Fim de semana longo

A grande vantagem de se trabalhar numa universidade é que volta e meia tem uns feriadões. No caso, em vez de termos uma semana com duas segundas-feiras por conta do dia do professor na quarta-feira tivemos um feriadão, com a folga sendo transferida para a sexta. Assim sendo sexta-feira fiquei em casa, descansando. Mama mia! Como eu estava precisando disso! Não sei o que está havendo, mas nos últimos tempos parece que as coisas tem andado mais pesadas. E quando falo coisas falo de tudo: trabalho, projetos, tudo. Um exemplo disso é esse maldito artigo sobre Curitiba que nunca sai… Mas enfim, acho que era só cansaço. Talvez.

Assim, quinta-feira cheguei em casa e puff, me afundei na cama, e na cama fiquei a maior parte do tempo nesses três dias. Ficar na cama de dia, aliás, porque de noite saí para ver amigos e fazer festa. Sexta-feira fui primeiro para Novo Hamburgo ver o Cidade, o Mac, o Tisco, as Caróis e mais uns conhecidos do pessoal. Dali viemos para São Leopoldo eu e as Caróis no carro de uns amigos delas. Como não tinha nada para se fazer aqui se mandamos para Porto Alegre. Senhoras e senhores, que fique registrado que conseguimos ficar umas duas horas dentro daquele carro, sem se decidir aonde ir, dando voltas e mais voltas. Acabamos indo no PsicoArte, na Lima e Silva. Lugar legal, onde encontrei o Vitor Hugo Varela, um dos caras mais inteligentes que eu conheço. Ele conseguiu me surpreender dizendo que era eternamente grato a mim por ter apresentado para ele o Fear of Music do Talking Heads, além de ter emprestado várias coisas de MPB para ele. Tu vê…

No sábado fiquei aqui em São Leopoldo mesmo. Fui lá no Andar de Cima mas não cheguei a entrar, já que tava rolando uma banda \”gótica\”, e sinceramente esse não era o som que eu estava a fim de ouvir. Fiquei então horas conversando com o Zack, o Korn e a Jana. Essa garotada de São Leopoldo é legal 🙂

E no domingo? Nada de mais… Fiquei de bobeira o dia todo em casa e só saí para ir em Novo Hamburgo, onde encontrei o Diego e a Maju. Comemos pizzas no Habbib\’s (preços bons mas péssimo atendimento, além do que os pratos estavam sujos tsk tsk tsk…) e ficamos batendo papo. Foi o fechamento perfeito para o fim de semana!

E com licença que vou dormir. Afinal estamos no horário de verão, e com isso chegar no horário no trabalho vai ser algo sofrido 😕 Sim, eu odeio o horário de verão. Aliás eu odeio o verão! Será que alguém da Patagônia precisa de um webmaster/webdeveloper?

Mas o que diabos é o ISRC?

Pois bem, fui ver o que é o ISRC e aqui vai o resumo do que eu achei:

O ISRC (International Standard Recording Code) é um código padrão internacional de gravação que age como um identificador básico das gravações fonográficas. Tem 12 caracteres dividido em 4 elementos representando: o país (2 dígitos), o primeiro proprietário da gravação (3 dígitos), ano de gravação (2 dígitos), e um seqüencial (5 dígitos). Por exemplo: caso o código ISRC fosse BRA0001000001 ele seria quebrado da seguinte maneira [BR][A00][01][000001], onde [BR] é o país, [A00] é o código do primeiro proprietário (repare que são apenas 3 caracteres, o que restringe drasticamente o número de proprietários – ou seja: se ratear logo logo não tem mais como se registrar como proprietário), [01] é o ano (apenas dois dígitos para o ano? putz! Já dá para sentir que lá em 2086 vão inventar um novo código por conta dessa limitação aí) e [000001] é um número seqüencial designando a música.

O ISRC é fixado no fonograma (ou no videofonograma) pelo produtor durante o estágio da pré-masterização. É de responsabilidade somente de cada produtora designar o código ISRC às gravações. O código ISRC deve ser fixado a cada única gravação. Nos casos onde existe um número de mixes ou edições de uma gravação, cada edição ou mix deve ser fixada com seu próprio ISRC. O ISRC fixado a uma gravação ficará com ela por toda a vida, e não poderá ser trocado. Por exemplo, uma gravação pode ser incluída em diferentes lançamentos, como um single, um LP, CD e CD-ROM, seja de obras novas ou de uma compilação – o ISRC deverá ser o mesmo em cada caso. Do mesmo jeito, se uma gravação é vendida a outra produtora, esta irá permanecer com seu ISRC; o novo proprietário não deve fixar um outro ISRC.

