{"id":758,"date":"2002-05-05T23:29:19","date_gmt":"2002-05-06T02:29:19","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T03:00:00","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/758","title":{"rendered":"Software Livre 2002 &#8211; Parte final"},"content":{"rendered":"<p>Ent\u00e3o vamos concluir os relatos sobre o <a href=\\\"http:\/\/www.softwarelivre.rs.gov.br\/forum\\\">F\u00f3rum Internacional Software Livre 2002<\/a>:<\/p>\n<p>Sexta-feira de noite dei uma olhada no encontro nacional dos desenvolvedores e usu\u00e1rios do Debian GNU\/Linux. \u00c9 impressionante a organiza\u00e7\u00e3o desse pessoal, compreendendo-se como essa distribui\u00e7\u00e3o, totalmente feita por volunt\u00e1rios, apresenta uma qualidade t\u00e3o grande. O que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que para ser um desenvolvedor Debian n\u00e3o basta ter vontade, mas tem que ser aceito como um desenvolvedor. Para isso h\u00e1 duas provas, uma para ver se a pessoa tem condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, e outra para ver se a pessoa compreendeu perfeitamente o c\u00f3digo de \u00e9tica do grupo e toda a filosofia por tr\u00e1s do projeto. Interessante foi ver que bons desenvolvedores j\u00e1 foram dispensados por n\u00e3o compreenderem as motiva\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s do trabalho do grupo. Perde-se assim uma pessoa tecnicamente qualificada, mas que no futuro poderia gerar problemas para o trabalho como um todo. \u00c9 a primeira vez que vejo um trabalho colaborativo em software livre ter uma linha administrativa t\u00e3o s\u00e9ria.<\/p>\n<p>Logo em seguida foi a sess\u00e3o <b>Como organizar Grupos de Usu\u00e1rios<\/b>. Como presidente (pr\u00e1 la\\&#8217;de atrapalhado, diga-se de passagem) do grupo <a href=\\\"http:\/\/www.portolivre.org\\\">Porto Livre<\/a> acabei subindo no palco, onde eu expliquei como <b>n\u00e3o<\/b> organizar um grupo. N\u00e3o que o Porto Livre seja ruim, nada disso. \u00c9 s\u00f3 que do jeito que ele est\u00e1 est\u00e1 mais para uma lista de discuss\u00e3o, <a href=\\\"http:\/\/charles.pilger.com.br\/?p=751\\\">como j\u00e1 foi colocado antes<\/a>, do que para um grupo de usu\u00e1rios. Conversando com a V\u00e2nia, da Conetctiva de Porto Alegre, fiquei sabendo que a Sucesu est\u00e1 procurando um grupo de usu\u00e1rios para trabalhar com eles. Acho que esse pode ser o caminho para o grupo crescer&#8230; O Binhara, da <a href=\\\"http:\/\/www.opensystem.org.br\\\">OpenSystem<\/a>, j\u00e1 tinha falado que esse era o melhor jeito, mas decidimos no grupo fazer algo mais independente. E s\u00f3 o fato de termos espa\u00e7o no f\u00f3rum para colocarmos um estande com o nosso material e n\u00e3o termos aproveitado isso mostra que a coisa n\u00e3o est\u00e1 dando certo. <\/p>\n<p>Quanto aos demais grupos, o que chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o da <a href=\\\"http:\/\/www.opensystem.org.br\\\">OpenSystem<\/a>, pela organiza\u00e7\u00e3o, o <a href=\\\"http:\/\/www.quilombodigital.org\/\\\">Quilombo Digital<\/a>, pela proposta de uso \u00e9tico da inform\u00e1tica, e o das <a href=\\\"http:\/\/www.univates.br\/gnurias\/\\\">GNUrias<\/a>, n\u00e3o s\u00f3 pela beleza delas \ud83d\ude09 mas pelo tipo de trabalho que est\u00e3o fazendo, de carater mais social, levando o Linux para mais pessoas atrav\u00e9s de palestras e cursos. Ali\u00e1s, falando em beleza o F\u00f3rum teve a sua musa: Carol, que trabalhava na organiza\u00e7\u00e3o do evento, mais especificamente na sala 41E, justo a que estavam as sess\u00f5es sobre seguran\u00e7a de dados (logo, estavam sempre lotadas). Era ela passar para os homens presentes (99% do p\u00fablico do