The engine driver

Pois é, se ontem o disco foi o Will do The Sugarplastic, uma banda que só achei graças ao All Music ao procurar por bandas que foram influenciadas por Talking Heads (aliás esqueci de dizer: não estranhe se você ouvir Jesus is his name em alguma discotecagem minha) e que era para mim uma completa desconhecida, a banda do álbum de hoje já tem um pedigree muito nobre: me foi apresentada pela fotógrafa mais sexy de Porto Alegre, a Sabrina Fonseca, que é fã apaixonada da banda. Assim sendo, ouvi Picaresque do The Decemberists. O disco é bom, onde The Engine Driver se destaca pela sua tranqüila beleza. Grande música.

E cabe notar que fiz alguns alongamentos durante os 15 primeiros minutos do disco e os demais eu pedalei na ergométrica. Aliás, como às vezes eu parava um pouquinho para dar um oi pra querida da Nay no MSN (nessas horas eu dava um pause, não vem dizer que tô enganado o tempo) eu repeti 2 músicas, de forma que posso dizer que me exercitei além dos 54 minutos do disco 😉 E eis uma marca: me pesei hoje de manhã e estou com 105 quilos, que é sempre o meu limite. De fato eu estava certo ao sentir que estava na hora de se tomar uma atitude…

Primeiro dia do Projeto Um disco por dia

Pois é, eis que eu inventei de colocar lá no 43 Things que eu queria emagrecer. Bem, para emagrecer são necessárias duas coisinhas: comer menos e fazer exercícios. Confesso que o comer menos vai ser problemático, já que esse é um dos grandes prazeres da vida (aliás, quinta-feira é dia de eu e meus colegas de trabalho irmos na churrascaria, hmmmm…), de forma que o jeito é começar a fazer exercícios. Assim sendo eis que resolvi unir o útil ao agradável: eu não estou com um monte de MP3s no meu HD que eu não ouvi direito? Pois bem, e se eu botar para ouvir eles e ir fazendo exercícios leves? Já ajuda não?

Pois então, é esse o projeto Um disco por dia. Vou colocar um disco e ir fazendo ginástica, alongamentos, etc e tal enquanto vou ouvindo. Hoje eu comecei com o álbum Will, do grupo The Sugarplastic. O álbum (que por sinal é bem legalzinho) dura exatos 46 minutos, e durante 30m22s eu consegui fazer algumas flexões, alguns alongamentos, e por aí vai. Sim, não consegui ir até o fim porque a minha barriga começou a doer. Sim, eu estou completamente enferrujado. Sim, eu realmente preciso emagrecer.

Bem, vamos ver como me saio no disco de amanhã. E agora com licença: já passou da meia-noite e outra coisa que coloquei lá foi “dormir cedo”. Vamos ver se minha insônia deixa.

Caia na estrada e perigas ver!

E nesta sexta-feira, dia 17, vou estar em Gravataí discotecando. Vai ser lá na Tertúlia Bar (que fica na parada 79, em frente ao parcão) e vou animar os momentos em que as bandas (que no caso são a Stereoplasticos, Monodia, SOL e Os Massa) não estarão tocando. Ou seja, vai ser uma noite que promete, seja pelos shows, seja pela maestria nas pick-ups (até parece…) desse que vos tecla. E vai ser baratinho: R$ 4,00. E para chegar ao local não tem mistério: saindo do centro de POA pegasse o ônibus da empresa Sogil “Porto Alegre – Ponte” (o terminal fica na Av. Julio de Castilhos, em frente ao terminal Rui Barbosa, Próximo à CEF) e saindo de São Leopoldo pega-se o ônibus TM3, descendo daí na parada 82, em frente ao Hospital Dom João Becker. A função toda vai começar lá pelas 23 horas.