O papel do produtor aqui é solicitar o código de primeiro proprietário à Agência Nacional IFPI Brasil (Socinpro), nomear uma pessoa responsável pelo código, destinar um código para cada faixa produzida, incluir informações do ISRC em toda a documentação pertinente (Label Copy, Contrato) e manter um registro de todos os números atribuídos. Para se cadastrar como produtor fonográfico é necessário o pagamento de uma taxa de R$ 100,00 (cem reais) renováveis a cada 6 meses ou de R$ 180,00 (cento e oitenta reais) para o periodo de um ano, cujos valores serão restituídos gradativamente a partir do momento em que os fonogramas gerarem direitos conexos. Documentação necessária: xerox autenticado da Carteira de Identidade, xerox autenticado do CPF ou CNPJ, comprovante de residência (Conta de Luz, Gás, Água ou Telefone) e cópia do Contrato Social (no caso de pessoa jurídica). Sim, como se pode ver uma pessoa física pode ser um produtor fonográfico.

E quanto custa para se fazer o registro de cada faixa? Pelo que pude entender nada, necas, pitombas nenhuma. Basta pagar a anuidade e deu. É ou não é o caso de se montar uma ONG para cuidar do licenciamento das músicas? Até porque, para o independente, o problema maior está não no registro da faixa, mas sim na cobrança de até 4 reais por faixa para normatizá-las na masterização. Ou seja: mais custos na produção do trabalho…

E quanto à questão \”independentes tocarão já que as rádios terão que pagar\”? Olha, creio que nas rádios que dão espaço para os independentes eles contiuarão tocando sim, já que pagar por todas as faixas será a norma, e uma a mais entrando no bolo…. O que eu não consigo entender nesse esquema aí é como o jabá se sustentará. Vamos ver.

E os independentes, como ficam?

Questionamento para lá de importante retirado do blog da banda Deus e o Diabo (reproduzo aqui porque os links para posts do Blig são uma droga):

ATÉ QUE PONTO…

…todas estas leis de direitos autorais (no caso de músicas) está realmente ajudando os artistas? Já pararam para pensar em toda aquela defesa do Lobão sobre discos numerados e tudo o que veio depois, considerado como uma grande conquista pelo meio musical mais rebelde? Vcs sabem bem sobre as novas legislações?

Existem algumas particularidades bem interessantes que talvez ajudem ao MÉDIO artista, aquele que vende de 50 a 300 mil cópias, e que era ludibriado pela gravadora, que não lhe fornecia dados reais de suas vendas e que também não tinha quase controle da veiculação em mídia (rádio) de suas composições, deixando de receber por seus direitos autorais. Mas, e o independente?

Vc sabia que hoje, para prensar mesmo que uma pequena quantidade de cds de áudio (1000 é o mínimo que a Sonopress trabalha) você precisa, OBRIGATORIAMENTE, registrar um código chamado ISRC em cada uma das músicas? Isso não tem nada a ver com a numeração das mídias nem com código de barras e nem com registro autoral (aqueles feitos na Biblioteca Nacional). É um código que é inserido em cada música por meio de masterização. A Sonopress só irá prensar seu CD se todas as músicas tiverem este código inserido, isto é LEI. As rádios que são vinculadas ao ECAD, quando tocarem as músicas com ISRC, enviam automaticamente ao ECAD um aviso e a partir daí o ECAD poderá recolher os direitos para o artista.

Só que apenas produtores fonográficos podem fazer este serviço, que necessita de um programa para realizar o mesmo. Agora, preste atenção: Se vc for mandar prensar o cd com estas empresas que realizam o serviço ou por meio de selo ou gravadora (a Sonopress é só a fábrica, e só atende seus representantes – não negocia com os autores), atente para os CONTRATOS. Como são produtores fonográficos, eles te ofereçem este serviço, te \”ajudando\” ou até cobrando por isto – \”nós inserimos o ISRC para VC!!\”. Porém este código será ETERNO e como produtores fonográficos, terão ETERNAMENTE direitos comerciais sobre suas composições. Procure saber se eles farão isso no seu nome (te cadastrando como produtor – e cobrando por ser uma espécie de \”despachante\”) ou se farão no nome deles (e aí ficam bem quietinhos e nem te cobram nada…). Isto mesmo. Se sua música \”estourar\”, a cada vez que tocar na rádio o produtor que \”te ajudou\” e fez teus ISRCs vai levar 41% dos teus direitos comerciais, o ECAD mais um tanto e vc fica com o resto.

