{"id":1657,"date":"2003-09-09T10:19:26","date_gmt":"2003-09-09T13:19:26","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T03:00:00","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/1657","title":{"rendered":"John Lion"},"content":{"rendered":"<p>Recebi esse texto na <a href=\\\"http:\/\/groups.yahoo.com\/groups\/PortoLivre\\\">Porto Livre<\/a> e achei t\u00e3o bom que ele merece o <i>copy&amp;paste<\/i>:<\/p>\n<blockquote><p>\n<b>Cr\u00edtico de C\u00f3digo<\/b> <br \/>\npor Rachel Chalmers <\/p>\n<p>John Lions escreveu a primeira, e talvez a \u00fanica, cr\u00edtica liter\u00e1ria sobre<br \/>\no Unix, iniciando uma das primeiras batalhas legais sobre software<br \/>\naberto. <\/p>\n<p>30 de Novembro de 1999. <\/p>\n<p>Antes que houvesse uma Open Source Initiative, antes que a Free Software<br \/>\nFoundation fosse sequer um lampejo no olho de St. iGNUcius, os hackers<br \/>\nUnix estavam enfrentando advogados e interesses comerciais pelo direito de<br \/>\ncopiar e distribuir c\u00f3digo fonte. A luta come\u00e7ou, em parte, devido as<br \/>\ncren\u00e7as de um professor australiando chamado John Lions, que pensava que<br \/>\nao tornar o c\u00f3digo fonte dispon\u00edvel e usando o mesmo como uma ferramenta<br \/>\nde ensino, ele poderia encoragar os mais altos padr\u00f5es de programa\u00e7\u00e3o<br \/>\nposs\u00edveis. Com a aproxima\u00e7\u00e3o do primeiro anivers\u00e1rio de sua morte, e o<br \/>\nmovimento open-source avan\u00e7ando mais e mais, parece que o momento \u00e9<br \/>\nprop\u00edcio para recordar a contribui\u00e7\u00e3o de Lions. <\/p>\n<p>Eu tropecei no livro de Lions em 1996. Sou especializada em literatura e<br \/>\nparece que gastei toda minha vida procurando por um homem inteligente,<br \/>\nculto. Quando finalmente eu encontrei o homem que veio a ser meu noivo,<br \/>\nele era um hacker Unix. Isto me desconcertou. Eu n\u00e3o conseguia sequer<br \/>\nimaginar como o \u00e1rido mundo super-iluminado dos laborat\u00f3rios de computa\u00e7\u00e3o<br \/>\ne as salas com servidores zumbidores podia produzir algu\u00e9m mais curioso e<br \/>\ncriterioso que meus colegas graduados das humanas. Ent\u00e3o eu fiz o que<br \/>\nsempre fa\u00e7o quando quero entrar na cabe\u00e7a de algu\u00e9m: examino suas estantes<br \/>\nde livros. <\/p>\n<p>L\u00e1 eu encontrei &#8212; e devorei &#8212; o hil\u00e1rio \\&#8221;The New Hacker\\&#8217;s Dictionary\\&#8221;,<br \/>\nde Eric Raymond. Escrito a partir do Jargon, ele descreve uma cultura<br \/>\nliter\u00e1ria estranhamente parecida com a minha, completa, com movimentos,<br \/>\npiadas, manifestos e Grandes Obras. E, falando de grandes obras, eu tamb\u00e9m<br \/>\nencontrei nas prateleiras a primeira edi\u00e7\u00e3o dos livros de Lions. Os livros<br \/>\n&#8212; uma obra em dois volumes com o t\u00edtulo \\&#8221;Source Code and Comentary on<br \/>\nUnix Level 6\\&#8221; &#8212; n\u00e3o s\u00f3 incluia todo o c\u00f3digo fonte do kernel do Unix<br \/>\nVers\u00e3o 6, mas tamb\u00e9m uma detalhada e algumas vezes genial discuss\u00e3o do<br \/>\nmesmo escrita no meio da d\u00e9cada