Mas, se você não estiver a fim de ir até Gravataí, e pretender ficar no vale mesmo não tem problema! Eis que vai rolar mais uma edição da Sexta Insana no Ateliê Zumbi, com direito à discotecagem da Karenina. Ou seja, é grande a chance de rolar quitutes como Suede, Stereolab, Beck, Bjork, Placebo, Tindersticks, Postal Service, Franz Ferdinand, Teenage Fanclub, Flaming Lips, Revoltz, Death Cab for Cutie!, e por aí vai. Eu quase (atenção: quase) me arrependo de ir discotecar, porque essa festa aí promete.


E lembrando: no sábado tem em Três Coroas a festa A Invasão do Rock 3, que terá como atrações Ex-Bandoleiros, Plug, The Trash, RS-115, Ventura, Staut, Tratamento Ludovico, Anarkóticos e a reunião da Çalhere depois de 10 anos sem tocar juntos. Será na Sociedade 12 de Janeiro, ali em Sander, e a bagunça toda vai começar às 20h. Leve em conta que será um festerio para quebrar o tédio e ajudar entidades assistências da cidade, assim sendo o ingresso é um agasalho e/ou 1kg de alimento. Tentarei ir :-)

Attachment: No Virus (Clean)

Eis que abro minha caixa-postal e vejo um monte de emails desse tipo:

From: service@pilger.com.br
Subject: Important Notification
Date: Wed, 15 Jun 2005 18:15:52 -0300

Dear user charles,
It has come to our attention that your Pilger User Profile ( x ) records are out of date. For further details see the attached document.
Thank you for using Pilger!
The Pilger Support Team

+++ Attachment: No Virus (Clean)
+++ Pilger Antivirus – www.pilger.com.br

Eu realmente não sabia que havia mais alguém além de mim no The Pilger Support Team 😀 Sinceramente tenho que tirar o chapéu para os caras que fazem esses virus de email, pelo menos no que diz respeito à engenharia social. É muita criatividade!

Aliás, aproveitando: se vocês mandarem um email para mim e receber a resposta pelo GMail não estranhe. Sei lá porque eu não consigo mais mandar emails pelo pilger.com.br. O SMTP simplesmente não me reconhece mais, seja em casa seja no trabalho…

E não é que ficou bom?

Há questão de uns 2, 3 anos atrás eu dei uma entrevista para um jornal editado por estudantes de jornalismo onde apareceu um quadro de links sugeridos por mim. O detalhe é que eu nunca tinha sugerido tais links. Não que houvesse algum problema nos links, mas o caso é que eu não sugeri eles e lá estava “Links sugeridos pelo Charles”. Eu me senti agredido com essa história, afinal era o meu nome que estava ali. E obviamente que isso fez com que eu ficasse com o pé atrás para dar entrevistas para matéria sobre blogs.

Bem, semana passada o Instituto Humanitas Unisinos me procurou para saber se eu estava a fim de dar uma pequena entrevista sobre blogs, já que eles estavam fazendo um especial sobre o assunto. Fiquei naquelas, mas a jornalista me tranqüilizou e confesso que ao ler a matéria gostei do resultado. E justamente para complementar o que está publicado aqui vai uma cópia do email que eu enviei:

– O motivo de ter criado o blog e há quanto tempo o possui?

O meu blog, o Charles? Que Charles?, era no início uma página pessoal. Eu criei ela lá em 1996, e ela além de ter uma apresentação sobre mim tinha algumas seções como música, cinema, informática… Era um site sem maiores pretensões, atualizado lá de vez em quando. Contudo, como todo site onde a atualização é feita sem uma ferramenta de gerenciamento de conteúdo, era meio chato fazer novas páginas ali. Assim, lá no segundo semestre de 2000 eu comecei a acessar páginas que tinham uma aparência estranha, onde haviam notas organizadas de forma cronologicamente inversa, de forma que o que era mais atual ficava sempre por primeiro. Nem tinha noção de que tais páginas se chamavam weblogs mas já me interessei pelo formato, que parecia bastante bom para o tipo de página pessoal informal que eu queria, além de ser bastante prático. E assim, em janeiro de 2001, transformei o Charles? Que Charles? em um blog e venho mantendo ele assim desde então, com uma atualização ali, outra acolá, nada com grandes compromissos.

