{"id":1915,"date":"2004-02-18T00:26:45","date_gmt":"2004-02-18T03:26:45","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T03:00:00","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/1915","title":{"rendered":"Distor\u00e7\u00f5es de Porto Alegre"},"content":{"rendered":"<p>O Leandro Vignoli, dign\u00edssimo colega do <a href=\\\"http:\/\/www.gordurama.com.br\\\">Gordurama<\/a>, escreveu para o ezine Coquetal Molotov <a href=\\\"http:\/\/www.coquetelmolotov.com.br\/colunas\/intruso%2010.htm\\\">um artigo sobre as bandas aqui da regi\u00e3o<\/a>. Infelizmente o webdesigner do Coquetel nunca usou o Mozilla, de forma que reproduzo aqui o artigo para aqueles que usam browsers que seguem os padr\u00f5es da web. Maldito Internet Explorer!<\/p>\n<blockquote><p>\n<b>Distor\u00e7\u00f5es de Porto Alegre<\/b> <\/p>\n<p>Na regi&atilde;o metropolitana de Porto Alegre, fica localizada uma s&eacute;rie de cidades industriais. O chamado Vale do Rio dos Sinos se destaca por ser o maior p&oacute;lo do setor coureiro-cal&ccedil;adista brasileiro, possuir a principal base militar a&eacute;rea do pa&iacute;s, uma f&aacute;brica da Petrobr&aacute;s, entre outras grandes produtoras de fuma&ccedil;a e cheiros podres diversos. Um local estrat&eacute;gico para ser alvejado com bombas numa suposta guerra, eu diria. Por&eacute;m, no come&ccedil;o deste mil&ecirc;nio, tamb&eacute;m come&ccedil;aram a aparecer na regi&atilde;o bandas de tudo que &eacute; canto, dos mais variados estilos &#8211; embora algumas sejam bem anteriores a esta &eacute;poca. De algum modo meio peculiar [e impercept&iacute;vel], o p&uacute;blico freq&uuml;entador de shows come&ccedil;ou a se consolidar com bastante for&ccedil;a, e com postura muito diferente da costumeira galera bunda-mole que curte rock na capital. Em vez dos tradicionais bra&ccedil;os cruzados com aquele &uacute;nico copo de cerva esquentando na m&atilde;o a noite toda, o pessoal do Vale faz festa e pogos, dan&ccedil;a, empurra, confraterniza, se diverte, enche a cara, at&eacute;, sem muitas caretas blas&egrave;s. Pouco a pouco esta &#8220;atitude&#8221; come&ccedil;a a ser notada por todos, inclusive por bandas de POA, que cada vez mais fazem quest&atilde;o de tocar na regi&atilde;o e [ou] na capital ao lado de bandas destas cidades. Apertem os cintos, portanto, distor&ccedil;&otilde;es sair&atilde;o p&aacute;gina afora a partir de agora.  <\/p>\n<p><strong>Viana Moog<\/strong> [S&atilde;o Leopoldo] &#8211; Com uma das melhores performances do pa&iacute;s, aos poucos &#8211; e bem aos poucos &#8211; a Viana Moog virou uma esp&eacute;cie de culto na regi&atilde;o. Shows sempre lotados, com hordas de fan&aacute;ticos e outros nem tanto, gente de glitter sobre as p&aacute;lpebras, caindo pelas tabelas, e chinelagens diversas, quando este combo prolet&aacute;rio est&aacute; em cima do palco, a catarse coletiva se instala de imediato. Caso voc&ecirc; pense que esta frase &eacute; apenas um adjetivo pomposo elaborado a esmo, pode acreditar, que na verdade, a Viana Moog poderia [e deveria] mesmo, era chegar no estrelato. O som da banda transpira energia, sujeira, com guitarras esporrando microfonias por todos os lados, numa absor&ccedil;&atilde;o plena da barulheira bem feita, com direito a alguns riffs dos mais violentos, e de grude instant&acirc;neo. Lampejos de um MC5 ainda mais chapado se misturam ao p&oacute;s-punk entorpecido na linha de The Fall, e mais, noise, garage, Madchester [porra, &eacute; verdade, at&eacute; isso!], e obscuridades nacionais dos anos 80, como Virna Lisi, Fellini e Picassos Falsos. Tudo isso reunido em grandes retalhos de influ&ecirc;ncias que conseguem beirar a sonhada originalidade. A banda, ao vivo, passa por cima dos percal&ccedil;os da p&eacute;ssima qualidade de grava&ccedil;&atilde;o de seu &aacute;lbum independente, &#8220;Boemia Adolescente Ap&oacute;s Os 30&#8221;, de 2002 &#8211; motivo que, de certa forma, gerou uma quantidade p&iacute;fia de resenhas publicadas em