de 1970. <\/p>\n<p>A g\u00eanese dos livros de Lions est\u00e1 vinculada \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o Unix, que come\u00e7ou<br \/>\n25 anos atr\u00e1s, quando a revista Communications of the Association for<br \/>\nComputing Machinery &#8212; o equivalente tecnol\u00f3gico da Nature &#8212; publicou um<br \/>\ntrabalho de Ken Thompson e Dennis Ritchie, os dois empregados da Bell Labs<br \/>\nque criaram o Unix e a linguagem de programa\u00e7\u00e3o C. O trabalho era chamado<br \/>\n\\&#8221;The Unix Time-Sharing System\\&#8221;, e inclu\u00eda uma descri\u00e7\u00e3o do sistema<br \/>\noperacional, uma justificativa de seu projeto e algumas notas sobre como<br \/>\nele foi montado a primeira vez. O artigo capturou a imagina\u00e7\u00e3o de muitos<br \/>\nprogramadores, incluindo Ken Robinson, um professor da University of New<br \/>\nSouth Wales (UNSW), que escreveu pedindo uma c\u00f3pia do novo sistema<br \/>\noperacional. Quando esta chegou, Lions, seu colega, leu o c\u00f3digo fonte. <\/p>\n<p>O c\u00f3digo fonte \u00e9 o projeto do software, como um conjunto de palavras que<br \/>\nos humanos podem ler e usar para controlar as m\u00e1quinas. Com o c\u00f3digo<br \/>\nfonte, um programador pode modificar uma aplica\u00e7\u00e3o, corrigindo bugs ou<br \/>\nacrescentando funcionalidades. Mas a maioria dos softwares comerciais \u00e9<br \/>\nvendido somente em uma forma que s\u00f3 as m\u00e1quinas podem ler. Ter acesso ao<br \/>\nc\u00f3digo fonte \u00e9 ter poder. <\/p>\n<p>A carreira de Lions seguiu o caminho cl\u00e1ssico para um acad\u00eamico<br \/>\naustraliano de sua gera\u00e7\u00e3o. Em 1959, ele foi graduado com honra na Sydney<br \/>\nUniversity e prontamente deixou o pa\u00eds. Obteve seu doutorado em Cambridge,<br \/>\nem 1963, e gastou a d\u00e9cada seguinte trabalhando para a Burroughs Corp., no<br \/>\nCanad\u00e1 e em Los Angeles. Em 1972 ele estava casado e tinha uma jovem<br \/>\nfam\u00edlia. Mudou-se de volta para a Austr\u00e1lia e assumiu uma posi\u00e7\u00e3o como<br \/>\nprofessor acad\u00eamico s\u00eanior no departamento de computa\u00e7\u00e3o da UNSW. Ele iria<br \/>\nensinar l\u00e1 pelo resto de sua vida. <\/p>\n<p>O c\u00f3digo do Unix encantou Lions &#8212; tanto que ele decidiu fazer altera\u00e7\u00f5es<br \/>\nsingificativas nas duas cadeiras que ensinava. At\u00e9 aquela \u00e9poca, a maioria<br \/>\ndos professores de sistemas operacionais orgulhosamente transmitiam os<br \/>\nprinc\u00edpios gerais sobre programas que seus estudantes provavelmente nunca<br \/>\nviram, ou encorajavam os estudantes a montar sistemas operacionais de<br \/>\nbrinquedo por conta pr\u00f3pria. O Unix ofereceu uma terceira abordagem. Ele<br \/>\npodia ser executado em um sistema comparativamente acess\u00edvel, um Digital<br \/>\nEquipment Corp. PDP 11 &#8212; um m\u00e1quina que a UNSW j\u00e1 possu\u00eda. O Unix era<br \/>\ncompacto e acess\u00edvel, mas oferecia um conjunto excelente de fun\u00e7\u00f5es. Para<br \/>\nresumir, nas palaras de Lions, ele era \\&#8221;intrinsecamente interessante\\&#8221;. O<br \/>\nUnix pode ser lido e entendido com menos esfor\u00e7o que o sobrecarregado<br \/>\nOS\/360 da IBM, e o TSS\/360 (que, ironicamente, s\u00e3o pigmeus pelos padr\u00f5es<br \/>\nmodernos), mas ele possu\u00eda a funcionalidade de padr\u00e3o industrial \u00e0s quais<br \/>\nnenhum brinquedinho feito em casa pode aspirar. Um estudante, Greg Rose,<br \/>\nlembra-se, <i>\\&#8221;John expressou isto com uma frase, \\&#8217;O \u00fanico grande programa<br \/>\nque eles ver\u00e3o al\u00e9m dos que eles far\u00e3o, pelo menos este foi bem feito\\&#8217;\\&#8221;<\/i>. <\/p>\n<p>A primeira edi\u00e7\u00e3o do livro de Lions era uma impress\u00e3o de computador magra,<br \/>\ncoberta com um cart\u00e3o vermelho, e com a estampa do bras\u00e3o da UNSW. Sobre<br \/>\nela, o t\u00edtulo \\&#8221;Unix Operating System Source Code Level 6\\&#8221;, e \\&#8221;A Commentary<br \/>\non the Unix Operating System\\&#8221;. Lions originalmente preparou o mesmo para<br \/>\nseus estudantes, que ficaram at\u00f4nitos com a disponibilidade do c\u00f3digo<br \/>\nfonte. Ali havia um sistema operacional inteiro que eles podiam colocar na<br \/>\npalma da m\u00e3o. <i>\\&#8221;Toda a documenta\u00e7\u00e3o pode ser transportada em uma pasta<br \/>\nestudantil\\&#8221;<\/i>, notou Lions. Mais tarde ele faria uma piada, dizendo que as<br \/>\nedi\u00e7\u00f5es posteriores do Unix corrigiriam isto. <\/p>\n<p>Os livros funcionaram. <i>\\&#8221;Em geral, os estudantes pareceram achar os novos<br \/>\ncursos um pouco mais caros, mas muito mais satisfat\u00f3rios que os cursos<br \/>\npr\u00e9vios\\&#8221;<\/i>, observou secamente Lions. Seus estudantes descreviam as aulas<br \/>\ncomo uma revela\u00e7\u00e3o. <i>\\&#8221;Ele gostava de ver se algum de n\u00f3s estava alerta o<br \/>\nsuficiente para perceber alguns dos poucos bugs ou as esquisitisses<br \/>\ninexplic\u00e1veis no c\u00f3digo conforme o l\u00edamos. Eu n\u00e3o acho que tenhamos<br \/>\nconseguido isto com muita freq\u00fc\u00eancia\\&#8221;<\/i>, lembra Lucy Chubb, agora presidente<br \/>\nda Australian Unix and Open Systems Users Group (AUUG). <i>\\&#8221;Uma leitura s\u00e9ria<br \/>\ndo c\u00f3digo de outra pessoa era algo que ningu\u00e9m mais nos deu\\&#8221;<\/i>. <\/p>\n<p>Uma das grandes sacadas de Lions era que o que Thompson e Ritchie<br \/>\nescreveram deveria ser estudado daquela forma. <i>\\&#8221;Voc\u00ea percebe que a maioria<br \/>\ndo c\u00f3digo no Unix \u00e9 de um padr\u00e3o bem alto\\&#8221;<\/i>, escreveu ele em uma introdu\u00e7\u00e3o<br \/>\naos livros. <i>\\&#8221;Muitas se\u00e7\u00f5es que inicialmente parecem complexas e obscuras,<br \/>\n\u00e0 luz de investiga\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o posteriores, parecem perfeitamente \u00f3bvias<br \/>\ne \\&#8217;a \u00fanica forma de voar\\&#8217;\\&#8221;<\/i>. <\/p>\n<p>O Unix era belo e \u00fatil e merecia uma aten\u00e7\u00e3o mais dirigida. Como o<br \/>\nprogramador Peter Reintjes observou, <i>\\&#8221;Conseguimos o que equivaleria a uma<br \/>\ncr\u00edtica liter\u00e1ria do software de computador\\&#8221;<\/i>. <\/p>\n<p>As implica\u00e7\u00f5es eram enormes. O c\u00f3digo resumido e elegante de Thompson e<br \/>\nRitchie era um convite para investigar e experimentar. Agora um grupo de<br \/>\nestudantes bem-treinados estava equipado para fazer justamente aquilo.