{"id":33,"date":"2001-02-17T23:05:00","date_gmt":"2001-02-18T02:05:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2014-03-25T16:52:12","modified_gmt":"2014-03-25T19:52:12","slug":"flechas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/33","title":{"rendered":"Flechas contra o tempo"},"content":{"rendered":"<p>Eletista, de extrema direita, eis algumas defini\u00e7\u00f5es que eu j\u00e1 ouvi sobre Janer Cristaldo, jornalista ga\u00facho que h\u00e1 alguns anos &#8220;sofre S\u00e3o Paulo&#8221;, como ele mesmo diz. Eu, que gosto de acompanhar semanalmente sua coluna no <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/*\/http:\/\/www.baguete.com.br\/cristal\/cristal.asp\" target=\"_top\">Baguete Di\u00e1rio<\/a>, vejo ele como um daqueles velhos humanistas, que n\u00e3o querem saber se o governo (ou desgoverno, no caso) \u00e9 de direita ou de esquerda, mas sim se o homem, e a sua liberdade de pensar e opinar, est\u00e3o sendo atingidos. E eis que o homem acaba de lan\u00e7ar uma colet\u00e2nea, chamada <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/*\/http:\/\/www.rocket-library.com\/pickup.asp?url=ebook%3Aguid%2D8C426DF7FC7411D488FA0090274EA073&amp;format=RocketEdition\">Flechas contra o vento<\/a> com as suas cr\u00f4nicas, no formato <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/*\/http:\/\/www.rocket-ebook.com\/eRocket\/erktinstall.exe\">eBook<\/a>. Vai a\u00ed uma palhinha do que tem por l\u00e1:<\/p>\n<blockquote><p>Em julho de 1979, quando presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC paulista, o l\u00edder petista Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva deu uma entrevista \u00e0 Playboy, na qual citou Hitler e Khomeiny como duas figuras pol\u00edticas pelas quais nutria admira\u00e7\u00e3o. O ent\u00e3o sindicalista elogiou a &#8220;disposi\u00e7\u00e3o, for\u00e7a e dedica\u00e7\u00e3o&#8221; de Hitler e afirmou: &#8220;O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer&#8221;. Durante tr\u00eas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, foi o candidato mais votado das oposi\u00e7\u00f5es, sem que nenhum l\u00edder &#8211; europeu ou c\u00e1 de baixo &#8211; se preocupasse com esta sincera admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lula, que se saiba, jamais nutriu maiores afetos por tiranos menores, como Pinochet, Galtieri ou Stroessner. Mas gostava tamb\u00e9m do aiatol\u00e1 iraniano, &#8220;Eu n\u00e3o conhe\u00e7o muita coisa sobre o Ir\u00e3, mas a for\u00e7a que o Khomeini mostrou, a determina\u00e7\u00e3o de acabar com aquele regime do x\u00e1 foi um neg\u00f3cio s\u00e9rio&#8221;.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>Se Jo\u00e3o Paulo acredita em Deus, n\u00e3o deve ser no mesmo que nos mostra a B\u00edblia. Jeov\u00e1 regulamenta a escravid\u00e3o e ordena massacres, guerras de exterm\u00ednio, sacrif\u00edcios cruentos de crian\u00e7as. Nestes dias em que, num estupro \u00e0 sem\u00e2ntica, at\u00e9 Pinochet \u00e9 acusado de genoc\u00eddio, o deus judaico-crist\u00e3o \u00e9 o primeiro respons\u00e1vel na hist\u00f3ria por uma matan\u00e7a das boas. Diante da ira divina, os bombardeios de Clinton \u00e0 Iugosl\u00e1via s\u00e3o obra de aprendiz de genocida. Irritado com a humanidade pecadora, Jeov\u00e1 inunda a terra toda e mata todo ser vivo, salvando apenas No\u00e9, sua fam\u00edlia e um casal de cada esp\u00e9cie viva. Pelos pecados humanos, pagaram at\u00e9 as bestas. Quem mata um \u00e9 assassino, quem mata milh\u00f5es \u00e9 conquistador, quem mata todos \u00e9 Deus &#8211; costumava dizer Jean Rostand.