{"id":232686,"date":"2012-04-22T23:59:28","date_gmt":"2012-04-23T02:59:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/?p=232686"},"modified":"2012-04-23T09:29:43","modified_gmt":"2012-04-23T12:29:43","slug":"cinco-discos-da-minha-vida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/232686","title":{"rendered":"Cinco discos da minha vida"},"content":{"rendered":"<p>Esse post teve origem na <a href=\"http:\/\/poplist.pbworks.com\">Poplist<\/a>, onde os membros da lista est\u00e3o postando, cada um, os cinco discos mais representativos na sua vida. Bem, comemorando ent\u00e3o meu anivers\u00e1rio de 41 anos, que foi comemorado ontem, eis a minha lista&#8230; \ud83d\ude42<\/p>\n<p>Tenho uma rela\u00e7\u00e3o estranha com discos. Volta e meia eu adoto um como trilha sonora dO momento, sem necessariamente ser a trilha sonora dE momentos. Assim, quando eu olho para tr\u00e1s vejo que tive per\u00edodos na minha vida em que eu estava feliz e a trilha sonora era de cortar os pulsos, enquanto vivi momentos tristes onde ouvia sem parar m\u00fasicas alegres. Assim, quando fui fazer a lista fiquei na d\u00favida se deveria privilegiar discos que me marcaram musicalmente ou se deveria ficar com os que representaram um per\u00edodo da minha vida. Resolvi fazer uma lista h\u00edbrida, o que fez com que alguns dos meus discos preferidos ficassem de fora. Assim, Bj\u00f6rk acabou n\u00e3o entrando na lista assim como Nick Cave e Arcade Fire, mas isso n\u00e3o quer dizer que os discos deles n\u00e3o sejam menos importantes na minha vida. S\u00f3 que senti que deveria contar sobre esses discos aqui:<\/p>\n<p><strong>Nova Hist\u00f3ria da M\u00fasica Popular Brasileira &#8211; Jo\u00e3o Bosco e Aldir Blanc<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Nova_Historia_da_Musica_Popular_Brasileira_-_Joao_Bosco_e_Aldir_Blanc.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" title=\"Nova_Historia_da_Musica_Popular_Brasileira_-_Joao_Bosco_e_Aldir_Blanc\" src=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Nova_Historia_da_Musica_Popular_Brasileira_-_Joao_Bosco_e_Aldir_Blanc.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" \/><\/a>Na segunda metade da d\u00e9cada de 70 a editora Abril lan\u00e7ou a s\u00e9rie <a href=\"http:\/\/umquetenha.org\/uqt\/?cat=2810\">Nova Hist\u00f3ria da M\u00fasica Popular Brasileira<\/a>. Cada volume continha a biografia de um ou mais artistas, ilustrado com belos desenhos feitos por Elifas Andreato, e um disco de 10 polegadas, que al\u00e9m das principais m\u00fasicas ainda haviam pe\u00e7as n\u00e3o t\u00e3o conhecidas mas que mereciam destaque. O meu pai costumava comprar os volumes dessa cole\u00e7\u00e3o e eu costumava passar, l\u00e1 pelos meus 9, 10 anos, horas e horas ouvindo os discos e lendo sobre os artistas. A parte que eu mais gostava de ler era a primeira contracapa, onde ficava uma breve nota sobre cada m\u00fasica, explicando quando tinha sido a grava\u00e7\u00e3o, com quem e porque ela tinha relev\u00e2ncia. Foi por essa cole\u00e7\u00e3o que eu conheci Caetano, Vin\u00edcius, Gilberto Gil, Mutantes, Raul Seixas, Cartola, Luiz Gonzaga, Novos Baianos, Hermeto Pascoal, Milton Nascimento, Candeia, entre outros, al\u00e9m de ter contato com a m\u00fasica caipira de raiz, os precursores da Bossa Nova e a valsa brasileira do s\u00e9culo XIX. Uma verdadeira escola de m\u00fasica. E esse volume sobre a dupla Jo\u00e3o Bosco \/ Aldir Blanc podia n\u00e3o ser o melhor de todos, mas era um dos que eu mais gostava, n\u00e3o s\u00f3 pelo fato das m\u00fasicas serem mais &#8220;agitadas&#8221; e &#8220;divertidas&#8221; (afinal eu era uma crian\u00e7a) como &#8220;De frente pro crime&#8221;, mas tamb\u00e9m por conter can\u00e7\u00f5es como a\u00a0bel\u00edssima &#8220;Casa \u00e0 raposa&#8221;, interpretada pela Elis Regina, assim como aquela que deve ser a melhor estreia de um artista na hist\u00f3ria da MPB: &#8220;Agnus sei&#8221;.