zines\/revistas\/afins, e [ou], a execu&ccedil;&atilde;o das m&uacute;sicas em r&aacute;dios dispostas a faz&ecirc;-lo. Todas m&uacute;sicas s&atilde;o diretas, coesas, tocadas em poucos minutos, com letras que distribuem bala&ccedil;os como &#8216;atire em mim antes que eu te mate&#8217;. Ali&aacute;s, todas as letras s&atilde;o compostas de frases curtas, que carregam sarcasmos e auto-ironias, numa esp&eacute;cie de poesia &aacute;cida e amarga a toda prova. Nos in&uacute;meros shows ao longo do &uacute;ltimo ano [ao lado de bandas tradicionais do underground ga&uacute;cho como Walverdes e Space Rave, ou de fora do estado, como Lava-SP e Deluxe-RJ], coros s&atilde;o presenciados sob o inferno distorcido e inconseq&uuml;ente que sai dos amplificadores. E o que mais se espera de uma banda boa, se n&atilde;o, fazer com que um bando de maloqueiros maltrapilhos cantem todas as suas m&uacute;sicas, isso, ao lado de indies gravatinhas, grunges sebosos, e at&eacute; os mods, todos juntos, em confraterniza&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o muito mais que isso, acho. O vocalista da banda, Cidade, &eacute; um frontman de verdade, como pouqu&iacute;ssimos, mesclando a genialidade de cacoetes disfuncionais do tipo quero-ser Mark E. Smith, &agrave; atitude loucurama junkie-poser-rock-star. Atolada de can&ccedil;&otilde;es novas [muito mais do que fodonas], em 2004 a Viana deve entrar em est&uacute;dio para outra grava&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de uma passagem ainda n&atilde;o confirmada por S&atilde;o Paulo no m&ecirc;s de mar&ccedil;o &#8211; expandir os pagos certamente era mais do que um dever do grupo, ent&atilde;o, caro leitor, n&atilde;o rateie e compare&ccedil;a, se p&aacute;. Para fins de &#8220;a gente tamb&eacute;m &eacute; cultura&#8221;, Vianna Moog &eacute; o nome de um romancista j&aacute; falecido de S&atilde;o Leopoldo, que, inclusive, foi membro da Academia Brasileira de Letras, num tempo em que isso n&atilde;o era t&atilde;o vergonhoso. Agora que conhece uma puta banda afud&ecirc;, &eacute; s&oacute; sair no sapatinho. Viana Moog: Cidade &#8211; Vocal; M&aacute;rcio &#8211; Guitarra; Cris &#8211; Guitarra; J&uacute;nior &#8211; Baixo; Mac &#8211; Bateria; Tisco &#8211; Sintetizador.<br \/>\n <br \/>\nContato: <a href=\\\"http:\/\/www.vianamoog.kit.net\\\">www.vianamoog.kit.net<\/a> <\/p>\n<p><strong>Screams of Life<\/strong> [Esteio] &#8211; Em algum ponto da hist&oacute;ria  conteceu um enorme big bang na trajet&oacute;ria da SOL, e de uma banda hardcore tradicional fomos chegar nisso que ela se transformou hoje em dia. Um tanto melhor assim, afinal, quem realmente precisa do HC, al&eacute;m de skatistas e adolescentes? Algum straight-edge, talvez, embora estes nem contem. Mas o fato &eacute; que esta enorme criatura gerada pelos caras da Screams Of Life est&aacute; calcada na irracionalidade. Barulhento como poucos, o grupo constr&oacute;i suas melodias sob camadas de distor&ccedil;&atilde;o e microfonia, bateria em ritmos de descompasso perto do inacredit&aacute;vel [imagine Steve Shelley tocando no formato jazz uma m&uacute;sica do Fugazi], em can&ccedil;&otilde;es que podem ultrapassar os dez, quinze minutos, sem que voc&ecirc; perceba. N&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para aquela entediante repeti&ccedil;&atilde;o de interl&uacute;dios de guitarradas alto-baixo-alto-baixo, ou, t&atilde;o pouco, para &#8220;crescendos&#8221; instrumentais, muito em voga em bandas nesta linha de esmero experimental, vanguardista, p&oacute;s-rock, ou sei l&aacute; que outro r&oacute;tulo est&uacute;pido mal criado. As m&uacute;sicas da SOL constituem-se de uma eloq&uuml;ente massa sonora, causadora de paralisia instant&acirc;nea, mais ou menos como se ca&iacute;sse na tua cabe&ccedil;a uma geladeira arremessada do quinto andar de um pr&eacute;dio. As letras, em portugu&ecirc;s, elevam o simples cotidiano &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de suprema import&acirc;ncia