Pergunta: se já é difícil as rádios tocarem os músicos independentes, eles tocarão agora que os mesmos terão registros de ISRC e, consequentemente, terão que ser pagos?

Bem, a outra questão é a seguinte: vc até pode ser dono total de suas músicas, se vc se registrar como um produtor fonográfico. VC tem que se associar a uma destas associações (e pagar por isto, tipo um sindicato) e aí pode fazer o seus códigos. É o que provavelmente faremos. Sendo produtores podemos registrar ISRC para qualquer um, se continuarmos associados a um deste órgãos. Se vc depois não quiser mais pagar a associação, não perde o código, apenas não pode registrar outros.

Outra: se vc já prensou seus cds e agora quer prensar nova tiragem do mesmo, não vai conseguir sem inserir o maldito código.E aí, quem ganha com isto tudo? A maioria é as gravadoras e selos e empresas que estão registrando estas drogas, além do ECAD. O artista que toca horrores (sertanejos, pagodeiros) também, porque o código \”apita\” lá no ECAD quando o rádio toca.

Os artistas donos de seus próprios códigos e que tem $$ para auto-investir e consegue tocar bem em rádio talvez consiga levar alguma coisa…Mas os outros… Talvez ganhem uns R$ 0,20 por mês, quem sabe…

Agora a pergunta: como se monta uma produtora fonográfica independente, controlada pelos próprios músicos?

Pressione a tecla Shift para ser processado

Quem gosta de ler sobre mecanismos de proteção de CDs e coisas do gênero com certeza está sabendo que um estudante de informática descobriu como quebrar um esquema de proteção contra cópias simplesmente mantendo a tecla shift pressionada. Pois é, agora o cara que descobriu que o sistema de proteção é uma piada está sendo processado. Ah, a DMCA é realmente uma beleza, não?

Iô-iô

Aproveitei o fim de semana em Taquara para pegar uns discos velhos que eu deixei lá. Entre coisas bonitas de Tom, Vinícius, Baden Powell, etc eu trouxe algumas coisas que o meu pai comprava e que foram responsáveis pelo meu \”gosto eclético\”, que faz com que eu goste tanto de Joy Division como de Right Said Fred. Sim, eu sei que tenho alguma espécie de distúrbio musical, mas enfim…

O causo é que enquanto separava os discos conversei com o meu pai e finalmente fiquei sabendo o critério que ele tinha para comprar discos: ofertas do tipo \”4 discos pelo preço de 1\” que ele via nas lojas de disco do centro de Porto Alegre. Aí ele invariavelmente comprava um Frank Pourcel (não torça o nariz que Concorde tem os seus méritos, principalmente quando você coloca a decolagem do avião no último volume no aparelho de som) ou um Ray Conniff (uuurgh!) ou um Saudade Jovem e trazia 3 bombas maiores ainda junto. Foi assim que a gente fez uma coleção muito mas muito medonha, mas que para um garoto de 10 anos era extremamente divertido.

E uma dessas coisas divertidas é a música Prá cima, prá baixo, do disco Juventude em Embalo Vol. 6, de 1979. Consta na contra-capa que a música é uma versão feita pelo Rossini Pinto (o homem que fez a façanha de lançar o Odair José) da música En el hilo del yo-yo, de um tal de Francis Smith. Já procurei no Google, no AllMusic Guide, e necas de achar algo sobre a música. Só para sentir a pérola aí vai a letra (os trechos em azul é o back vocal):

Prá cima, prá baixo

Prá cima! Prá baixo! (2x)
Iô-iô iô-iô preso por um fio estou
Você pede eu obedeço você manda eu vou
Iô-iô prá cima! Iô-iô prá baixo!
Prá cima e prá baixo eu vou
Se não faço mais o que me pedes não faz mais amor
Você fez de mim um bobo já chega!
Quero enfim me libertar
Minha vida toda errada vou tentar mudar
Olha já estou cansado não insista!
Do seu modo de pensar
Esse tipo de amor não se usa mais!
Prá cima! Prá baixo! (4x)

Repete tudo mais uma vez

Melhor que essa só o clássico Se te pego com outro te mato, versão de Jean Pierre (?) para a música de Cacho Castaña (????) interpretada por Sidney Magal. Mais trash que isso tô prá achar 😀