"<p>Carta Capital : <a href=\\\"http:\/\/cartacapital.terra.com.br\/site\/exibe_materia.php?id_materia=558\\\">O trompete e o celular<\/a><\/p>\n<blockquote><p>\nO registro \u00e9 de David Hajdu, para a edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o da revista The Atlantic Monthly. Momento: final de ver\u00e3o em Nova York. Local: o tradicional\u00edssimo clube de jazz Village Vanguard. No palco, Charles McPherson, um saxofonista talentoso, por\u00e9m n\u00e3o exatamente uma estrela, toca cl\u00e1ssicos do bebop. Mas quem seria o trompetista discretamente sentado ao lado? A figura lembra um pouco Wynton Marsalis&#8230; Come\u00e7a a quarta m\u00fasica, uma balada chamada I Don\u2019t Stand a Ghost of a Chance With You, tocada em solo pelo trompetista. N\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favida: o homem no palco \u00e9 realmente Wynton Marsalis! A m\u00fasica \u00e9 triste e melanc\u00f3lica e o trompete murmura as palavras em forma de notas. No cl\u00edmax, Marsalis toca lentamente a frase-t\u00edtulo, esperando que cada nota reverbere no fundo da sala. \u201cI don\u2019t stand&#8230; a ghost&#8230; of&#8230; a&#8230; chance&#8230;\u201d <\/p>\n<p>O sil\u00eancio al\u00e9m do trompete \u00e9 absoluto. Ent\u00e3o, no \u00e1pice, dispara o criminoso beep de um telefone celular. Cat\u00e1strofe: a magia \u00e9 arruinada. O delinq\u00fcente foge l\u00e9pido com sua \u201carma\u201d enquanto o burburinho na plat\u00e9ia aumenta. No palco, Marsalis continua im\u00f3vel, as sobrancelhas em arco. Ent\u00e3o, seu trompete reproduz o macabro som ritmado do celular. Ele repete o som e come\u00e7a a improvisar e adicionar varia\u00e7\u00f5es. A audi\u00eancia pouco a pouco volta ao palco. A improvisa\u00e7\u00e3o evolui por alguns minutos at\u00e9 voltar \u00e0 forma da balada original. Marsalis termina exatamente onde havia parado: \u201cwith&#8230; you&#8230;\u201d Grand finale!\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Genial! E vai l\u00e1 e l\u00ea o resto do artigo, e entenda porque quando um metaleiro vem na minha frente e diz que o cara que sabe ficar fazendo solo \u00e9 bom m\u00fasico eu respondo perguntando \\&#8221;Ele toca jazz?\\&#8221;. Afinal s\u00f3 no jazz, pelo fato do improviso ser moeda corrente, para mostrar que algu\u00e9m realmente sabe o que est\u00e1 fazendo. S\u00f3 no jazz? Ok, radicalizei, mas o fato \u00e9 que se n\u00e3o h\u00e1 improviso o que temos \u00e9 posi\u00e7\u00f5es decoradas, solos mec\u00e2nicos, algo completamente artificial, sem emo\u00e7\u00e3o. E \u00e9 por isso que shows perfeitos n\u00e3o me d\u00e3o entusiasmo. Prefiro ouvir uma banda fazendo chinelagens e rateando do que vendo algo que foi milimetricamente planejado. Ali\u00e1s, gosto tamb\u00e9m de ver o p\u00fablico participando, pulando, subindo no palco volta e meia para cantar junto, interagindo. Pedidos de m\u00fasica? Tamb\u00e9m vale! Mostra que o p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 uma massa passiva que aceita tudo, e at\u00e9 d\u00e1 espa\u00e7o pros m\u00fasicos irem l\u00e1 e tocar o que foi pedido de forma escabrosa. Quem tiver senso de humor entender\u00e1. <\/p>\n<p>Mesmo assim, espero n\u00e3o ver nenhuma improvisa\u00e7\u00e3o em cima de telefones celulares nos shows que eu vou&#8230; Sim, porque uma coisa \u00e9 participar, outra \u00e9 falta de respeito. E celular \u00e9 falta de respeito, assim como o \u00e9 n\u00e3o entender que aquele show ali, naquelas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o \u00e9 uma sess\u00e3o dos maiores sucessos do Raul Seixas. <\/p>\n<p>E a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar: vi que havia esse artigo na Carta Capital no blog do <a href=\\\"http:\/\/marioav.blogspot.com\/#90932867\\\">MarioAV<\/a>. Valeu! <\/p>\n<p><b>Update:<\/b> pois \u00e9, n\u00e3o estranhe se voc\u00ea ver esse post <a href=\\\"http:\/\/www.oapanhador.net\/blog\/?p=621&#038;c=1\\\">l\u00e1 no blog do Apanhador<\/a>. Decidi botar l\u00e1 para ver o que o povo vai comentar. Ali\u00e1s, se voc\u00ea quer fazer algum coment\u00e1rio sobre isso fa\u00e7a l\u00e1 \ud83d\ude09<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Capital : O trompete e o celular O registro \u00e9 de David Hajdu, para a edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o da revista The Atlantic Monthly. Momento: final de ver\u00e3o em Nova York. 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