<br \/>\n<i>\\&#8221;Melhoramentos feitos em institui\u00e7\u00f5es pelo mundo come\u00e7aram a ser trocadas,<br \/>\ne contribu\u00edram de uma forma ineg\u00e1vel para o crescimento do Unix\\&#8221;<\/i>, lembra<br \/>\nRose. <i>\\&#8221;Estes dois volumes tornaram muito mais f\u00e1cil come\u00e7ar com este tipo<br \/>\nde experimenta\u00e7\u00e3o, e contribuiu grandemente ao sucesso do Unix durante o<br \/>\nfinal da d\u00e9cada e 1970 e in\u00edcio da de 1980\\&#8221;<\/i>. <\/p>\n<p>As novidades sobre a revolu\u00e7\u00e3o acabaram chegando aos seus instigadores. <i>\\&#8221;A<br \/>\nprimeira vez que Ken e eu ouvimos falar de John foi quando o original do<br \/>\nlivro \\&#8217;Commentary\\&#8217; chegou, eu acho\\&#8221;<\/i>, comenta Ritchie. <i>\\&#8221;Ficamos muito<br \/>\nimpressionados pela qualidade do trabalho e bastante lisonjeados pela sua<br \/>\nexist\u00eancia\\&#8221;<\/i>. Lions trabalhou duro para entender o que Thompson e Ritchie<br \/>\nestavam tentando conseguir. Na avalia\u00e7\u00e3o deles, ele teve sucesso. <i>\\&#8221;Ap\u00f3s 20<br \/>\nanos, esta ainda \u00e9 a melhor exposi\u00e7\u00e3o do funcionamento de um sistema<br \/>\noperacional \\&#8217;real\\&#8217;\\&#8221;<\/i>, falou Thompson. <\/p>\n<p>Ainda que admirando as anota\u00e7\u00f5es de aula, Ritchie destaca mais os<br \/>\nensinamentos de John. <i>\\&#8221;Provavelmente a contribui\u00e7\u00e3o mais importante que<br \/>\nJohn fez foi iniciar, na UNSW e indiretamente na Sydney Uni, um grupo<br \/>\nforte de pessoas versadas em Unix, muitos dos quais nos visitaram ou aqui<br \/>\nficaram, e que n\u00f3s visitamos com certa freq\u00fc\u00eancia\\&#8221;<\/i>, ele disse. Lions<br \/>\ntamb\u00e9m fundou o AUUG, e \u00e9 em parte cr\u00e9dito seu que o Unix \u00e9 um sucesso<br \/>\natualmente na Austr\u00e1lia (o grupo recentemente celebrou a contribui\u00e7\u00e3o de<br \/>\nJohn com o John Lions Award for Research Work in Open Systems). <\/p>\n<p>Um professor vision\u00e1rio, uma maravilhosa ferramenta de ensino, um<br \/>\ncoment\u00e1rio cheio de saber e vis\u00e3o, um ambiente em que os estudantes<br \/>\ntalentosos tem sucesso &#8212; tudo para termos um final feliz, certo? Sim e<br \/>\nn\u00e3o. mesmo quando ele foi publicado pela primeira vez, os livros de Lions<br \/>\neram tecnicamente dispon\u00edveis apenas para quem tinha a licen\u00e7a do Unix<br \/>\nsexta edi\u00e7\u00e3o. O sistema operacional tinha um novo propriet\u00e1rio, a Western<br \/>\nElectric, que n\u00e3o queria que qualquer um aprendesse como funcionava o<br \/>\nkernel Unix por dentro. <\/p>\n<p><i>\\&#8221;Na \u00e9poca que a s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o do sistema foi produzida, a companhia<br \/>\ncome\u00e7ou a se preocupar mais com os aspectos da propriedade intelectual e<br \/>\nos \\&#8217;segredos