Iô-iô

Isso é o Rio Grande do Sul: no sábado de tarde em São Leopoldo a temperatura é de 35º. Hoje de manhã neva em Gramado e Caxias do Sul. Detalhe: daqui até Gramado são apenas uns 70 quilômetros, de forma que não está se falando de duas cidades distantes.

E entre o frio e o calor a vontade que dá é pegar um ônibus para Nova Petrópolis, que é ali do lado de Gramado e é uma cidade bem mais simpática. Vai um café colonial aí?

Programa pro findi

E eis que recebo um telefone (update: na verdade foi um telefonema mesmo. O aparelho é esse mesmo de sempre que a Adriana está segurando na mão e perguntando \”Você recebeu um telefone? Esse?\”. Humor é tudo.) e fico sabendo que não vou poder ir no ircontro que eu ia nesse fim de semana. É que vou ter o curso de JavaBeans que eu não fiz na época do FISL 2003. Eu já tinha perdido uma aula antes por que tive que trabalhar no sábado, e ir no último dia de aula (bem no dia do fórum) tendo faltado uma não valia a pena. Bem, vamos ver se acabo essa trilha agora. Brincando brincando estou fazendo ela a um ano!

Aliás, isso mata uma dúvida que eu tinha: onde ir sábado de noite? Para Porto Alegre ver a Viana Moog e a Planondas ou para Novo Hamburgo para ver a Lagarto a Vapor e a winston? Dois shows bons na mesma noite divide o cara… Levando em conta que já vou estar em Porto Alegre vou ficar por lá mesmo, aproveitando para ir no cinema (coisa que por sinal a muito tempo não faço…). Alguém aí tem alguma sugestão de filme?

Irado

Vi no Bom Tempo e reproduzo aqui (sei lá quando o cara vai mudar – de novo – o sistema de post dele…):

Existem milhares de músicas disponíveis para download legalmente na internet, a maior parte em sites de bandas alternativas. O problema é que é difícil encontrar música boa—não há como saber de antemão quais bandas você gosta sem baixar as músicas.

Não dava.

Descobri o irate, um programa recém lançado cuja barreira dos 1000 usuários foi rompida agora no dia 6. O servidor principal do sistema é um K6 350 numa linha ADSL. Há versões disponíveis para Linux, Windows, OS X ou qualquer sistema operacional com suporte à Java. E o programa é, desculpe o trocadilho, irado!

O irate funciona assim: o servidor tem uma base de dados com cerca de 50 mil músicas. Todas disponíveis gratuita e legalmente na internet. Quando você conecta pela primeira vez, o seu programa recebe os links de uma meia dúzia de músicas escolhidas aleatoriamente, e começa a baixá-las das páginas das bandas.

A sacada é que depois de escutar uma música você pode classificá-la (“I rate“, entendeu?) desde “This sux” (nota 0) a “Love it” (nota 10). Com base nas suas preferências, o servidor vai enviando ao seu programa novos links, de músicas que você provavelmente vai gostar. Você não precisa procurar músicas que você gosta (e na verdade, nem há como)—o servidor as envia para você.

É óbvio que quanto mais pessoas usarem o programa, melhor fica o algoritmo que escolhe as músicas. Por isso estou recomendando para todo mundo. Mas também porque, na minha opinião, é um programinha muito bem bolado: você só precisa ficar escutando e classificando as músicas, enquanto ele vai automaticamente baixando músicas cada vez mais legais.

(Se você experimentar, é bom ter um pouco de paciência no começo, até você ter classificado umas 20 músicas. No começo vem muita coisa ruim, mas é nítido como vai melhorando!)

Testarei!

John Lion

Recebi esse texto na Porto Livre e achei tão bom que ele merece o copy&paste:

Crítico de Código
por Rachel Chalmers

John Lions escreveu a primeira, e talvez a única, crítica literária sobre
o Unix, iniciando uma das primeiras batalhas legais sobre software
aberto.

30 de Novembro de 1999.

Antes que houvesse uma Open Source Initiative, antes que a Free Software
Foundation fosse sequer um lampejo no olho de St. iGNUcius, os hackers
Unix estavam enfrentando advogados e interesses comerciais pelo direito de
copiar e distribuir código fonte. A luta começou, em parte, devido as
crenças de um professor australiando chamado John Lions, que pensava que
ao tornar o código fonte disponível e usando o mesmo como uma ferramenta
de ensino, ele poderia encoragar os mais altos padrões de programação
possíveis. Com a aproximação do primeiro aniversário de sua morte, e o
movimento open-source avançando mais e mais, parece que o momento é
propício para recordar a contribuição de Lions.

