O tamanho do rombo

Cheguei hoje em São Leopoldo (aleluia!) e já fui na Caixa Federal ver quanto os raelianos andaram tirando da minha conta. Olha, ainda bem que a Caixa reconhece que foi um problema deles de segurança, senão eu teria dançado, pelo menos até provar que focinho de porco não é tomada, com nada mais nada menos que 2.400 reais. Não, eu não tenho toda essa grana na minha conta: os desgraçados fizeram um CDC e daí começaram a pilhagem. Assim, boa parte da tarde foi perdida preenchendo formulários, dizendo que não fui eu que fiz tal operação. Um verdadeiro porre. Menos mal que a gerente da Caixa é simpática e ficamos fazendo piada sobre isso o tempo todo: fui o primeiro caso de vitima de clonagem da Agência, de forma que a inexperiência no preenchimento da papelada rendeu algumas risadas. E agora estou esperando a agência do Banco do Brasil da Unisinos abrir para depositar a grana que eu tinha na conta da Caixa, pois vou ficar provavelmente até o fim do mês sem cartão. O lado bom da coisa é que, depois dessa, a gerente da Caixa não vai ficar mais pegando no meu pé por ter conta em dois bancos…

O mundo é dos vivos

Essa eu tirei da lista Panela:

Para que pudéssemos andar de trem livremente na Europa compramos o Eurailpass. É um bilhete onde você coloca a data e pode andar de trem
naquele dia pra onde quiser. Tínhamos comprado o de 15 dias. O aproveitamento tinha que ser o máximo. Chegando à Alemanha tínhamos de ir de Hamburgo para Munique. O problema é que tinha apenas um trem, non-stop, que satisfazia nosso horário. O próximo sairia muito tarde. O problema era que o trem não aceitava o maldito bilhete dos brazucas…

Mas como brazuca se acha mais esperto que o mundo todo surgiu o seguinte
raciocínio, compartilhado por quase 30 cabeças: Vamos entrar no trem assim
mesmo!!! Como ele é non-stop, não poderão colocar a gente pra fora… E lá foi a brasileirada trem adentro. Com o trem já em movimento, chega a
mulher pra conferir os bilhetes. O primeiro a ser interpelado fui eu…
Logo, eu fui o cobaia… A mulher pegou o bilhete, virou pra mim e disse aos berros:

– Get out, right now!!! Eu ainda pensei: Será que eu vou ter que me atirar
pela janela????

A maldita pegou um intercomunicador, resmungou alguma coisa e, acreditem, o trem non-stop parou na próxima estação. Os alemães foram todos para a
janela para ver qual seria o motivo… Já ciente da minha expulsão, avisamos os demais brazucas para saírem também pois o bicho ia pegar… Cenário montado: trem non-stop parado, todos os alemães na janela prá saber o motivo e uns trinta brazucas sendo expulsos. Então uma alma teve a idéia brilhante:

-Aí galera!! Não vamos levar este mico pra casa, não!!!

E começamos a gritar em coro:

– \”AR-GEN-TINA! AR-GEN-TINA! AR-GEN-TINA! AR-GEN-TINA!…\”

😀

G-e-n-i-a-l

Carta Capital : O trompete e o celular

O registro é de David Hajdu, para a edição de março da revista The Atlantic Monthly. Momento: final de verão em Nova York. Local: o tradicionalíssimo clube de jazz Village Vanguard. No palco, Charles McPherson, um saxofonista talentoso, porém não exatamente uma estrela, toca clássicos do bebop. Mas quem seria o trompetista discretamente sentado ao lado? A figura lembra um pouco Wynton Marsalis… Começa a quarta música, uma balada chamada I Don’t Stand a Ghost of a Chance With You, tocada em solo pelo trompetista. Não há mais dúvida: o homem no palco é realmente Wynton Marsalis! A música é triste e melancólica e o trompete murmura as palavras em forma de notas. No clímax, Marsalis toca lentamente a frase-título, esperando que cada nota reverbere no fundo da sala. “I don’t stand… a ghost… of… a… chance…”

O silêncio além do trompete é absoluto. Então, no ápice, dispara o criminoso beep de um telefone celular. Catástrofe: a magia é arruinada. O delinqüente foge lépido com sua “arma” enquanto o burburinho na platéia aumenta. No palco, Marsalis continua imóvel, as sobrancelhas em arco. Então, seu trompete reproduz o macabro som ritmado do celular. Ele repete o som e começa a improvisar e adicionar variações. A audiência pouco a pouco volta ao palco. A improvisação evolui por alguns minutos até voltar à forma da balada original. Marsalis termina exatamente onde havia parado: “with… you…” Grand finale!

