{"id":2074,"date":"2004-06-15T22:22:07","date_gmt":"2004-06-16T01:22:07","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T03:00:00","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/2074","title":{"rendered":"A love machine with the facts of life"},"content":{"rendered":"<p><img src=\\\"http:\/\/media.pilger.com.br\/imagens\/blog\/unabomber.gif\\\" border=\\\"0\\\" align=\\\"right\\\" style=\\\"margin-left:5pt\\\" alt=\\\"\\\" \/>Estava no s\u00e1bado de madrugada indo para a casa dos meus pais quando come\u00e7ou um processo que acabou fazendo com que eu tirasse <b>Naked<\/b>, do Talking Heads, do limbo da minha pilha de discos e fosse escutar ele. A l\u00f3gica \u00e9 simples: ia caminhando, ouvindo o CD da <a href=\\\"http:\/\/www.blanched.net\\\">Blanched<\/a> quando come\u00e7a a tocar \\&#8221;Um palha\u00e7o no campo de concentra\u00e7\u00e3o\\&#8221;. Na mesma hora imaginei uma anima\u00e7\u00e3o, com oper\u00e1rios trabalhando, realizando movimentos sincronizados. O que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que tais oper\u00e1rios tinham a cara do Unabomber. Eles trabalhavam feitos loucos, a camera acompanhando eles no seu transporte sem sentido de caixas e mais caixas. Eu ouvia as camadas de guitarras se sobrepondo e ficava imaginando a loucura de toda uma sociedade mecanicista, presa numa cadeia produtiva auto-destrutiva. N\u00e3o foi uma ou duas vezes que voltei a m\u00fasica para ficar submerso naquele pesadelo ludista.<\/p>\n<p>E porque o <a href=\\\"http:\/\/www.unabombertrial.com\/\\\">Unabomber<\/a>? O que o senhor Theodore Kaczynski tem a ver com a Blanched e a sua m\u00fasica? N\u00e3o sei, mas fico pensando nele como um bobo da corte nesses tempos de automa\u00e7\u00e3o m\u00e1xima que vivemos. Sim, um bobo da corte cruel, desesperado, capaz de fazer uso do terrorismo contra pessoas que s\u00e3o simples engrenagens dentro do sistema. Mas vale lembrar que toda a corte tinha um bobo n\u00e3o apenas para divertir o rei, mas para passar recados para ele, para lembr\u00e1-lo de que todo poder tem limite. E o que \u00e9 um palha\u00e7o dentro de um campo de concentra\u00e7\u00e3o? \u00c9 uma incongru\u00eancia t\u00e3o grande quanto o Unabomber. E eis que fui procurar pelo <a href=\\\"http:\/\/www.df.lth.se\/~micke\/wholemanifesto.html\\\">manifesto<\/a> dele e no caminho achei o texto <a href=\\\"http:\/\/forum.abril.com.br\/info\/forum.php?topico=80140\\\">Porque o futuro n\u00e3o precisa da gente<\/a>, do Bill Joy. Foi ler esse texto (que cita o Unabomber) no caminho de casa para, subindo as escadas, lembrar dos versos \\&#8221;monkey see monkey do\\&#8221;. \u00c9 a\u00ed que entra o Talking Heads.<\/p>\n<p><b>Naked<\/b> com toda certeza \u00e9 o \u00e1lbum mais fraco da discografia da banda. Apesar da produ\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel o disco \u00e9 fraco, com m\u00fasicas onde se percebia que a banda estava perdida, apostando suas fichas na world music mais uma vez (a primeira vez tinha sido no excelente <b>Fear of Music<\/b>) numa esperan\u00e7a de renova\u00e7\u00e3o. N\u00e3o deu certo e o m\u00e1ximo que a banda conseguiu foi criar uma m\u00fasica de trabalho chata que \u00e9 <i>(Nothing But) Flowers<\/i>. Contudo mesmo um disco ruim do Talking Heads \u00e9 um disco melhor que muita coisa que se ouvia por a\u00ed, e pode-se dizer que havia ali uma p\u00e9rola ali, e justamente uma p\u00e9rola neo-ludista: a m\u00fasica <i>The Facts of