Eu tropecei no livro de Lions em 1996. Sou especializada em literatura e
parece que gastei toda minha vida procurando por um homem inteligente,
culto. Quando finalmente eu encontrei o homem que veio a ser meu noivo,
ele era um hacker Unix. Isto me desconcertou. Eu não conseguia sequer
imaginar como o árido mundo super-iluminado dos laboratórios de computação
e as salas com servidores zumbidores podia produzir alguém mais curioso e
criterioso que meus colegas graduados das humanas. Então eu fiz o que
sempre faço quando quero entrar na cabeça de alguém: examino suas estantes
de livros.

Lá eu encontrei — e devorei — o hilário \”The New Hacker\’s Dictionary\”,
de Eric Raymond. Escrito a partir do Jargon, ele descreve uma cultura
literária estranhamente parecida com a minha, completa, com movimentos,
piadas, manifestos e Grandes Obras. E, falando de grandes obras, eu também
encontrei nas prateleiras a primeira edição dos livros de Lions. Os livros
— uma obra em dois volumes com o título \”Source Code and Comentary on
Unix Level 6\” — não só incluia todo o código fonte do kernel do Unix
Versão 6, mas também uma detalhada e algumas vezes genial discussão do
mesmo escrita no meio da década de 1970.

A gênese dos livros de Lions está vinculada à tradição Unix, que começou
25 anos atrás, quando a revista Communications of the Association for
Computing Machinery — o equivalente tecnológico da Nature — publicou um
trabalho de Ken Thompson e Dennis Ritchie, os dois empregados da Bell Labs
que criaram o Unix e a linguagem de programação C. O trabalho era chamado
\”The Unix Time-Sharing System\”, e incluía uma descrição do sistema
operacional, uma justificativa de seu projeto e algumas notas sobre como
ele foi montado a primeira vez. O artigo capturou a imaginação de muitos
programadores, incluindo Ken Robinson, um professor da University of New
South Wales (UNSW), que escreveu pedindo uma cópia do novo sistema
operacional. Quando esta chegou, Lions, seu colega, leu o código fonte.

O código fonte é o projeto do software, como um conjunto de palavras que
os humanos podem ler e usar para controlar as máquinas. Com o código
fonte, um programador pode modificar uma aplicação, corrigindo bugs ou
acrescentando funcionalidades. Mas a maioria dos softwares comerciais é
vendido somente em uma forma que só as máquinas podem ler. Ter acesso ao
código fonte é ter poder.

A carreira de Lions seguiu o caminho clássico para um acadêmico
australiano de sua geração. Em 1959, ele foi graduado com honra na Sydney
University e prontamente deixou o país. Obteve seu doutorado em Cambridge,
em 1963, e gastou a década seguinte trabalhando para a Burroughs Corp., no
Canadá e em Los Angeles. Em 1972 ele estava casado e tinha uma jovem
família. Mudou-se de volta para a Austrália e assumiu uma posição como
professor acadêmico sênior no departamento de computação da UNSW. Ele iria
ensinar lá pelo resto de sua vida.

O código do Unix encantou Lions — tanto que ele decidiu fazer alterações
singificativas nas duas cadeiras que ensinava. Até aquela época, a maioria
dos professores de sistemas operacionais orgulhosamente transmitiam os
princípios gerais sobre programas que seus estudantes provavelmente nunca
viram, ou encorajavam os estudantes a montar sistemas operacionais de
brinquedo por conta própria. O Unix ofereceu uma terceira abordagem. Ele
podia ser executado em um sistema comparativamente acessível, um Digital
Equipment Corp. PDP 11 — um máquina que a UNSW já possuía. O Unix era
compacto e acessível, mas oferecia um conjunto excelente de funções. Para
resumir, nas palaras de Lions, ele era \”intrinsecamente interessante\”. O
Unix pode ser lido e entendido com menos esforço que o sobrecarregado
OS/360 da IBM, e o TSS/360 (que, ironicamente, são pigmeus pelos padrões
modernos), mas ele possuía a funcionalidade de padrão industrial às quais
nenhum brinquedinho feito em casa pode aspirar. Um estudante, Greg Rose,
lembra-se, \”John expressou isto com uma frase, \’O único grande programa
que eles verão além dos que eles farão, pelo menos este foi bem feito\’\”
.

A primeira edição do livro de Lions era uma impressão de computador magra,
coberta com um cartão vermelho, e com a estampa do brasão da UNSW. Sobre
ela, o título \”Unix Operating System Source Code Level 6\”, e \”A Commentary
on the Unix Operating System\”. Lions originalmente preparou o mesmo para
seus estudantes, que ficaram atônitos com a disponibilidade do código
fonte. Ali havia um sistema operacional inteiro que eles podiam colocar na
palma da mão. \”Toda a documentação pode ser transportada em uma pasta
estudantil\”
, notou Lions. Mais tarde ele faria uma piada, dizendo que as
edições posteriores do Unix corrigiriam isto.