evento) prenderem a respira\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, fiquei sabendo que teve uma hora que ela subiu no palco para ajeitar alguns banners ali em cima e a galera come\u00e7ou a aplaudir ela. \u00d4 bando de tarados \ud83d\ude09<\/p>\n<p>S\u00e1bado de manh\u00e3 fui assistir \u00e0 sess\u00e3o <b>IBM &#038; Linux: a estrat\u00e9gia de Software &#038; Linux para grandes corpora\u00e7\u00f5es<\/b>. Desde que a IBM come\u00e7ou a participar do Apache Group eu meio que acompanho o que eles est\u00e3o fazendo, mas mesmo assim me surpreendi. A IBM realmente abra\u00e7ou o software livre, a ponto de gastar o seu rico dinheirinho n\u00e3o s\u00f3 em publicidade, mas tornando ferramentas dele software livre. Sim, a IBM est\u00e1 gastando dinheiro para pegar seu software e liber\u00e1-lo. Um exemplo \u00e9 o <a href=\\\"http:\/www.eclipse.org\\\">Eclipse<\/a>, uma IDE extens\u00edvel. A empresa gastou nada mais nada menos que 40 milh\u00f5es de d\u00f3lares para pagar todas as licen\u00e7as envolvidas no programa e torn\u00e1-las open-source. E antes que algu\u00e9m diga que isso \u00e9 jogar dinheiro fora, eles mesmo falaram que todo o investimento feito com Linux e software livre no primeiro ano ap\u00f3s eles \\&#8221;abra\u00e7arem\\&#8221; a causa j\u00e1 retornou, seja em forma de parcerias, seja em troca de conhecimento, seja na venda de novos produtos, como a linha de mainframes deles, que simplesmente ressuscitou. Entre os cases de usu\u00e1rios de linux em mainframes h\u00e1 v\u00e1rios bancos, que est\u00e3o usando o sistema para outras coisas que v\u00e3o al\u00e9m de caixas eletr\u00f4nicos. O pessoal s\u00f3 n\u00e3o deu o nome dos bancos por quest\u00f5es de contrato, mas avisaram: a economia que esses bancos est\u00e3o tendo \u00e9 coisa de milh\u00f5es de d\u00f3lares <b>mensais<\/b>. Outra coisa interessante \u00e9 a analogia do porque abra\u00e7ar software livre que eles falaram na palestra: Voc\u00ea namoraria algu\u00e9m que esconde algo de voc\u00ea? Bem, se a resposta \u00e9 n\u00e3o, porque fazer a sua empresa se casar com outra que tem solu\u00e7\u00f5es propriet\u00e1rias?<\/p>\n<p>Fui tamb\u00e9m assistir  a apresenta\u00e7\u00e3o <b>Software livre nas estatais federais<\/b>, mas n\u00e3o aguentei olhar nem o primeiro relato e sa\u00ed. Valeu a pena, pois fiquei no corredor com um pessoal que trabalha como o governo de estado e que est\u00e1 indignado com o fato de que h\u00e1 muito mais propaganda na ado\u00e7\u00e3o dos projetos estaduais do que \u00e9 realmente verdade. Bem, que a Rede Escolar Livre est\u00e1 engatinhando isso \u00e9 fato admitido pelo pessoal. O ruim \u00e9 saber que em v\u00e1rias inst\u00e2ncias da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica a Procempa n\u00e3o libera a instala\u00e7\u00e3o do linux nem em dual boot, quanto mais como sendo o sistema operacional \u00fanico da m\u00e1quina, al\u00e9m do que tem muita coisa feito pelo PT de Porto Alegre (via Procempa) e pelo PT do estado (via Procergs) que roda unicamente em Windows. Levando em conta que quem me contou isso \u00e9 um consultor que trabalha com as duas empresas, \u00e9 de se preocupar&#8230;<\/p>\n<p>A tarde fui ver a palestra do Larry Wall, <b>The PERL Language by it\\&#8217;s creator<\/b>. Eu sabia que haveriam algumas modifica\u00e7\u00f5es no Perl 6 em rela\u00e7\u00e3o ao Perl 5, s\u00f3 n\u00e3o esperava que fosse tudo! Simplesmente o Larry Wall resolveu reinventar a linguagem, simplificando-a e acrescentando novas caracter\u00edsticas. Pelo que deu para ver na apresenta\u00e7\u00e3o muitas das mudan\u00e7as realmente s\u00e3o para melhor, contudo me preocupa uma mudan\u00e7a t\u00e3o grande. Ok, ele disse