da vida, como o paradoxo de beleza e perigo ao se caminhar pelas ruas de uma cidade grande numa madrugada qualquer, e coisas deste tipo. Frases soltas que aparecem vez ou outra, de forma eficaz, sem maiores interfer&ecirc;ncias no grandioso arroubo instrumental. Neste come&ccedil;o de 2004, a banda lan&ccedil;a seu &aacute;lbum de estr&eacute;ia, &#8220;No Descompasso do Transe, Retalhos do Meu Sil&ecirc;ncio&#8221;, ap&oacute;s alguns bons cinco anos de espera do seu p&uacute;blico fortemente fiel. O disco contar&aacute; com a presen&ccedil;a de dois membros do Sexteto Blazz, comboio porto-alegrense de m&uacute;sicos de jazz, um lance de intelecto quase marginal. Gritos de Vida. Talvez seja apenas este o sentido dela mesmo. Screams of Life: Felipe Martini &#8211; Baixo, guitarra, vocal; Roger Canal &#8211; Guitarra, baixo, vocal; Marcelo &#8211; Bateria; Tetsuo &#8211; Percuss&atilde;o.  <br \/>\nContato: <a href=\\\"mailto:felipemartini@terra.com.br\\\">felipemartini@terra.com.br<\/a> <\/p>\n<p><strong>Blanched <\/strong>[Novo Hamburgo] &#8211; Ap&oacute;s algumas  trocas de forma&ccedil;&atilde;o no &uacute;ltimo ano, a Blanched aparenta ter encontrado o rumo definitivo na proposta que ambiciona tra&ccedil;ar. Com sua sonoridade encravada cada vez mais naquilo que se convencionou chamar de p&oacute;s-rock, o estilo pode servir tanto para o bem quanto para o mal &#8211; numa est&eacute;tica modorrenta como esta, ou se tem uma adora&ccedil;&atilde;o irredut&iacute;vel, ou acha o lance as fezes mais cheias de mosquinhas entre todas. Em letras que falam, sobretudo, de sentimentos [seja quais for] projetados direto da [e para] alma, se as palavras te pegarem na medida certa, bingo, pontos pros caras. Antes de qualquer interpreta&ccedil;&atilde;o mais objetiva sobre a banda, o pr&oacute;prio letrista e vocalista, Leonardo Fleck, antecipa num quase hit entre freq&uuml;entadores de shows: &#8220;tristes dos que procuram dentro de si respostas, porque l&aacute; s&oacute; h&aacute; espera&#8221;. Pelo presente momento, a Blanched est&aacute; mais para as perguntas, no entanto. As m&uacute;sicas sugerem aquela dualidade &iacute;mpar, com extremo senso mel&oacute;dico e ao mesmo tempo super pesado [que permitem o uso de tr&ecirc;s guitarras distorcidas em conjunto], fazendo alguns incautos at&eacute; balan&ccedil;arem a cabe&ccedil;a para frente e para tr&aacute;s nos shows, feitos leg&iacute;timos f&atilde;s de Slayer. Passagens perto do inaud&iacute;vel se alternam a momentos doces, em harmonias de flauta transversal simplesmente essenciais. Ap&oacute;s um rodado EP de estr&eacute;ia, &#8220;Ter Estado Aqui&#8221;, em 2004 a banda entra em est&uacute;dio para gravar seu novo &aacute;lbum, ainda sem nome, mas com produ&ccedil;&atilde;o de Marcelo Fruet, super requisitado na difusa cena [sabe, a cena?] porto-alegrense. Na real, o jarg&atilde;o final sobre a banda poderia ser este, &uacute;nico e definitivo: se voc&ecirc; n&atilde;o dormir ao escut&aacute;-los, poder&aacute; curtir para sempre. Blanched: Leonardo Fleck &#8211; Vocal, guitarra, baixo; Douglas Dickel &#8211; Guitarra; Daniel Galera &#8211; Baixo, guitarra; Marcelo Koch &#8211; Bateria; Priscila Wachs &#8211; Flauta Transversal; Muriel Paraboni &#8211; Teclados, guitarra.<br \/>\n <br \/>\nContato: <a href=\\\"http:\/\/www.blanched.net\\\">www.blanched.net<\/a> \n<\/p><\/blockquote>\n<p>Pois \u00e9, boa, s\u00f3 achei que faltaram mais algumas bandas a\u00ed. Mas que as tr\u00eas s\u00e3o grandes representantes do som que se faz aqui na regi\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Leandro Vignoli, dign\u00edssimo colega do Gordurama, escreveu para o ezine Coquetal Molotov um artigo sobre as bandas aqui da regi\u00e3o. Infelizmente o webdesigner do Coquetel nunca usou o Mozilla, de forma que reproduzo aqui o artigo para aqueles que usam browsers que seguem os padr\u00f5es da web. Maldito Internet Explorer! 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