{"id":93,"date":"2001-04-22T22:10:00","date_gmt":"2001-04-23T01:10:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2014-03-26T20:11:42","modified_gmt":"2014-03-26T23:11:42","slug":"marina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/archives\/93","title":{"rendered":":.(&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 dificil dizer o que eu sinto&#8230; De todos os anivers\u00e1rios que j\u00e1 tive na minha vida, o de ontem foi o pior, com o pior presente que se poderia ganhar: o falecimento de uma amiga. O meu dia foi tranquilo, at\u00e9 que as 18h20 eu recebi uma chamada de um tal de Aldir, Adair, n\u00e3o consegui pegar o nome direito, dizendo que ele tinha pegado o n\u00famero do meu celular no telefone de <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/*\/http:\/\/www.portolivre.org\/marina\/\">Marina Simon Becker<\/a> e que ela tinha se acidentado em Sapiranga ao praticar p\u00e1ra-quedismo, e perguntando se eu podia entrar em contato com a fam\u00edlia e dizer que eles precisavam ir com urg\u00eancia no Plant\u00e3o 24 Horas da Secretaria Municipal de Sa\u00fade de Sapiranga. Eu, a princ\u00edpio, pensei que era uma piada de humor negro, uma pegadinha de anivers\u00e1rio muito das sacanas, mas mesmo assim tentei entrar em contato com a fam\u00edlia. Na primeira tentativa n\u00e3o tive sucesso, j\u00e1 que o telefone tocava e ningu\u00e9m atendia. Tentei novamente alguns minutos depois e a\u00ed ent\u00e3o consegui entrar em contato com a fam\u00edlia, dizendo para a Dona Magda que a filha dela tinha sido hospitalizada. Ela ent\u00e3o contou que a Marina tinha sa\u00eddo como o carro da fam\u00edlia e que n\u00e3o tinha como ir at\u00e9 Sapiranga antes do marido dela chegar. Assim sendo, como est\u00e1vamos em Taquara, que fica a uns 15 minutos da cidade, fomos eu e a minha namorada <!-- M\u00e1rcia --> at\u00e9 l\u00e1 para ver no que poder\u00edamos ajudar. Quando chegamos no hospital \u00e9 que ficamos sabendo na verdade ela havia falecido. Ela estava descendo de p\u00e1ra-quedas quando ela caiu num fio de luz e foi eletrocutada.<\/p>\n<p>Sabe, na hora veio o baque, a dor de saber que eu havia perdido uma amiga, uma grande amiga, com quem compartilhei muitas alegrias e com quem vivi momentos \u00fanicos. Contudo, \u00e9ramos s\u00f3 eu e a minha namorada <!-- M\u00e1rcia --> ali, sem que houvesse uma pessoa qualquer que pudesse nos dar maiores detalhes: n\u00e3o havia ningu\u00e9m do Aeroclube, bem como os companheiros que estavam com ela. Assim, cabia a mim entrar em contato com a fam\u00edlia e dar a not\u00edcia. Respirei fundo, joguei a minha tristeza para o lado e fui em frente. Dei a not\u00edcia do \u00f3bito para a Priscila, a prima da Marina, que por sua vez iria falar pra Dona Magda. Pouco depois, o pai da Marina (que estava em outro lugar, n\u00e3o na casa dele) me ligou para confirmar se era mesmo verdade o que havia acontecido. Sabe, essa \u00e9 uma tarefa que eu n\u00e3o desejo nem para o meu maior inimigo: dizer para um pai &#8220;Sim, \u00e9 verdade. Sua filha est\u00e1 morta.&#8221; Doeu, doeu muito falar aquilo. Doeu imaginar o rosto do seu Becker do outro lado da linha. Doeu ouvir a respira\u00e7\u00e3o dele parar um instante, antes dele dizer um &#8220;Obrigado&#8221; quase apagado e desligar o telefone.<\/p>\n<p>L\u00e1 pelas 21h os pais da Marina finalmente conseguiram chegaram em Sapiranga. A essas alturas o pessoal do Aeroclube j\u00e1 havia aparecido (na verdade ap\u00f3s levarem a Marina para o plant\u00e3o eles tinham voltado pro campo de pouso para buscar o carro dela) e contado melhor o que havia acontecido, que tinha sido o primeiro salto dela, que nesse caso ou se pula com duas pessoas acompanhando ou se prende o p\u00e1ra-quedas no avi\u00e3o e este abre ao se pular (a op\u00e7\u00e3o que a Marina escolheu foi essa), que ela estava j\u00e1 a uns 10 metros do solo quando o vento levou ela para os fios, como ela foi resgatada (j\u00e1 que ela ficou pendurada nos fios fizeram uma pir\u00e2mide humana para tir\u00e1-la) e como os companheiros dela haviam simplesmente sumido (a \u00faltima coisa que o cara do Aero-clube lembra era ter ouvido eles conversando &#8220;Temos que ligar! Temos que ligar!&#8221; e terem ido embora. No tempo todo que estivemos l\u00e1 nenhum dos companheiros dela deu as caras para esperar a fam\u00edlia. Revoltante, simplesmente revoltante). Foi nessa hora que fui ver o corpo, acompanhando a m\u00e3e da Marina. Na verdade eu n\u00e3o queria, j\u00e1 que sempre que posso procuro evitar no vel\u00f3rio de ver a pessoa para me lembrar dela viva, mas a Dona Magda pediu para eu acompanh\u00e1-la e n\u00e3o podia me furtar dessa tarefa. Triste, realmente triste, e mais triste ainda saber que o filho da Marina ainda n\u00e3o sabia que a m\u00e3e estava n\u00e3o somente mal&#8230;<\/p>\n<p>Bem, com a fam\u00edlia por l\u00e1, n\u00e3o havia muito o que eu poderia fazer. Fui para a casa dos meus pais, onde eles estavam me esperando para me dar os parab\u00e9ns pelos meus 30 anos, e me dar apoio pela perda da minha amiga&#8230; E dessa trag\u00e9dia toda, n\u00e3o posso deixar de mencionar a mulher incr\u00edvel que \u00e9 a minha namorada <!-- Marcia-->, que ficou ali do meu lado o tempo todo, me dando for\u00e7as e me ajudando, seja indo para Sapiranga ontem, seja indo comigo no vel\u00f3rio da Marina hoje. Sem ela, acho que eu n\u00e3o teria conseguido segurar a barra e ter ajudado aos pais da minha amiga, que tantas e tantas vezes me receberam bem na casa deles. Muito obrigado<!--, M\u00e1rcia-->. Muito obrigado mesmo. N\u00e3o \u00e9 a toa que eu te amo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 dificil dizer o que eu sinto&#8230; De todos os anivers\u00e1rios que j\u00e1 tive na minha vida, o de ontem foi o pior, com o pior presente que se poderia ganhar: o falecimento de uma amiga. O meu dia foi tranquilo, at\u00e9 que as 18h20 eu recebi uma chamada de um tal de Aldir, Adair, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":233065,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93\/revisions\/233065"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.charles.pilger.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}