<\/p>\n<p>Destaques: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=pwNhBt1sUJ8\">Agnus sei, com Jo\u00e3o Bosco<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=q6gePB0eqow\">Ca\u00e7a \u00e0 raposa, com Elis Regina<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Lee Jeans presents Lee Original Country Music<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-232680\" title=\"Lee_Jeans_Presents_Lee_Original_Country_Music\" src=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Lee_Jeans_Presents_Lee_Original_Country_Music.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Lee_Jeans_Presents_Lee_Original_Country_Music.jpg 200w, http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Lee_Jeans_Presents_Lee_Original_Country_Music-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/>Esse foi o meu primeiro disco. Simples assim. Eu devia ter uns 11 anos quando a Lee resolveu lan\u00e7ar essa colet\u00e2nea de m\u00fasica country que tinha como destaque na propaganda a m\u00fasica <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tJfQc8Y34QA\">The Baron, do Johnny Cash<\/a>. At\u00e9 ent\u00e3o eu gostava de m\u00fasica e tudo mas nunca tinha insistido junto aos meus pais para ter um disco. E assim eu fiquei um bom tempo pentelhando eles at\u00e9 que l\u00e1 fomos n\u00f3s comprar um jeans Lee para poder ganhar o disco. Lembro que na hora de comprar as cal\u00e7as eu s\u00f3 vi se eles serviam bem no corpo (nessa \u00e9poca eu j\u00e1 era gordinho) e nem prestei aten\u00e7\u00e3o se ela era bonita ou n\u00e3o, e que quando cheguei em casa fui direto ouvir O MEU DISCO e fiquei v\u00e1rias e v\u00e1rias vezes ouvindo a primeira m\u00fasica (justo a do Johnny Cash) a ponto de gastar a faixa. Das outras m\u00fasicas eu nem lembro muita coisa, j\u00e1 que country \u00e9 um ritmo que nunca me fisgou, com exce\u00e7\u00e3o daquela primeira faixa l\u00e1.<\/p>\n<p>Destaques: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rbUFOsqJ8-0\">The Baron, do Johnny Cash<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2aWue_kjOMk\">Deep inside my heart, do Randy Meisner<\/a><\/p>\n<p><strong>Talking Heads &#8211; Fear of Music<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Talking_Heads-Fear_of_Music.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-232683\" title=\"Talking_Heads-Fear_of_Music\" src=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Talking_Heads-Fear_of_Music.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Talking_Heads-Fear_of_Music.jpg 200w, http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Talking_Heads-Fear_of_Music-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>Na metade dos anos 80 eu morava em Taquara\/RS, que fica a uns bons 70 kms de Porto Alegre. A dist\u00e2ncia pode ser pequena, mas era suficiente para a cidade ser &#8220;do interior&#8221; (hoje ela faz parte da regi\u00e3o metropolitana, mas nem por isso deixou de ser interiorana), com as suas consequ\u00eancias do tipo lojas de disco com poucas coisas diferentes dos top 10 das paradas. E, al\u00e9m das poucas ofertas, ainda havia a quest\u00e3o do pre\u00e7o, de forma que comprar um vinil n\u00e3o era t\u00e3o simples. Bem, felizmente houve um per\u00edodo na hist\u00f3ria da cidade em que comprar disco n\u00e3o foi uma sangria: foi em 1986 durante o Plano Cruzado, onde com os pre\u00e7os congelados e sem \u00e1gio (ao contr\u00e1rio da comida) foi poss\u00edvel comprar discos a