{"id":1940,"date":"2004-03-08T01:04:29","date_gmt":"2004-03-08T04:04:29","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T03:00:00","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/1940","title":{"rendered":"O para\u00edso"},"content":{"rendered":"<p>Sim, o para\u00edso existe, e se chama <a href=\\\"http:\/\/nominimo.ibest.com.br\/notitia2\/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&#038;pageCode=22&#038;textCode=10691&#038;date=currentDate\\\">Isl\u00e2ndia<\/a>:<\/p>\n<blockquote><p>\nN\u00e3o h\u00e1 propaganda nenhuma nas estradas. O que refor\u00e7a o vazio, o inusitado da paisagem islandesa. De desola\u00e7\u00e3o, pois se associa (erradamente) a aus\u00eancia do humano \u00e0 tristeza ou \u00e0 esterilidade.  <\/p>\n<p>(&#8230;) <\/p>\n<p>No inverno, n\u00e3o h\u00e1 turistas na Lagoa Branca. N\u00e3o h\u00e1, na verdade, ningu\u00e9m. De modo que o vesti\u00e1rio, imenso e limp\u00edssimo, fica a seu dispor. Voc\u00ea toma banho de chuveiro (nu e de sabonete, conforme as regras), bota o cal\u00e7\u00e3o, sai, quase congela, e entra na Lagoa quente, com sua \u00e1gua espessa, azul-leitosa. <\/p>\n<p>Quanto mais voc\u00ea se aproxima dos rolos de fuma\u00e7a, mais quente a \u00e1gua fica (\u201cPapa, je suis en train de br\u00fbler mes fesses!\u201d), mas logo se acha o ponto ideal. E n\u00e3o se quer mais sair desse ambiente irreal. <\/p>\n<p>(&#8230;) <\/p>\n<p>A televis\u00e3o islandesa come\u00e7a suas transmiss\u00f5es \u00e0s seis da tarde e as encerra \u00e0s dez da noite. O telejornal vai ao ar \u00e0s sete horas e dura sessenta minutos. Num restaurante de beira de estreada, jant\u00e1vamos olhando a televis\u00e3o, junto com uns islandeses. O telejornal mostra todas as noites alguns trechos de discursos no parlamento. Um deputado falou algo, o island\u00eas ao lado me olhou, bufou e balan\u00e7ou a cabe\u00e7a: o gesto universal de reprova\u00e7\u00e3o aos pol\u00edticos, imediatamente compreendido. <\/p>\n<p>(&#8230;) <\/p>\n<p>Metade das islandesas parece com a cantora Bjork, que parece ter feito grande sucesso no Carnaval baiano. A outra metade \u00e9 loira e de olhos azuis. A altura m\u00e9dia delas \u00e9 1m90. <\/p>\n<p>(&#8230;) <\/p>\n<p>Uma das praias, de basalto, era de areia negra, mais negra que a asa da gra\u00fana. <\/p>\n<p>A Isl\u00e2ndia \u00e9 ao contr\u00e1rio. <\/p>\n<p>Visit\u00e1-la no inverno \u00e9 ter acesso ao avesso, \u00e9 ver a vida ao inverso: neve, lava, nada.\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma terra intocada, fria, a 3 horas de v\u00f4o de Paris. O \u00fatero abandonado numa lagoa branca. Televisores se calando cedo, deixando espa\u00e7o para o c\u00e9rebro respirar no bares (o que talvez explique porque tenha tanta m\u00fasica boa sendo feito l\u00e1). E eu acho a Bj\u00f6rk linda, assim como loiras de olhos azuis com 1m90, n\u00e3o me importando nem um pouco se se vestem mal. <\/p>\n<p>Quantas horas do Brasil? Quantos reais? Ou dolares? Ou euros? Quanto? N\u00e3o posso morrer sem ter colocado meus p\u00e9s l\u00e1 um dia. L\u00e1 e na Patag\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sim, o para\u00edso existe, e se chama Isl\u00e2ndia: N\u00e3o h\u00e1 propaganda nenhuma nas estradas. O que refor\u00e7a o vazio, o inusitado da paisagem islandesa. De desola\u00e7\u00e3o, pois se associa (erradamente) a aus\u00eancia do humano \u00e0 tristeza ou \u00e0 esterilidade. (&#8230;) No inverno, n\u00e3o h\u00e1 turistas na Lagoa Branca. N\u00e3o h\u00e1, na verdade, ningu\u00e9m. De modo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1940"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1940"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1940\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}