{"id":1924,"date":"2004-02-25T07:26:04","date_gmt":"2004-02-25T10:26:04","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T03:00:00","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/1924","title":{"rendered":"Precinho de ocasi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 tempos eu tenho um sonho e esse sonho tem nome: computador barato. O tal do computador popular n\u00e3o \u00e9 nada mais do que isso: um computador barato. E como eu imagino ele? Para come\u00e7ar ele rodaria Linux. E OpenOffice.org, devidamente traduzido para o portugu\u00eas. E Mozilla, tamb\u00e9m devidamente traduzido. A partir dessa configura\u00e7\u00e3o j\u00e1 sei que preciso de no m\u00ednimo um chip de 450 MHz, 64 Mb de mem\u00f3ria, 4 Gb de disco, um soft-modem que rode no Linux e uma unidade de CD-ROM. Ah, e um drive que \u00e9 sempre \u00fatil. \u00c9 um computador topo de linha? N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9. \u00c9 um computador ruim? N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9. \u00c9 justamente o computador que eu tenho aqui na minha frente, nesse exato momento. E digo: ele faz tudo o que eu preciso numa velocidade que n\u00e3o me faz arrancar os cabelos. Inclusive eu acho ele bom de usar. <\/p>\n<p>E vale a pena refletir: o que torna um computador caro? Bem, o fato dele ter componentes de primeira \u00e9 um bom motivo para jogar nas alturas o pre\u00e7o de um computador. Que mais? Simples: o monitor. Sim, o bom e velho monitor. \u00c9 outro componente que faz com que a m\u00e1quina pese no bolso. E \u00e9 a\u00ed que eu me lembro do meu velho CP-400 Color II. Qual era o detalhe dessa maquininha? Era que, assim como outros micro-computadores da \u00e9poca, ligado em uma TV. N\u00e3o, a resolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o era nenhuma maravilha, mas o computador era plenamente utiliz\u00e1vel. E quem n\u00e3o tem TV em casa aqui no Brasil? S\u00f3 eu mesmo (mas tenho um monitor que eu posso usar&#8230;).<\/p>\n<p>Da\u00ed que eu lembro disso e sempre fico com a pulga atr\u00e1s da orelha: porque n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m comercializando um computador com pe\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o topo de linha com uma sa\u00edda para televisores comuns? \u00c9 possivel ter um computador com duas sa\u00eddas, uma de v\u00eddeo normal e uma para TV, sem encarecer o produto e dando para o comprador a op\u00e7\u00e3o de colocar um monitor no futuro, podendo extender que o sistema. Tipo: compre esse computador por 300 reais, e se voc\u00ea quiser gaste um pouco mais no monitor. O qu\u00ea? Voc\u00ea acha que um computador n\u00e3o poderia sair por 300 reais? Pois eu acho que poderia sim, se a produ\u00e7\u00e3o fosse feita em s\u00e9rie. S\u00e9rie, eis a palavra m\u00e1gica. Ali\u00e1s acho que at\u00e9 por 200 reais poderia ser vendido, mas isso numa situa\u00e7\u00e3o de lucro zero (ou seja: uma empresa estatal com o prop\u00f3sito de dinamizar a inclus\u00e3o digital).<\/p>\n<p>Agora, pare e pense: 300 reais por um computador <b>\u00fatil<\/b>. N\u00e3o, n\u00e3o digo um computador topo de linha, algo para fazer os companheiros de <i>lan<\/i> babarem. Eu falo de um computador que eu posso chegar e digitar o meu texto, fazer a minha planilha, navegar na Internet, mandar meu email, e tudo isso sem arrancar os cabelos devido a alguma demora por parte da m\u00e1quina. Hoje em dia o que justifica um computador com o poder de processamento que eles tem? Computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, que requer c\u00e1lculos e mais c\u00e1lculos. E onde se usa computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica? Em jogos. Oras, se formos pensar o que temos ent\u00e3o? Temos toda uma ind\u00fastria que coloca computadores na roda para satisfazer aos momentos de lazer de uma elite econ\u00f4mica (ai, agora fiquei parecendo um membro do PSTU&#8230;) n\u00e3o para suprir pessoas que necessitam de ferramentas de inform\u00e1tica. Ok, h\u00e1 quem precise de um CAD, e CADs precisam de um senhor equipamento, mas sejamos sinceros: quantas pessoas fazem uso de computa\u00e7\u00e3o pesada? Pois \u00e9.<\/p>\n<p>E \u00e9 nessas horas que eu lamento n\u00e3o ter capital inicial. Adoraria montar uma empresa de <b>computadores baratos<\/b>, algo para se colocar num Big da vida, transformando aqui no Brasil o que o computador \u00e9 nos Estados Unidos: um eletrodom\u00e9stico. L\u00e1 isso \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as ao alto n\u00edvel salarial, j\u00e1 aqui falta algu\u00e9m que fa\u00e7a nos computadores o que foi feito com os celulares: equipamentos baratos com pagamentos a longo prazo e pequenos valores.<\/p>\n<p><b>Update:<\/b> uma coisa que esqueci de comentar&#8230; Algo que seria muito interessante num computador desses \u00e9 a configura\u00e7\u00e3o do browser. Em vez de apontar para um provedor ou um portal, a p\u00e1gina inicial apontaria para uma p\u00e1gina mantida pelos usu\u00e1rios do computador, onde todos poderiam dar dicas, seja de configura\u00e7\u00f5es, seja de programas, seja de links. N\u00e3o seria uma p\u00e1gina institucional fazendo propagandas de extens\u00f5es (essas podem existir, mas em banners ou ad-texts laterais), mas sim uma comunidade. A empresa que bancasse o desenvolvimento de um computador desses teria uma ferramenta de feedback fora de s\u00e9rie.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 tempos eu tenho um sonho e esse sonho tem nome: computador barato. O tal do computador popular n\u00e3o \u00e9 nada mais do que isso: um computador barato. E como eu imagino ele? Para come\u00e7ar ele rodaria Linux. E OpenOffice.org, devidamente traduzido para o portugu\u00eas. E Mozilla, tamb\u00e9m devidamente traduzido. 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