rodo. Foi nessa \u00e9poca que comprei v\u00e1rios discos, indo por Legi\u00e3o Urbana, Capital Inicial, Engenheiros do Hawai, e por a\u00ed vai. Como se pode perceber era principalmente rock nacional. E a maior parte dos discos foi comprado n\u00e3o em loja de disco, mas sim nas Lojas Colombo, que vendia eletrodom\u00e9sticos. Explico: junto da sess\u00e3o de equipamentos de som havia uma estante de discos, que serviam para &#8220;acompanhar&#8221; o aparelho rec\u00e9m vendido. Por vezes, dependendo do que era comprado o disco ia at\u00e9 de brinde, para o cliente j\u00e1 poder mostrar para a fam\u00edlia a sua nova aquisi\u00e7\u00e3o. Bem, eu n\u00e3o sei quem \u00e9 que fazia a sele\u00e7\u00e3o de discos da Colombo, mas o caso \u00e9 que sempre haviam uns discos meio estranhos ali, que fugiam daqueles que estavam no topo das paradas, e esses discos costumavam ser baratos, quase a metade do pre\u00e7o do LP em uma loja de discos normal. Bem, certo dia estava eu dando uma olhada ali naqueles LPs e vi um\u00a0de uma banda chamada Talking Heads com uma capa totalmente maluca e com quatro pessoas usando roupas bizarras na contracapa chamado &#8220;Little Creatures&#8221;. Como n\u00e3o havia como ouvir os discos (quem comprava um aparelho de som podia) a compra era no escuro. Naquele caso resolvi arriscar (afinal parece que eu j\u00e1 havia lido alguma coisa sobre a banda na revista Bizz) e levei para casa. Cheguei, ouvi e gostei muito do disco. Gostei tanto que lembrei que havia outro disco da banda a venda na Colombo e fui correndo comprar antes que algu\u00e9m levasse ele. Chego em casa todo feliz, ingenuamente do alto dos meus 15 anos esperando ouvir outra <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YgSVTdAtNYE\">And she was<\/a>, mesmo com a capa preta do disco j\u00e1 me avisando &#8220;n\u00e3o \u00e9 bem o que tu t\u00e1 esperando guri&#8230;&#8221;, quando sou arremessado contra a parede por <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=b-RDJ4Z4XrQ\">I Zimbra<\/a>. De repente sou apresentado a uma nova realidade, a um mundo completamente diferente, que foi ficando cada vez mais rico de detalhes \u00e0 medida que o disco ia tocando. Eu ia ouvindo e ficando cada vez mais surpreso. Como \u00e9 que podia haver algo assim t\u00e3o pop e t\u00e3o experimental (vale lembrar que na \u00e9poca eu j\u00e1 conhecia Hermeto Pascoal, Walter Franco, esses maluquetes da MPB) ao mesmo tempo? O que querem dizer esses ru\u00eddos de fundo? Como assim essa distor\u00e7\u00e3o a\u00ed \u00e9 para dar ritmo \u00e0 m\u00fasica? Como algu\u00e9m conseguia fazer aquilo? Como \u00e9 que ningu\u00e9m me falou desse disco? Ser\u00e1 que existem outros discos como esse? Onde eu encontro essa m\u00fasica? Quem mais faz esse tipo de m\u00fasica? EU TENHO QUE SABER ISSO! EU TENHO QUE CONHECER MAIS! EU TENHO! \u00c9, se eu tive um momento de ilumina\u00e7\u00e3o na minha vida foi esse, e quando o disco fechou com &#8220;Drugs&#8221; eu n\u00e3o era mais a mesma pessoa.<\/p>\n<p>Destaques: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_Kf4p738j80\">Mind<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bGpE2oXf0aE\">Drugs<\/a><\/p>\n<p><strong>Radiohead &#8211; Ok Computer<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Radiohead_-_Ok_Computer.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-232682\" title=\"Radiohead_-_Ok_Computer\" src=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Radiohead_-_Ok_Computer.