que n\u00e3o houve preocupa\u00e7\u00e3o com compatibilidade com vers\u00f5es anteriores mas que se criou um tradutor, para portar as antigas aplica\u00e7\u00f5es para a nova vers\u00e3o, mas mesmo assim se sabe que n\u00e3o existe tradutor perfeito. De qualquer maneira d\u00e1 para dizer: o Perl vai ficar com uma sintaxe mais clara, de forma que vai ficar mais f\u00e1cil de programar. <\/p>\n<p>E quanto ao Jon \\&#8221;maddog\\&#8221; Hall e o <b>The Future os GNU\/Linux<\/b>. N\u00e3o sei dizer, j\u00e1 que resolvi n\u00e3o assistir. Fiquei do lado de fora da palestra, que mais parecia uma partida de futebol, de tanto aplauso e grito de \u00ea\u00ea\u00ea\u00ea\u00ca\u00ca\u00ca!!! Assim, fiquei trocando umas id\u00e9ias bem interessantes com o pessoal da <a href=\\\"http:\/\/www.apoenasoftwarelivre.com.br\/i\\\">Apoena Software Livre<\/a>, que me contou o que \u00e9 a aventura de se desenvolver software livre e tentar viver disso. \u00c9 interessante que eles acharam uma solu\u00e7\u00e3o bem interessante para sobreviverem: eles s\u00e3o uma software house, certo? Certo. Ent\u00e3o o que eles est\u00e3o fazendo \u00e9 desenvolver software para os clientes deles e depois que o mesmo est\u00e1 pronto o c\u00f3digo-fonte \u00e9 fornecido junto, deixando por conta da empresa contratante a iniciativa de distribuir ou n\u00e3o o c\u00f3digo para outras pessoas. Um dos clientes da Apoena \u00e9 o SUS de Campinas. Num projeto feito em conjunto com a IMA &#8211; Inform\u00e1tica de Munic\u00edpios Associados, o Departamento de Informatiza\u00e7\u00e3o da Prefeitura de Campinas e a Secretaria Municipal de Sa\u00fade de Campinas, foi desenvolvido o SOL &#8211; Sa\u00fade On Line, otimizando assim o atendimento a consultas. O sistema foi desenvolvido pela Apoena, e foi dada a op\u00e7\u00e3o para a prefeitura de Campinas fazer a distribui\u00e7\u00e3o. Segundo o pessoal da Apoena, eles querem pegar esse sistema e realmente distribu\u00ed-lo. Ali\u00e1s, algu\u00e9m pode se perguntar: mas se eles tivessem resolvido n\u00e3o distribuir o sistema, isso n\u00e3o seria anti-\u00e9tico, contra os princ\u00edpios da GPL? A resposta \u00e9 <b>n\u00e3o<\/b>. O problema seria se a Apoena fizesse o software e resolvesse n\u00e3o entregar o c\u00f3digo fonte para a Prefeitura de Campinas. Isso sim quebraria os princ\u00edpios do software livre. Uma empresa trabalhar sob esses princ\u00edpios n\u00e3o implica que todo e qualquer software que ele fizer tem que ser colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em geral, mas sim que os seus clientes tem acesso total e irrestrito ao c\u00f3digo do sistema para ele desenvolvido.<\/p>\n<p>Bem, com isso acabou a minha participa\u00e7\u00e3o nesse f\u00f3rum. Valeu a troca de experi\u00eancias, o fato de conhecer gente nova, casos de sucesso (e principalmente de fracassos, que s\u00e3o muito importantes para saber como n\u00e3o fazer), al\u00e9m de ver que o n\u00famero de gravatas no evento aumentou consideravelmente, o que mostra que o Linux e o software livre em geral est\u00e1 deixando de ser uma coisa de universit\u00e1rios malucos para efetivamente se tornar uma ferramente de neg\u00f3cios e para a sociedade. Ufa!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ent\u00e3o vamos concluir os relatos sobre o F\u00f3rum Internacional Software Livre 2002: Sexta-feira de noite dei uma olhada no encontro nacional dos desenvolvedores e usu\u00e1rios do Debian GNU\/Linux. \u00c9 impressionante a organiza\u00e7\u00e3o desse pessoal, compreendendo-se como essa distribui\u00e7\u00e3o, totalmente feita por volunt\u00e1rios, apresenta uma qualidade t\u00e3o grande. 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