do neg\u00f3cio\\&#8217; e assim por diante\\&#8221;<\/i>, explica Ritchie. <i>\\&#8221;Havia uma<br \/>\ncerta briga entre os que estavam no grupo de pesquisa, que viam os<br \/>\nbenef\u00edcios em ter o sistema dispon\u00edvel, e o Unix Support Group&#8230; Mesmo<br \/>\nquando em 1970 o Unix ainda n\u00e3o era uma proposi\u00e7\u00e3o comercial, o USG e os<br \/>\nadvogados eram cautelosos. A qualquer custo, n\u00f3s da pesquisa perdemos a<br \/>\ndiscuss\u00e3o\\&#8221;<\/i>. <\/p>\n<p>A s\u00e9tima licen\u00e7a e as subsequentes explicitamente proibiram o tipo de<br \/>\nensino que Lions vinha fazendo. O USG tamb\u00e9m procurou controlar a<br \/>\ndistribui\u00e7\u00e3o do coment\u00e1rio. E falhou. Mesmo naquela \u00e9poca, os hackers Unix<br \/>\nn\u00e3o eram o tipo que reagiria a este tipo de tratamento desistindo. A<br \/>\ns\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o do Unix foi lan\u00e7ada em 1979, ao mesmo tempo que as<br \/>\nfotocopiadoras tornaram-se acess\u00edveis. Os engenheiros somaram dois e dois.<br \/>\nOs livros de Lions foram copiados secretamente e passados de m\u00e3o em m\u00e3o.<br \/>\nFotoc\u00f3pias de quarta e quinta gera\u00e7\u00e3o tornaram-se tesouros. Os livros eram<br \/>\nliteralmente samizdat, a literatura feita em casa pela resist\u00eancia. <\/p>\n<p><i>\\&#8221;Como n\u00e3o pod\u00edamos discutir legalmente o livro nas aulas de sistemas<br \/>\noperacionais da Universidade, v\u00e1rios de n\u00f3s se encontravam \u00e0 noite em uma<br \/>\nsala de aula vazia para discutir o livro\\&#8221;<\/i>, conta Reintjes. <i>\\&#8221;Foi a \u00fanica<br \/>\nvez em minha vida em que eu era um membro ativo de um submundo\\&#8221;<\/i>. <\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o estranha perdurou por praticamente 20 anos. Mesmo quando a<br \/>\nUSG tornou-se a Unix System Laboratories (USL) e foi vendida \u00e0 Novell, que<br \/>\npor sua vez a vendeu ao Santa Cruz Operation (SCO), Richie nunca perdeu a<br \/>\nesperan\u00e7a que os livros de Lions pudessem ver a luz. Ele foi de companhia<br \/>\nem companhia. <i>\\&#8221;Era, sobretudo, um material de mais de 25 anos, mas quando<br \/>\neles perguntavam aos seus advogados, estes diziam que n\u00e3o havia mal algum<br \/>\n\u00e0 prmeira vista, mas sempre havia uma atitude do tipo \\&#8217;mas nunca se<br \/>\nsabe&#8230;\\&#8217;, e eles nunca tiveram coragem para ir adiante\\&#8221;<\/i>, ele explica. <\/p>\n<p>Finalmente, na SCO, Ritchie encontrou uma mina. Ele j\u00e1 conhecia Mike<br \/>\nTilson, um executivo da SCO. Com a ajuda de seus amigos gurus de Unix,<br \/>\nPeter Salus e Berny Goodheart, Richie trouxe press\u00e3o ao caso. <i>\\&#8221;O pr\u00f3prio<br \/>\nMike rascunhou uma carta de \\&#8217;permiss\u00e3o concedida\\&#8217;\\&#8221;<\/i>, diz Ritchie, <i>\\&#8221;para<br \/>\neconomizar o trabalho legal do pessoal!