{"id":1793,"date":"2003-11-19T01:33:36","date_gmt":"2003-11-19T04:33:36","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T03:00:00","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/1793","title":{"rendered":"Ser ecl\u00e9tico? N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 isso que importa&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem estranhe o fato de eu ter aqui em casa, ao lado dos CDs do Radiohead, Madredeus e Interpol coisas como Acqua, Funk da Lata e Right Said Fred. Vou dizer o qu\u00ea? Que curto de tudo um pouco? De que vai adiantar dizer isso se v\u00e3o continuar olhando meio torto? Bem, o causo \u00e9 que no \u00faltimo n\u00famero da Revista da MTV tem uma entrevista com o <a href=\\\"http:\/\/www.loshermanos.com.br\\\">Marcelo Camelo<\/a> e l\u00e1 pelas tantas ele coloca uma coisa que tem tudo a ver com a forma como eu escuto m\u00fasica. Vale a pena a transcri\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p>\n<b>Quanto de cerebral existe nesse processo de composi\u00e7\u00e3o?<\/b> <\/p>\n<p>No final das contas acaba tendo muito pouco de cerebral, porque acredito que a arte na verdade \u00e9 um gatilho que funciona para ativar uma emo\u00e7\u00e3o que j\u00e1 se carrega dentro de si. Todo mundo carrega, a arte \u00e9 um c\u00f3digo, \u00e9 uma chave que consegue funcionar como o gatilho de uma emo\u00e7\u00e3o que a pessoa j\u00e1 carrega. E a\u00ed nesse sentido tanto faz se \u00e9 uma m\u00fasica, um quadro, uma letra, um filme. Acho que existe uma coisa de inconsciente coletivo que \u00e9 o lance de encarar a obra como um gatilho emocional. Acho que \u00e9 a grande arma da nossa banda. Na verdade, \u00e9 a gente ter essa liberdade de se sentir muito \u00e0 vontade de usar de todas as coisas que j\u00e1 existiram e existem sem preconceitos de g\u00eanero, sem estabelecer ju\u00edzos de valor, porque quando ou\u00e7o Kelly Key, por exemplo, e me emociono, eu me emociono porque me emociono e ponto final. Isso \u00e9 o mais importante. <\/p>\n<p><b>Com o que voc\u00ea se emociona na m\u00fasica da Kelly Key?<\/b> <\/p>\n<p>Com as melodias, as batidas, dan\u00e7o junto. Dan\u00e7o tamb\u00e9m com Claudinho e Buchecha, eles tem v\u00e1rias m\u00fasicas bonitas. E quando me emociono \u00e9 porque \u00e9 emo\u00e7\u00e3o mesmo, cara, \u00e9 deixar aberta essa via. Eu me alimento disso, cara, se come\u00e7ar a colocar barreira nisso, come\u00e7ar a cortar esses canais de comunica\u00e7\u00e3o que meu cora\u00e7\u00e3o tem com a arte, estarei diminuindo um fluxo que me alimenta. N\u00e3o se pode tirar da arte essa fun\u00e7\u00e3o primordial, porra, que \u00e9 de entreter. O limite da arte \u00e9 o limite do corpo de quem a recebe, ningu\u00e9m pode vir de fora e dizer para voc\u00ea: \\&#8221;Tem que ouvir Mozart por isso ou por aquilo, que \u00e9 bem melhor que Claudinho e Buchecha\\&#8221;. Essa rela\u00e7\u00e3o de uso de valor n\u00e3o \u00e9 verdadeira.\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Resumo da \u00f3pera: t\u00e1 com vontade de ouvir \u00c2ngela Maria com Tortoise? Piazolla com Pedro Luiz e a Parede? Pois v\u00e1 em frente! Se voc\u00ea gosta, se sente alguma coisa especial ouvindo isso v\u00e1 em frente. Ok, ok, tudo tem limite, por isso n\u00e3o me obrigue a ouvir Comunidade Ninjitsu. \u00c9, vai baixando o volume a\u00ed do Chevet\u00e3o a\u00ed maninho, sen\u00e3o eu chego com o meu port\u00e1til CCE foderoso e te fa\u00e7o engolir Sigur R\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem estranhe o fato de eu ter aqui em casa, ao lado dos CDs do Radiohead, Madredeus e Interpol coisas como Acqua, Funk da Lata e Right Said Fred. Vou dizer o qu\u00ea? Que curto de tudo um pouco? De que vai adiantar dizer isso se v\u00e3o continuar olhando meio torto? Bem, o causo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1793"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1793\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}