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o \u00e9 raro que uma adolescente, filha de \u00e1rabes, vivendo em Paris, estudando em Paris com suas amiguinhas francesas, tenha de abandonar a escola para casar com um primo a quem fora vendida ao nascer. Ou que, por ordem dos pais, esta menina insista em freq\u00fcentar uma escola laica com um v\u00e9u cobrindo o rosto. Ou, como tamb\u00e9m acontece, surge aquele dia entre os dias em que uma sage femme chega em um v\u00f4o da Arg\u00e9lia, munida de uma navalha ou cacos de vidro, para executar o trabalho infame que os m\u00e9dicos franceses n\u00e3o aceitam executar. No pa\u00eds em que as mulheres alcan\u00e7aram um invej\u00e1vel grau de independ\u00eancia pessoal e profissional, uma menina, pelo fato de pertencer a uma cultura mu\u00e7ulmana, \u00e9 tratada como mercadoria e sexualmente mutilada&#8230; s\u00f3 porque uma tradi\u00e7\u00e3o de brutos do deserto assim o quer.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>Quando ou\u00e7o falar em cultura ind\u00edgena, puxo do coldre a Hist\u00f3ria. Se me debru\u00e7o sobre a R\u00fassia, por exemplo, l\u00e1 vou beber em fontes como Dostoievski, Kuprin, Scriabin, Eisenstein. Se me viro para a Su\u00e9cia, l\u00e1 est\u00e3o Lin\u00e9, Lagerl\u00f6f, Lagerkvist, Boye, Bellmann, Bergman, Taube. Se rumo \u00e0 Finl\u00e2ndia, encontro Sibelius, Alvar Aalto, o Kalevala, a Nokia, etc. Se volto pela Alemanha, l\u00e1 est\u00e3o Goethe, Schliemann, Nietzsche, Einstein. Viro rumo \u00e0 &#8220;nazista&#8221; \u00c1ustria, l\u00e1 me esperam Mozart, Freud, Klimt, Koestler. Na Fran\u00e7a, tenho desde Rabellais a Balzac, Rodin ou Bizet, Concorde ou camembert. A Espanha deu ao mundo Cervantes, Cela, Goya, Gaudi, Dali, Picasso, flamenco, cante hondo.<\/p>\n<p>Da It\u00e1lia, nem se fala: Dante, Da Vinci, Rafael, Verdi, Vivaldi, Papini, Puccini, Fellini, spaghetti, Sofia Loren. O festival \u00e9 tamanho que l\u00e1 se origina a chamada s\u00edndrome de Stendhal, a crise que acomete todo viajante sens\u00edvel perturbado com as manifesta\u00e7\u00f5es da arte. Da Gr\u00e9cia, posso trazer um farto legado, que vem de S\u00f3crates e Plat\u00e3o a Kazantzakis, passando por Theodorakis ou Costa Gavras. Mesmo o modesto Portugal, me oferece desde E\u00e7a e Pessoa, fados e caravelas, Porto e ginja. Isso sem contar as Notre Dames da vida, os Schonbruns, Versailles, Neuschwansteins e Hermitages. J\u00e1 nem falo das cidades em si, festas que deslumbram o viajante, nem das arquiteturas, universidades, bibliotecas, museus, tecnologias, transportes, vinhos e queijos, cozinhas.<\/p>\n<p>S\u00e3o estas conquistas humanas que me fascinam, e nisto n\u00e3o estou sendo nada original. Volto-me ent\u00e3o para o universo ind\u00edgena brasileiro. Onde encontrar algo que possa deslumbrar algu\u00e9m, servir como emula\u00e7\u00e3o ou exemplo para gera\u00e7\u00f5es futuras?<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p><\/blockquote>\n<p>Como se pode ver, o homem merece realmente uma lida, nem que seja para se discordar dele.<\/p>\n<p>Mas falando de weblogs&#8230; <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/*\/http:\/\/www.antropomorphica.com\" target=\"_top\">Nimpha<\/a>, da lista <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/*\/http:\/\/www.topica.com\/lists\/breinstormi\/\" target=\"_top\">Breinstormi<\/a>. Uma p\u00e9rola, assim como a sua antiga weblog, a <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/*\/http:\/\/www.duhast.org\" target=\"_top\">Du Hast<\/a>.<\/p>\n<p>E nada do <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/*\/http:\/\/www3.nameplanet.com\/notices\/notice.html\" target=\"_top\">www.charles.pilger.net<\/a> voltar&#8230; \ud83d\ude1b J\u00e1 passamos de <b>friday<\/b> e nada&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eletista, de extrema direita, eis algumas defini\u00e7\u00f5es que eu j\u00e1 ouvi sobre Janer Cristaldo, jornalista ga\u00facho que h\u00e1 alguns anos &#8220;sofre S\u00e3o Paulo&#8221;, como ele mesmo diz. 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