{"id":232530,"date":"2011-02-26T20:59:27","date_gmt":"2011-02-26T23:59:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/?p=232530"},"modified":"2011-02-26T20:59:27","modified_gmt":"2011-02-26T23:59:27","slug":"o-que-e-publico-e-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/232530","title":{"rendered":"O que \u00e9 p\u00fablico \u00e9 de todos"},"content":{"rendered":"<p>Esse fim de semana Porto Alegre ficou chocada com o absurdo que ocorreu na Cidade Baixa, onde <a href=\"http:\/\/zerohora.clicrbs.com.br\/zerohora\/jsp\/default.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;section=Geral&amp;newsID=a3221536.xml&amp;dsadsad\">um motorista jogou o carro em cima e saiu atropelando ciclistas<\/a> que participavam da <a href=\"http:\/\/massacriticapoa.wordpress.com\/\">Massa Cr\u00edtica<\/a>, um evento que procura promover a bicicleta como meio de transporte urbano.<\/p>\n<p>E, como \u00e9 natural, apareceram v\u00e1rias pessoas criticando os ciclistas por &#8220;fecharem&#8221; a via p\u00fablica, n\u00e3o deixando os carros passarem. Dizem n\u00e3o defender o motorista irrespons\u00e1vel, mas ao mesmo tempo colocam parte da culpa sobre os ciclistas, pois estes invadiram o espa\u00e7o que \u00e9 de autom\u00f3veis. E, ao mesmo tempo que aparecia esse argumento, o ClicRBS colocava uma enquete no ar perguntando se ciclovias eram a solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Infelizmente ciclovias n\u00e3o s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o. A solu\u00e7\u00e3o na verdade est\u00e1 como sempre na educa\u00e7\u00e3o, na conscientiza\u00e7\u00e3o de que o argumento de que as ruas s\u00e3o para os carros \u00e9 completamente errado. As ruas s\u00e3o consideradas o espa\u00e7o p\u00fablico por excel\u00eancia n\u00e3o a toa, h\u00e1 um sentido para isso: elas s\u00e3o espa\u00e7os para locomo\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o. E essa locomo\u00e7\u00e3o pode se dar por meios mec\u00e2nicos, mas n\u00e3o apenas. Por motivos de seguran\u00e7a existem as cal\u00e7adas, que s\u00e3o um espa\u00e7o nas ruas reservado aos pedestres, e t\u00e3o somente aos pedestres. No mais, se a pessoa est\u00e1 fazendo uso de um meio de locomo\u00e7\u00e3o (excetuando talvez as cadeiras de roda) o seu lugar \u00e9 na rua. Isso n\u00e3o \u00e9 manha ou birra de algum governante: \u00e9 uma forma de proteger o pedestre.<\/p>\n<p>E \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 a quest\u00e3o: cabe \u00e0 pessoa que est\u00e1 no ve\u00edculo mais resistente respeitar e tomar cuidado com aqueles que est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel. Na nossa cultura, onde o carro \u00e9 um instrumento de afirma\u00e7\u00e3o, se vive uma situa\u00e7\u00e3o em que se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 fazendo uso de um ve\u00edculo motorizado (seja moto, ou carro, ou caminh\u00e3o, ou \u00f4nibus) na rua voc\u00ea est\u00e1 errado, est\u00e1 &#8220;atrapalhando&#8221;. E com isso quem optar por um meio de transporte mais vulner\u00e1vel est\u00e1 correndo riscos, como se pode ver no dia a dia: esses s\u00e3o tratados de forma totalmente desrespeitosa, com risco \u00e0 sua integridade f\u00edsica.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, antes de defender a constru\u00e7\u00e3o de ciclovias, o que se deve defender \u00e9 a conscientiza\u00e7\u00e3o de que as ruas s\u00e3o espa\u00e7os para todos, que bicicletas tamb\u00e9m s\u00e3o ve\u00edculos de locomo\u00e7\u00e3o, e que n\u00e3o \u00e9 o fato dele n\u00e3o ter um motor que ele est\u00e1 &#8220;atravancando&#8221; o tr\u00e2nsito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse fim de semana Porto Alegre ficou chocada com o absurdo que ocorreu na Cidade Baixa, onde um motorista jogou o carro em cima e saiu atropelando ciclistas que participavam da Massa Cr\u00edtica, um evento que procura promover a bicicleta como meio de transporte urbano. 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