Life<\/i>. Tivesse o Talking Heads levado o disco para o caminho aberto por essa com certeza ter\u00edamos uma obra com a mesma import\u00e2ncia do <b>Ok Computer<\/b> do Radiohead (banda que por sinal tirou seu nome de uma m\u00fasica de qu\u00eam? De qu\u00eam? Pois \u00e9&#8230;). Mas n\u00e3o, parece que a banda esperava repetir o sucesso comercial dos trabalhos anteriores (<i>Little Creatures<\/i> e a trilha sonora de <i>True Stories<\/i>) e resolveu apostar suas fichas em coisas como <i>Mr. Jones<\/i>. Um erro, um grande erro. N\u00e3o \u00e9 de espantar que a banda tenha acabado com o David Byrne enveredando no mambo (ARGH!) e o resto da banda afundando naquela coisa chamada <b>The Heads<\/b>. Total e completa perda de rumos!<\/p>\n<p>Mas enfim, o importante aqui \u00e9 a letra de <i>The Facts of Life<\/i>:<br \/>\n<center><br \/>\nMon key see and mon key do<br \/>\nMa king ba bies, ea ting food<br \/>\nSmel ly things, pu bic hair<br \/>\nWords of lo ve, in the air<br \/>\nSparks fly, shoo ting out<br \/>\nMa king sure that eve ry thing is wor king<br \/>\nI can\\&#8217;t turn you down<br \/>\nWe are pro grammed hap py lit tle chil dren<br \/>\nMat ter o ver mind<br \/>\nWe can not re sis so I won\\&#8217;t fight it<br \/>\nLove is a ma chine<br \/>\nLove is a ma chine without a dri ver<br \/>\nThe facts of life<br \/>\nThe facts of life<br \/>\nA masterpiece<br \/>\nBiology<br \/>\nSmokey water<br \/>\nAir conditioned<br \/>\nBoys \\&#8217;n\\&#8217; girls<br \/>\nAnd automation<br \/>\nChromosomes<br \/>\nDesigner jeans<br \/>\nChimpanzees<br \/>\nAnd human beings<br \/>\nMachines of love<br \/>\nMachines of love<br \/>\nStrong in body, strong in mind<br \/>\nA love machine with the facts of life<br \/>\nThe facts of life<br \/>\nThe facts of life<br \/>\nSo much sex \\&#8217;n\\&#8217; violence<br \/>\nMust be a bad design<br \/>\nWe\\&#8217;re stupid to be fighting<br \/>\nEvery night<br \/>\nThe monsters we create<br \/>\nThey welcome us aboard<br \/>\nThe best in advertising<br \/>\nFrom coast to coast<br \/>\nThe girls and boys combine<br \/>\nLike monkeys in the zoo<br \/>\nThe clouds have silver linings<br \/>\nLooks pretty good<br \/>\nPeople fall in love like in fairy tales<br \/>\nI\\&#8217;m not sure I like, what they can do<br \/>\nI\\&#8217;m afraid that God has no master plan<br \/>\nHe only takes &#8212; what he can use<br \/>\nFactory life, ice cream &#038; pie<br \/>\nFactory life<br \/>\nSomeday we\\&#8217;ll live on Venus<br \/>\nAnd men will walk on Mars<br \/>\nBut we will still be monkeys<br \/>\nDown deep inside<br \/>\nIf chimpanzees are smart<br \/>\nThen we will close our eyes<br \/>\nAnd let our instincts guide us<br \/>\nOh oh oh oh no<br \/>\n<\/center><br \/>\n\\&#8221;Ma king sure that eve ry thing is wor king\\&#8221;&#8230; Engrenagens&#8230; A sensa\u00e7\u00e3o de falar de um problema e com isso agredir involuntariamente uma pessoa que v\u00ea o problema como algo indispens\u00e1vel para a sua sobreviv\u00eancia. \\&#8221;Machines of love\\&#8221;. E as guitarras se sobrep\u00f5em, e ao palha\u00e7o n\u00e3o sobra nada al\u00e9m de fazer sorrir na divis\u00e3o do prazer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estava no s\u00e1bado de madrugada indo para a casa dos meus pais quando come\u00e7ou um processo que acabou fazendo com que eu tirasse Naked, do Talking Heads, do limbo da minha pilha de discos e fosse escutar ele. 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