{"id":203,"date":"2001-08-11T19:39:00","date_gmt":"2001-08-11T22:39:00","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T03:00:00","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/203","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<p>Em 1990 trabalhei durante alguns meses numa empresa de cal\u00e7ados, l\u00e1 em Parob\u00e9. Lembro-me bem at\u00e9 hoje do impacto negativo que teve junto aos meus superiores a resposta que dei \u00e0 pergunta &#8220;O que voc\u00ea est\u00e1 achando do seu trabalho?&#8221;:<\/p>\n<p>&#8211; Divertido!<\/p>\n<p>Meu, a cara dos meus chefes foi algo&#8230; N\u00e3o que eu n\u00e3o levasse o meu trabalho a s\u00e9rio: o que acontecia \u00e9 que, mesmo sendo uma coisa s\u00e9ria (operar um sistema que rodava num IBM 4381 que gerava, entre outras coisas, o relat\u00f3rio de tarefas a serem desempenhadas na produ\u00e7\u00e3o), eu achava a coisa toda intelectualmente estimulante. Tanto o era que foi ali que aprendi a ler em ingl\u00eas, pegando por iniciativa pr\u00f3pria os manuais do sistema e um dicion\u00e1rio de bolso e indo atr\u00e1s do que dava para fazer com cada comando. Isso tornava o meu trabalho uma coisa agrad\u00e1vel, por mais rotineira e burocr\u00e1tica que fosse em alguns momentos. Mas pelo jeito n\u00e3o foi isso que os meus chefes entenderam: na mesma hora eles me censuraram, dizendo que o meu trabalho era uma coisa s\u00e9ria, que n\u00e3o era para ser uma coisa &#8220;divertida&#8221;. Ali\u00e1s, era de &#8220;bom tom&#8221; mudar meu comportamento para que as pessoas n\u00e3o percebessem que eu estava ali me divertindo, afinal a gente estava numa f\u00e1brica de sapatos, onde haviam pessoas trabalhando nas linhas de produ\u00e7\u00e3o, e pegava muito mal esse pessoal ver o pessoal da administra\u00e7\u00e3o sorrindo pr\u00e1 c\u00e1 e pr\u00e1 l\u00e1, que eles iam pensar que a gente n\u00e3o fazia nada o dia inteiro, que levava uma vida boa, etc, etc, etc&#8230; Resumindo: uma bela de uma mijada. Assim sendo, engoli em seco, e passei a fechar a cara. \u00c9, quando a gente est\u00e1 no primeiro emprego se sujeita a esse tipo de coisa. De qualquer forma n\u00e3o fiquei muito tempo l\u00e1, j\u00e1 que dei uma pisada pequena de bola uma hora (pr\u00e1 variar) e usaram isso como desculpa para me tirar da empresa. O pessoal de l\u00e1 n\u00e3o imagina o quanto sou agradecido at\u00e9 hoje por isso ter acontecido.<\/p>\n<p>Mas por que estou falando disso tudo? Por que acabo de ler <a href=\"http:\/\/www.campus.com.br\/catalogo\/livro.cfm?sid=htvgl9d9o6351025&#038;id=20801\" target=\"linus\">S\u00f3 por prazer: Linux, os bastidores da sua cria\u00e7\u00e3o<\/a>, de Linus Torlvalds (sim, o pr\u00f3prio) e David Diamond. Nesse livro, al\u00e9m de contar como se deu o desenvolvimento do SO Linux, Torvalds mostra a sua vis\u00e3o de mundo, e nele \u00e9 interessante ver o papel que o entretenimento tem:<\/p>\n<blockquote><p>\n(&#8230;) h\u00e1 tr\u00eas coisas que d\u00e3o sentido \u00e0 vida. Elas s\u00e3o os fatores de motiva\u00e7\u00e3o para tudo na vida &#8211; para tudo o que <i>voc\u00ea<\/i> faz ou qualquer ser vivo faz: a primeira \u00e9 a sobreviv\u00eancia, a segunda \u00e9 a ordem social e a terceira \u00e9 o entretenimento. Portanto, de certa forma, isso quer dizer que o sentido da vida \u00e9 alcan\u00e7ar o terceiro est\u00e1gio. E uma vez que voc\u00ea o atinge, est\u00e1 feito.\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Sinceramente? Espero que logo logo esse livro entre na lista de mais vendidos da revista Exame. Ia ser interessante ver empres\u00e1rios reverem algumas coisas, tais como o fato de um empregado ter prazer no seu trabalho n\u00e3o quer dizer que ele n\u00e3o o leve a s\u00e9rio. Ali\u00e1s, \u00e9 bem capaz que ele leve mais a s\u00e9rio que outras pessoas justamente por que sente um prazer enorme em fazer aquilo. E quem quer perder aquilo que lhe d\u00e1 prazer? Assim, quando fui demitido fiquei mais envergonhado do que triste. Quando meu pai disse &#8220;Calma que isso \u00e9 s\u00f3 um emprego&#8221; eu nem dei mais (tanta) bola assim pr\u00e1 tristeza, s\u00f3 ficando com o ego ferido durante um bom tempo. Mas triste? Nem tanto. Afinal, se eu n\u00e3o podia sentir prazer no local onde trabalhava, o melhor mesmo era nem ficar por l\u00e1 mesmo. <\/p>\n<p>Mas mudando um pouco de assunto, pelo jeito a Marina n\u00e3o aguentou ficar muito tempo afastada do mundo blog e resolveu <a href=\"http:\/\/cheree.org\" target=\"marina\">voltar<\/a> \ud83d\ude42 E dessa vez sem coment\u00e1rios, para n\u00e3o ter que ficar aguentando chatos. E falando mais um pouco em blogs, no <a href=\"http:\/\/www.antropomorphica.com\/truth\/\" target=\"jogo\">Jogo da Verdade<\/a> a Viviane perguntou <a href=\"http:\/\/www.antropomorphica.com\/truth\/arquivos\/00000047.html\" target=\"jogo\">Como foi (ou \u00e9) o melhor relacionamento afetivo que j\u00e1 tiveram? Tipo, o que o torna o melhor dos que j\u00e1 tiveram, que caracter\u00edsticas?<\/a> N\u00e3o resisti e deixei a minha resposta l\u00e1. N\u00e3o coloquei o nome da M\u00e1rcia l\u00e1, mas nem precisa, n\u00e9? \u00c9 \u00f3bvio que estou falando dela \ud83d\ude42<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1990 trabalhei durante alguns meses numa empresa de cal\u00e7ados, l\u00e1 em Parob\u00e9. Lembro-me bem at\u00e9 hoje do impacto negativo que teve junto aos meus superiores a resposta que dei \u00e0 pergunta &#8220;O que voc\u00ea est\u00e1 achando do seu trabalho?&#8221;: &#8211; Divertido! Meu, a cara dos meus chefes foi algo&#8230; N\u00e3o que eu n\u00e3o levasse [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=203"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/203\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}