\\&#8221;<\/i> A equipe de pesquisa, no fim,<br \/>\nganhou. <\/p>\n<p>Em 1996, a Peer to Peer Communications reimprimiu os livros de Lions. Foi<br \/>\numa ocasi\u00e3o \u00fanica, John estava s\u00e9riamente doente. Quando os livros<br \/>\nchegaram \u00e0 Austr\u00e1lia, Goodheart levou v\u00e1rias c\u00f3pias para ele. <i>\\&#8221;Como voc\u00eas<br \/>\npodem imaginar, seu rosto se iluminou\\&#8221;<\/i>, escreveu Goodheart, na \u00e9poca. <i>\\&#8221;Ele<br \/>\nestava tremendo de deleite e todos celebramos a ocasi\u00e3o com champanhe. Sua<br \/>\nsa\u00fade estava muito pior que eu pensava, mas ele podia entender que seu<br \/>\ntrabalho havia finalmente sido publicado. Ele ca\u00eda no sono durante as<br \/>\nconversas mais curtas e muito raramente dizia alguma coisa. Marianne n\u00e3o<br \/>\ntinha certeza se ele estava entendendo tudo, mas eu acho que sim&#8230;\\&#8221;<\/i> Lions<br \/>\nperguntou o que havia acontecido com o bras\u00e3o da UNSW. <\/p>\n<p><i>\\&#8221;Ele realmente riu baixo quando eu li o coment\u00e1rio na contracapa, \\&#8221;O Mais<br \/>\nFamoso Manuscrito Suprimido na Hist\u00f3ria da Computa\u00e7\u00e3o\\&#8221;<\/i>, escreveu<br \/>\nGoodheart. <i>\\&#8221;Mariane contou que fazia muito tempo que ela n\u00e3o o via t\u00e3o<br \/>\nfeliz. A filha de John, Liz, estava l\u00e1 e lhe fez uma pergunta, \\&#8217;Pai, voc\u00ea<br \/>\nrealmente entende esta baralhada?\\&#8217;, John respondeu \\&#8217;N\u00e3o\\&#8217;, e recome\u00e7ou a<br \/>\nrir&#8230;\\&#8221;<\/i> <\/p>\n<p>John Lions faleceu em 5 de Dezembro de 1998. Mais ou menos tr\u00eas anos antes<br \/>\nde sua morte, ele havia encontrado uma caixa com a primeira edi\u00e7\u00e3o do<br \/>\n<i>\\&#8221;Commentary and Source\\&#8221;<\/i> no por\u00e3o, um pouco danificada pela humidade, mas<br \/>\nfora isto, boa. Ele deu um par de livros para um jovem programador que ele<br \/>\nconhecia. Eles estavam entre os oito ou dez livros insubstitu\u00edveis que meu<br \/>\nnoivo trouxe consigo quando mudou-se para S\u00e3o Francisco no \u00faltimo ano. Ele<br \/>\nest\u00e1 trabalhando no kernel do Linux agora &#8212; um sistema rico com uma<br \/>\nprograma\u00e7\u00e3o brilhante por que seu c\u00f3digo fonte sempre esteve dispon\u00edvel. <\/p>\n<p>Eu gosto de pensar que John Lions aprovaria isto. <\/p>\n<p>============== <\/p>\n<p>Este artigo foi traduzido por C\u00e9sar A. K. Grossmann, do original que pode ser encontrado <a href=\\\"http:\/\/www.salon.com\/tech\/feature\/1999\/11\/30\/lions\/\\\">na Internet<\/a>. O tradutor agradece a gentileza dos editores do Salon Technology, particularmente a Andrew Leonard, pela gentileza de tornar poss\u00edvel este trabalho.\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Copyleft j\u00e1!<br \/>\n<center><img src=\\\"http:\/\/media.pilger.com.br\/imagens\/blog\/copyleft_seal.gif\\\" border=\\\"0\\\" alt=\\\"\\\" \/><\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi esse texto na Porto Livre e achei t\u00e3o bom que ele merece o copy&amp;paste: Cr\u00edtico de C\u00f3digo por Rachel Chalmers John Lions escreveu a primeira, e talvez a \u00fanica, cr\u00edtica liter\u00e1ria sobre o Unix, iniciando uma das primeiras batalhas legais sobre software aberto. 30 de Novembro de 1999. 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