{"id":5,"date":"2001-01-07T17:30:00","date_gmt":"2001-01-07T20:30:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2014-03-25T15:13:29","modified_gmt":"2014-03-25T18:13:29","slug":"estupro_emocional","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/5","title":{"rendered":"Estupro emocional"},"content":{"rendered":"<p>Ontem assisti ao filme <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/*\/http:\/\/dancerinthedark.com\/\">Dan\u00e7ando no Escuro &#8211; Dancer in the Dark<\/a>, vencedor da Palma de Ouro do festival de Cannes ano passado e que neste fim de semana finalmente teve a sua pr\u00e9-estr\u00e9ia aqui no Rio Grande do Sul. Confesso que na primeira metade do filme eu me segurei para n\u00e3o levantar da cadeira e ir embora, mas fui ficando, tanto para ver at\u00e9 onde \u00e9 que a hist\u00f3ria chegava como por ser f\u00e3 da cantora islandesa Bj\u00f6rk (que faz Selma, a anti-hero\u00edna do filme). Fiquei e o resultado foi compensador, apesar de ter sido um leg\u00edtimo estupro emocional. Para quem nunca ouviu falar do filme \u00e9 o seguinte: durante a d\u00e9cada de 50, Selma, imigrante tcheca que vive nos Estados Unidos est\u00e1 perdendo de forma acelerada a vis\u00e3o, devido a uma doen\u00e7a cong\u00eanita, doen\u00e7a essa que afeta ao seu filho tamb\u00e9m. Inclusive ela emigrou para os Estados Unidos em busca de cura para ele e trabalha feito uma louca para guardar dinheiro para pagar a opera\u00e7\u00e3o que evitar\u00e1 que seu filho fique cego. Para suportar a dura vida que leva, ela divaga constantemente, imaginando que est\u00e1 num musical, que \u00e9 um lugar onde nada de ruim acontece. Inclusive o filme \u00e9 um musical, mas um musical pobre, com coreografias simpl\u00f3rias nos mesmos moldes dos filmes musicais que Selma via no bloco comunista, quase deprimentes. Ali\u00e1s, quase n\u00e3o: s\u00e3o deprimentes, j\u00e1 que a medida que a hist\u00f3ria se desenrola e a saga de horrores pela qual Selma passa vai se desenrolando, menos ela consegue divagar de forma alegre, e isso vai se refletindo na imagina\u00e7\u00e3o dela, at\u00e9 chegarmos na can\u00e7\u00e3o final ao filho, que como <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/*\/www.dancerinthedark.de\/dancer_nexttolast.html\">a pr\u00f3pria letra diz<\/a>, dispensa violinos. Nessa hora eu confesso que me derreti em l\u00e1grimas (odeio quando isso acontece), assim como boa parte do pessoal que estava no cinema. Ali\u00e1s, o filme \u00e9 uma grande manipula\u00e7\u00e3o visando tal catarse. Tenho que tirar o chap\u00e9u pro diretor Lars Von Triers: ele sabe conduzir uma hist\u00f3ria e mexer com os seus sentimentos. N\u00e3o \u00e9 a toa que h\u00e1 quem esteja odiando esse filme. Eu gostei.<\/p>\n<p>Ah, e quanto a Bj\u00f6rk interpretando eu n\u00e3o sou o mais indicado para falar. Como j\u00e1 sou f\u00e3 dela o meu julgamento \u00e9 no m\u00ednimo suspeito. Mas digamos assim: a Palma de Ouro em Cannes como melhor atriz \u00e9 plenamente justific\u00e1vel. Ali\u00e1s, uma coisa comum de ler nas cr\u00edticas \u00e9 que esse foi o primeiro filme em que ela participou. Na verdade ela j\u00e1 havia estrelado os filmes <em>The Juniper Tree<\/em> (produ\u00e7\u00e3o islandesa em ingl\u00eas, de 1987) e <em>Glerbrot<\/em> (outra produ\u00e7\u00e3o islandesa, tamb\u00e9m de 87, mas para a TV ) e feito um pequeno ponta no filmes <em>Pr\u00eat-\u00e0-Porter<\/em>, de Robert Altman (em 1994). Mas, enfim, a incompet\u00eancia da cr\u00edtica brasileira n\u00e3o me surpreende muito&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem assisti ao filme Dan\u00e7ando no Escuro &#8211; Dancer in the Dark, vencedor da Palma de Ouro do festival de Cannes ano passado e que neste fim de semana finalmente teve a sua pr\u00e9-estr\u00e9ia aqui no Rio Grande do Sul. Confesso que na primeira metade do filme eu me segurei para n\u00e3o levantar da cadeira [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":232917,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5\/revisions\/232917"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}