– Como define o seu blog, qual o estilo, o que ele oferece?

Posso definir meu blog como uma completa e total perda de tempo que me faz um bem desgraçado. Geralmente eu falo de música nele, de bandas que fiquei conhecendo, de shows que vão ter por aqui no vale ou em Porto Alegre, de filmes que vi, de um programa que ouvi falar, de algum link bizarro que apareceu no meu correio eletrônico ou sobre mim. De todos os posts que eu coloco no ar os que eu acho mais sem graça são justamente esses, de caráter pessoal, contudo procuro sempre botar alguma coisa, para daqui, dentro de alguns anos, ler e lembrar eu era assim, eu vivi isso, como eu era idiota, eu já fui mais esperto, essas coisas. Os que eu mais gosto são os sobre música mesmo.

– Que tipo de comentários as pessoas que acessam o blog fazem?

Tudo que é tipo imaginável de comentário. Os meus preferidos são aqueles que acrescentam informações sobre algo que eu comentei, esclarecendo dúvidas que eu tenho e que outras pessoas mostraram na área dos comentários. O post se torna assim um diálogo, não se tem aquela relação passiva que se observa num site de notícia onde tu não pode se manifestar sobre a opinião do colunista e corrigir eventuais falhas do que ali foi comentado. Os que mais me chateiam são aqueles comentários onde se vê que a pessoa quer só divulgar seu blog, tipo Gostei do seu blog, visite o meu. É realmente triste ver que tem pessoas que necessitam de audiência a tal ponto para ficar mendigando por isso. Mas enfim, o caso é que comentários geralmente são interessantes (excetuando, é claro, os que são mera propaganda), até pelo fato de que mostra que a pessoa que leu se sentiu de alguma forma tocada. Ninguém comenta sobre algo que não desperta seu interesse. Aliás, deve ser justamente pela falta de coisas realmente interessantes que meu blog tem poucos comentários 😉

Fale sobre a tua experiência, o que te faz manter o blog, porque é gratificante, qual o grau de satisfação, qual é a expectativa diária de abrir, ler os comentários e postar novamente:

Mantenho o blog por que é divertido, simples assim. Ele serve como memória, como agenda, como bookmark, de forma que volta e meia acaba se revelando bastante útil. E escrever é algo agradável, mesmo que seja escrever sobre alguma coisa totalmente nonsense. E sobre expectativas não carrego muitas. Houve uma época que eu ficava super contente de ver meu blog sendo apontado por outro blog, vendo comentários, número de acessos, essas coisas. Hoje não. Já é tanto tempo de blog que já aprendi que o bom mesmo é se divirtir com o ato de escrever e com os eventuais comentários. Aliás, bom é escrever não esperando comentários. Quem escreve esperando comentários pode se decepcionar muito vendo que ninguém achou o texto tão sensacional assim. Sim, eu já passei por isso.

Algum outro comentário que ache importante acrescentar?

Uma coisa muito interessante sobre blogs é que você cria redes de relacionamentos muito interessantes. Como no meu blog falo (ou falava, já que infelizmente ultimamente estou com pouco tempo para ficar escrevendo) bastante sobre música e shows, costumo trocando idéias com outras pessoas que gostam de música e assim eu fico conhecendo mais coisas interessantes ainda. É impressionante a quantidade de música boa que simplesmente não toca nas rádios…

Outros alunos, professores e funcionários da Unisinos também deram depoimentos para o jornal (a Thaís Jardim, o Mário André Pacheco, o Alexandre Eidelwein, a Karla Valesca Lampe, o Juliano Filipe Rigatti, o Moreno Cruz Osório e o Artur Jacobus), assim como foram entrevistados o José Luis Orihuela, a Paula Sibilia, o Marcos Palácios, o Pedro Doria, o Daniel Galera, a Rebecca Blood, o José Javier Dominguez e o James Snell. Ainda foram publicados dois artigos do jornal Libération sobre blogs. Como se pode ver o pessoal do IHU Online realmente se puxou. O resultado, que ficou muito bom (independente de ter um depoimento meu ali), pode ser visto aqui. Boa leitura.