Genial! E vai lá e lê o resto do artigo, e entenda porque quando um metaleiro vem na minha frente e diz que o cara que sabe ficar fazendo solo é bom músico eu respondo perguntando \”Ele toca jazz?\”. Afinal só no jazz, pelo fato do improviso ser moeda corrente, para mostrar que alguém realmente sabe o que está fazendo. Só no jazz? Ok, radicalizei, mas o fato é que se não há improviso o que temos é posições decoradas, solos mecânicos, algo completamente artificial, sem emoção. E é por isso que shows perfeitos não me dão entusiasmo. Prefiro ouvir uma banda fazendo chinelagens e rateando do que vendo algo que foi milimetricamente planejado. Aliás, gosto também de ver o público participando, pulando, subindo no palco volta e meia para cantar junto, interagindo. Pedidos de música? Também vale! Mostra que o público não é uma massa passiva que aceita tudo, e até dá espaço pros músicos irem lá e tocar o que foi pedido de forma escabrosa. Quem tiver senso de humor entenderá.

Mesmo assim, espero não ver nenhuma improvisação em cima de telefones celulares nos shows que eu vou… Sim, porque uma coisa é participar, outra é falta de respeito. E celular é falta de respeito, assim como o é não entender que aquele show ali, naquelas circunstâncias, não é uma sessão dos maiores sucessos do Raul Seixas.

E a César o que é de César: vi que havia esse artigo na Carta Capital no blog do MarioAV. Valeu!

Update: pois é, não estranhe se você ver esse post lá no blog do Apanhador. Decidi botar lá para ver o que o povo vai comentar. Aliás, se você quer fazer algum comentário sobre isso faça lá 😉

Aliás

POis é, se atiram uma bomba em cima de uns milicos e acertam não temos civis mortos, mas sim danos colaterais? Dano colateral são os militares que criaram essa expressão, legítimos exemplos de casos onde jogaram fora a criança e criaram a placenta.

Didi Mocó para vilão

Estou lendo o artigo do Leandro para o Gordurama sobre o filme Retratos De Uma Obsessão e mais uma vez vejo ali colocado que o Robin Williams é um bom ator. Concordo, concordo plenamente, principalmente com a indicação de Parry, o mendigo feito por ele no filme O Pescador de Ilusões do Terry Gilliam, como o seu grande momento. Mas, enfim, na verdade eu não quero falar do Robin Williams, mas sim do Didi Mocó Sonrisépio Colesterol Novalgino Mufumbo ou se preferirem Renato Aragão. Eu confesso que gostaria ver ele num papel sério um dia desses. Não no papel de palhaço que ele sempre faz, mas sim num papel que realmente tirasse o sangue dele. Se ele ia fazer bonito? Não sei, mas bem que eu gostaria de ver ele tentando, principalmente fazendo um vilão sério, não caricato. Acho que ia ser bem interessante. Fazendo o papel de uma pessoa desiludida com a vida, sem redenção? Seria pedir demais?

Olha ele aí de novo

Pois é, como eu já disse a cada ano que passa acredito mais nesse negócio de inferno astral. Mas vai dizer que não é coisa séria? Afinal, como se explica o fato de que estou desde domingo com a minha conta na Caixa Econômica Federal bloqueada? E por quê? Porque o meu cartão foi clonado. Sim, um raeliano resolveu se meter na minha vida e retirou uma grana federal da minha conta. A minha gerente já me tranqüilizou dizendo que não foi um caso isolado e que eu não tive prejuízo algum, mas que o susto foi grande foi. Justo agora que eu vou me endividar um pouco por conta da compra dos móveis do meu ap acontece isso? Justo agora que estou voltando de férias, quando vou sobreviver no próximo mês entrando no cheque especial, até receber o vale do dia 15? Justo agora? Pô! Não é para acreditar em inferno astral mesmo? Se não for para acreditar pelo menos deixem-me fazer piada em cima da situação toda…