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Radiohead_-_Ok_Computer.jpg 200w, http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Radiohead_-_Ok_Computer-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>S\u00e3o Leopoldo, 1998. Nessa \u00e9poca eu levava uma vida muito besta: a grana no bolso era pouca e aos 27 anos eu vergonhosamente ainda recebia uma ajuda dos meus velhos para me manter; as op\u00e7\u00f5es de lazer eram poucas; eu n\u00e3o conhecia quase ningu\u00e9m na cidade e as que eu conhecia n\u00e3o estavam l\u00e1 muito melhores na vida do que eu; estava na \u00e9poca terminando a Unisinos, depois de quase 3 anos trancado, e aquelas \u00faltimas cadeiras estavam se arrastando, j\u00e1 que o assunto n\u00e3o me interessava e eu n\u00e3o conhecia nenhum dos meus colegas; e por a\u00ed vai. Era uma \u00e9poca em que eu ficava no MacBar esperando conhecer novas pessoas, j\u00e1 que os amigos que eu havia feito em 1994 j\u00e1 tinham se formado e voltado para as suas cidades. Para ajudar a minha vida sentimental tamb\u00e9m estava horr\u00edvel, e essa foi uma fase em que eu realmente me senti sozinho. O que havia de bom \u00e9 que eu na \u00e9poca morava numa rep\u00fablica, e n\u00e3o mais numa pens\u00e3o, de forma que eu n\u00e3o me encontrava t\u00e3o sozinho assim, e acho que foi isso que me salvou de ficar com depress\u00e3o na \u00e9poca.Outra coisa boa \u00e9 que eu tinha sa\u00eddo novamente de Taquara, depois de ter voltado para a casa dos meus pais e ter morado l\u00e1 durante um ano e meio. E foi nesse per\u00edodo que em um certo dia de outono eu cheguei com o Ok Computer em casa. Juro que n\u00e3o consigo me lembrar de onde e como eu comprei o disco. Lembro que foi uma compra \u00e0s cegas, movido pela lembran\u00e7a de coment\u00e1rios que diziam que aquele tinha sido considerado o melhor disco de 1997. Eu nunca tinha ouvido uma m\u00fasica que fosse do disco, n\u00e3o tinha a menor id\u00e9ia de que banda era aquela, j\u00e1 que na \u00e9poca eu estava completamente alheio ao que estava acontecendo no mundo da m\u00fasica (a \u00fanica coisa que eu acompanhava na \u00e9poca era o <a href=\"http:\/\/www.patofu.com.br\/\">Pato Fu<\/a>&#8230;) e desconhecia completamente o <em><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Shoegazing\">shoegaze<\/a><\/em> (ok, eu conhecia e gostava de Jesus &amp; Mary Chain, mas n\u00e3o acompanhava em nada do que eles estavam fazendo e as bandas que eles influenciaram), acreditando que o mundo tinha sido completamente dominado pelo <em>grunge<\/em> e pelo revival da disco music, onde a Bj\u00f6rk apontava o caminho para o que havia de bom na \u00e9poca. Assim, quando vi o disco numa loja de discos resolvi arriscar e ver o que \u00e9 que tinha ali. Lembro de chegar em casa, colocar o CD para tocar e eu me instalar no colch\u00e3o no ch\u00e3o da sala que servia de sof\u00e1, s\u00f3 me guiando pela luz do poste em frente \u00e0 janela. O tempo era levemente frio como convinha a uma noite de outono e n\u00e3o havia ningu\u00e9m em casa al\u00e9m de mim. Eu nunca fui de prestar aten\u00e7\u00e3o em letra de m\u00fasica, para mim o casal voz e letra \u00e9 mais um instrumento musical que qualquer outra coisa, e mesmo no meu ingl\u00eas prec\u00e1rio sem entender nada do que o Thom Yorke estava cantando eu conseguia saber do que ele estava falando, conseguia ver que ele descrevia perfeitamente aquela fase que eu estava vivendo, e consegui ver que mesmo na tristeza havia uma beleza enorme, que devia ser desfrutada. Foi uma noite estranha aquela, onde eu fiquei v\u00e1rios dias meio chapado com o impacto do que eu havia ouvido, e que acabaram por me tirar da apatia que eu estava.<\/p>\n<p>Destaques: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=d1tQFX_9ct0\">Subterranean Homesick Alien<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qbtZyuOMdHI\">Climbing Up the Walls<\/a><\/p>\n<p><strong>Viana Moog &#8211; Boemia Adolescente Ap\u00f3s os 30<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Viana_Moog_-_Boemia_Adolescente_Apos_Os_30.