Ah, e aproveitando: Ê Doria, teu starpage ainda tá apontando pro charles.pilger.inf.br. Assim dá para ver que por ali faz muito tempo que tu não lê o meu blog! 😀

A mágica dos percentuais

IDG Now – IR: 99,94% usaram Windows para declarar

Das 20,5 milhões de declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) deste ano, 99,94% foram feitas na versão para o sistema operacional Windows, da Microsoft.

Apenas 0,03% das declarações foram entregues pelo programa para Linux e 0,02% para o sistema operacional Mac OS, da Apple.

Outros sistemas operacionais representaram 0,01% das declarações entregues até 29 de abril.

É interessante ver como números relativos podem fazer algo parecer que não é… Quem lê a notícia acima pode até pensar que o investimento feito pelo Ministério da Fazenda para fazer uma versão multiplataforma em Java para o programa de declaração do imposto de renda foi dinheiro jogado fora. Afinal “apenas” 0,03% das declarações foram feitas em Linux, “apenas” 0,02% das declarações foram feitas em Mac, “apenas” 0,01% das declarações foram feitas em computadores com outros sistemas operacionais. “Apenas” 0,06% das declarações não foram feitas em computadores rodando Windows. “Apenas”. Contudo, se a gente for olhar para números absolutos vamos ver o seguinte: “apenas” 61.500 das declarações foram feitas por usuários Linux, “apenas” 41.000 das declarações foram feitas por usuários Mac e “apenas” 20.500 declarações foram feitas por usuários de outros sistemas. Oras, de “apenas” em “apenas” temos nada mais nada menos que 123.000 declarações feitas em sistemas não Windows. De fato 123 mil declarações num universo de 20,5 milhões é uma merreca, mas não é um número pequeno não.

O problema é que de “apenas” em “apenas” acabamos nos deparando com notas absurdas como essa da Veja, que foi publicada a umas duas semanas atrás:


Primeiro a coisa toda é um samba do criolo doido (aliás essa expressão entra na lista das expressões politicamente incorretas? Bem, enfim, azar…) . Para começar misturaram disponibilização com obrigatoriedade. De onde foi tirada a idéia de que o governo quer obrigar os usuários a usar Linux ou coisa do gênero? O governo pode, quando muito, é decidir que dentro dos órgãos públicos se vai usar esse ou aquele software, mas não dizer que a população vai usar isso ou aquilo. Segundo: esse sistema (que por sinal não é livre, já que não vem com o código-fonte junto) desenvolvido para sistemas não Windows foi feito em Java, o que quer dizer uma coisa: multiplataforma. Ora, quando se faz um sistema multiplataforma o que você está fazendo é justamente livrar o contribuinte da obrigatoriedade de usar um determinado sistema operacional. É por essas que me choco quando vejo que tem gente que leva a revista Veja a sério…

Mas enfim, o caso é que, mesmo com apenas 0,06% das declarações feitas em sistemas não Windows, vale a pena o investimento por parte da Receita sim. Afinal, quem não duvida que no futuro uma associação como, por exemplo, a Federacon não crie uma distribuição Linux para os seus associados? Vale lembrar que muitas das declarações que são feitas são feitas não pelo próprio contribuinte, mas sim por contabilistas. Ou seja: o contribuinte pode até estar usando um Mac ou um PC com Linux em casa, mas o contador dele não.