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-232685\" title=\"Viana_Moog_-_Boemia_Adolescente_Apos_Os_30\" src=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Viana_Moog_-_Boemia_Adolescente_Apos_Os_30.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Viana_Moog_-_Boemia_Adolescente_Apos_Os_30.jpg 200w, http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Viana_Moog_-_Boemia_Adolescente_Apos_Os_30-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>H\u00e1 uma passagem em <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/High_Fidelity_%28novel%29\">High Fidelity<\/a> em que Laura, a namorada do Rob Fleming, est\u00e1 lendo uma lista dos empregos perfeitos que o Rob tinha feito. A op\u00e7\u00e3o que encabe\u00e7ava a lista consistia em ser jornalista da NME Express entre 1976 e 1979, seguido por produtor da <a title=\"Atlantic Records\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atlantic_Records\">Atlantic Records<\/a> entre 1964 e 1971. Basicamente as duas op\u00e7\u00f5es consistiam em ser o cara no emprego certo na \u00e9poca certa no local certo, convivendo com as pessoas certas. Voc\u00ea j\u00e1 imaginou frequentando as festas do CBGB? Pois ent\u00e3o, se Nick Hornby morasse no Rio Grande do Sul nos anos 2000 certamente ele iria acabar escrevendo um livro sobre S\u00e3o Leopoldo. N\u00e3o que a cidade possa ser comparada a Nova Iorque, mas o caso \u00e9 que ali, no come\u00e7o da d\u00e9cada, \u00e9 que havia coisas acontecendo, e em 2001 eu comecei a frequentar o BR-3, local onde praticamente tudo acontecia.\u00a0E o que aconteceu naquele bar (e continuou ainda um pouco depois no Casar\u00e3o) foi incr\u00edvel. V\u00e1rias bandas, zines (s\u00f3 eu participei de dois: O Apanhador e Gordurama), artistas pl\u00e1sticos, todos se encontrando e vivendo um vida intensa, uma TAZ, algo que fugia completamente do marasmo que est\u00e1vamos mergulhados. E a banda que melhor sintetizava o esp\u00edrito daquela \u00e9poca era a Viana Moog com a sua distor\u00e7\u00e3o, sua adora\u00e7\u00e3o a Humberto Efe e suas letras minimalistas. Os shows que eles faziam no BR-3 eram simplesmente incr\u00edveis, loucura espalhada em decib\u00e9is. E esse disco, mesmo com os v\u00e1rios problemas de grava\u00e7\u00e3o que ele tem e que acabam por esconder a for\u00e7a da banda, \u00e9 o melhor registro do esp\u00edrito dessa \u00e9poca. A \u00e9poca certa no local certo que eu vivi.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/viana-moog-no-br3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-232708\" title=\"viana moog no br3\" src=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/viana-moog-no-br3.jpg\" alt=\"\" width=\"573\" height=\"640\" srcset=\"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/viana-moog-no-br3.jpg 573w, http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/viana-moog-no-br3-268x300.jpg 268w\" sizes=\"(max-width: 573px) 100vw, 573px\" \/><\/a>Destaques: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cilydlQov2s\">Totalmente Alien<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qdr1W01tO5Y\">Virna Lisi<\/a><\/p>\n<p>Link para download dos MP3s das m\u00fasicas: <a href=\"http:\/\/www.2shared.com\/file\/DuFuDEjN\/5_Discos_da_Vida_-_Charles_Pil.html\">2shared<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse post teve origem na Poplist, onde os membros da lista est\u00e3o postando, cada um, os cinco discos mais representativos na sua vida. 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