Devagarinho o gigante se mexe…

Concorrência. Essa é a palavra chave do capitalismo. Sem concorrência para fazer com que as empresas se mexam o que temos? Na maior parte das vezes produtos que tem uma evolução extremamente lenta. Ok, pode ser que o fabricante seja um neófito, que está fabricando algo meio que para se divertir, e vá melhorando seu produto mais e mais, sem precisar de concorrentes. Tipos assim existem, mas são raros, extremamente raros. Na maior parte das vezes as empresas se mexem e melhoram o seu produto para não perderem mercado para outra empresa.

Isso explica porque a última versão do Internet Explorer foi lançada em outubro de 2001. Com a Microsoft vencendo a guerra dos browsers contra a Netscape melhorar o IE passou a ser secundário para a empresa. Ok, ja havia o Opera, mas o Opera nunca foi um browser que caiu no gosto do público, talvez pelo fato de não ser totalmente gratuíto (a versão gratuíta tem um banner), de forma que ele na famosa guerra era raramente citado. E assim ficou o IE, até que apareceu o Mozilla.

Vale lembrar: o Mozilla Firefox é a versão open-source do Netscape. Só que ele não é tão somente o Netscape com o antigo código, mas sim um projeto que reescreveu todo o código do antigo browser. E, nessa reescrita, além de otimizações diversas foram adotados vários recursos que já haviam no Opera, como tab browsing, bloqueador de pop-ups, entre outras coisas, além de implementar suporte a CSS Level 2, canal alpha em imagens PNG, MathML, e por aí vai. Assim, o que temos? Temos um browser que antigamente gozava de popularidade com um monte de features que o browser mais utilizado não tem, ou se tem é cheio de falhas. Nem entro no mérito da segurança do IE, que sofre devido à sua fortíssima integração com o sistema operacional.

Assim, o que vemos hoje em dia? Vemos a Microsoft finalmente se mexendo. Por exemplo no Service Pack 2 do Windows XP veio um bloqueador de pop-up e, para a alegria do Marcos, foi lançado essa semana o recurso de tabs para o IE via MSN Search. Ok, ficam faltando várias coisas como aquelas que foram citadas como já tem no Firefox, mas que eles estão se mexendo estão. Não que estivessem totalmente parados, mas se não fosse o crescimento do Firefox tais recursos a mais provavelmente só veriam a luz do dia com o lançamento do Windows Longhorn. Ou seja: veríamos isso só lá em 2006…

Concorrência é ou não é uma beleza? Para o consumidor sim, com certeza.

Craque

Quem me conhece sabe que eu não gosto de futebol. Nunca gostei. No colégio eu era obrigado a jogar futebol na aula de Educação Física e eu simplesmente me fazia de morto em campo. Ok, eu era um bom zagueiro, digno representante da escola “canela é bola”, e mandava com toda delicadesa de um bico as bolas para fora do campo. Se fosse longe melhor ainda, já que o jogo demorava assim para recomeçar. Além disso era comum me botarem no gol, o que não era uma boa idéia, já que ali eu não me esforçava muito. No mais, eu era um péssimo jogador, tão ruim que em 13 anos de Dorothéa eu consegui fazer apenas UM gol que não foi contra. Até hoje me lembro a cara de espanto dos meus colegas quando me viram fazer movimentar o placar. Isso foi lá no terceiro ano do segundo grau (sim, o fato do segundo grau hoje em dia se chamar ensino médio mostra que já estou ficando velho) e foi algo que me redimiu perante o colégio. Até hoje desconfio que o goleiro, o Henry, fez alguma coisa para aquela bola passar entre as traves. Eu sozinho era ruim demais para conseguir fazer um gol. Não, eu não me lembro como foi o gol, só me lembro de ver todo mundo no pátio de boca aberta.

Outra coisinha a meu respeito: quase nunca lembro dos meus sonhos. Invejo muito quando alguém chega e diz que sonhou assim assim assado e dá detalhes de como eram as roupas dos bichinhos felpudos que corriam debaixo dos pés. Realmente invejo. Talvez isso explique o fato de eu ser meio excêntrico, de fazer algumas coisas estranhas de vez em quando, de gostar de ouvir músicas esquisitas: eu tenho que ter alguma coisa de surreal na minha consciência senão eu enlouqueço de vez. Para o meu azar eu não sou uma pessoa criativa, senão virava escritor e criava meus próprios sonhos. Volto a afirmar: é raríssimo eu me lembrar de um sonho.

Pois bem, e eis que hoje o Brasil jogou contra a Argentina. Sim, perdeu. Por 3 a 1. O Leonardo deve estar dando pulos de alegria, já para mim isso não diz nada. Como já disse não gosto de futebol. Ok, ok, eu confesso: gosto das provocações, das picuinhas que há entre as torcidas de futebol, daquela coisa de se criar provocações dizendo que colorados para se dirigir ao Beira-Rio tem que pegar a linha Tristeza enquanto os gremistas para ir ao Olimpico tem que pegar a linha Glória. Mesmo sendo colorado (isso graças ao meu pai) eu tenho que reconhecer o humor inteligente nessa provocação. Sim, eu gosto desse tipo de coisa, tanto que quando vi essa chamada no Clarín não pude deixar de sorrir: El brillo propio de la Selección apagó a las estrellas de Brasil. Vamos lá, caro compatriota brasileiro, você não pode negar que esse é um título bonito, não? Tem poesia e humor, tira sarro dos nossos jogadores que jogam sobre tamancos e ainda brinca com a nossa bandeira, que beleza!

Tá, ok, mas o que afinal futebol tem a ver com sonhos e o que essa relação tem a ver com Brasil e Argentina? Bem, é que esses dias eu consegui lembrar de um sonho ao acordar. Foi um sonho rápido, entre o despertar provocado pelo rádio-relógio e os famosos mais 5 minutos que a gente se dá antes de pular da cama já atrasado. Pois bem nesse sonho eu estava jogando futebol na seleção brasileira contra a Argentina. E eis que eu fiz um gol, um golaço na verdade, daqueles que eu vejo na TV e mesmo não gostando de futebol tenho que reconhecer que a coisa realmente foi bonita. Fiz um gol e saí comemorando para, ali no meio do sonho, olhar para o Maradona chorando, a torcida brasileira comemorando, os meus colegas vestindo a camisa canarinho vindo sorrindo na minha direção e eu me tocar que havia algo errado. Parei no meio do campo e me perguntei: Mas que diabos estou fazendo aqui?

Daí eu acordei.

Queria que minha BIC fosse uma pena

E a letra se faz morta, disfarçando seu sorriso. Enternecer é desafio. Fico esperando o bote, a palavra nunca me ataca, porém sei que quando consegue pegar de surpresa atinge fundo. Não tenho essa facilidade de domá-la e seus significados sempre me escapam. Escrever se mostra um picadeiro com todas as vocais cantando meninas bonitas no centro e nos cantos as consoantes se fazendo de arrogantes fingindo que delas não querem nem um ai. E se eu for colocar uma mensagem, aí sim que a coisa toda se complica. Muitas vezes é melhor deixar o discurso sair livre, sem malabarismos, já que no ato de digitar os dedos já tem seus próprios tropeços.

Além do que as vírgulas são velhinhas que arrastam os textos em suas costas, e eu gosto demais delas para, simplesmente, colocar em tudo (Deus nos proteja dos clichês!) um ponto final.

Pois é, hoje tem às 19h30 na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country (Tulio de Rose, 80), em Porto Alegre, o lançamento do novo livro do Carpinejar, o Como no céu / Livro de Visitas . A sessão de autógrafos será antecedida por um debate com o crítico Flávio Loureiro Chaves e leitura de poemas pela atriz Mirna Spritzer. Para quem não conheçe a poesia dele só digo: esse sim sabe como fazer as palavras dançarem.