Os livros funcionaram. \”Em geral, os estudantes pareceram achar os novos
cursos um pouco mais caros, mas muito mais satisfatórios que os cursos
prévios\”
, observou secamente Lions. Seus estudantes descreviam as aulas
como uma revelação. \”Ele gostava de ver se algum de nós estava alerta o
suficiente para perceber alguns dos poucos bugs ou as esquisitisses
inexplicáveis no código conforme o líamos. Eu não acho que tenhamos
conseguido isto com muita freqüência\”
, lembra Lucy Chubb, agora presidente
da Australian Unix and Open Systems Users Group (AUUG). \”Uma leitura séria
do código de outra pessoa era algo que ninguém mais nos deu\”
.

Uma das grandes sacadas de Lions era que o que Thompson e Ritchie
escreveram deveria ser estudado daquela forma. \”Você percebe que a maioria
do código no Unix é de um padrão bem alto\”
, escreveu ele em uma introdução
aos livros. \”Muitas seções que inicialmente parecem complexas e obscuras,
à luz de investigação e reflexão posteriores, parecem perfeitamente óbvias
e \’a única forma de voar\’\”
.

O Unix era belo e útil e merecia uma atenção mais dirigida. Como o
programador Peter Reintjes observou, \”Conseguimos o que equivaleria a uma
crítica literária do software de computador\”
.

As implicações eram enormes. O código resumido e elegante de Thompson e
Ritchie era um convite para investigar e experimentar. Agora um grupo de
estudantes bem-treinados estava equipado para fazer justamente aquilo.
\”Melhoramentos feitos em instituições pelo mundo começaram a ser trocadas,
e contribuíram de uma forma inegável para o crescimento do Unix\”
, lembra
Rose. \”Estes dois volumes tornaram muito mais fácil começar com este tipo
de experimentação, e contribuiu grandemente ao sucesso do Unix durante o
final da década e 1970 e início da de 1980\”
.

As novidades sobre a revolução acabaram chegando aos seus instigadores. \”A
primeira vez que Ken e eu ouvimos falar de John foi quando o original do
livro \’Commentary\’ chegou, eu acho\”
, comenta Ritchie. \”Ficamos muito
impressionados pela qualidade do trabalho e bastante lisonjeados pela sua
existência\”
. Lions trabalhou duro para entender o que Thompson e Ritchie
estavam tentando conseguir. Na avaliação deles, ele teve sucesso. \”Após 20
anos, esta ainda é a melhor exposição do funcionamento de um sistema
operacional \’real\’\”
, falou Thompson.

Ainda que admirando as anotações de aula, Ritchie destaca mais os
ensinamentos de John. \”Provavelmente a contribuição mais importante que
John fez foi iniciar, na UNSW e indiretamente na Sydney Uni, um grupo
forte de pessoas versadas em Unix, muitos dos quais nos visitaram ou aqui
ficaram, e que nós visitamos com certa freqüência\”
, ele disse. Lions
também fundou o AUUG, e é em parte crédito seu que o Unix é um sucesso
atualmente na Austrália (o grupo recentemente celebrou a contribuição de
John com o John Lions Award for Research Work in Open Systems).

Um professor visionário, uma maravilhosa ferramenta de ensino, um
comentário cheio de saber e visão, um ambiente em que os estudantes
talentosos tem sucesso — tudo para termos um final feliz, certo? Sim e
não. mesmo quando ele foi publicado pela primeira vez, os livros de Lions
eram tecnicamente disponíveis apenas para quem tinha a licença do Unix
sexta edição. O sistema operacional tinha um novo proprietário, a Western
Electric, que não queria que qualquer um aprendesse como funcionava o
kernel Unix por dentro.

\”Na época que a sétima edição do sistema foi produzida, a companhia
começou a se preocupar mais com os aspectos da propriedade intelectual e
os \’segredos do negócio\’ e assim por diante\”
, explica Ritchie. \”Havia uma
certa briga entre os que estavam no grupo de pesquisa, que viam os
benefícios em ter o sistema disponível, e o Unix Support Group… Mesmo
quando em 1970 o Unix ainda não era uma proposição comercial, o USG e os
advogados eram cautelosos. A qualquer custo, nós da pesquisa perdemos a
discussão\”
.

A sétima licença e as subsequentes explicitamente proibiram o tipo de
ensino que Lions vinha fazendo. O USG também procurou controlar a
distribuição do comentário. E falhou. Mesmo naquela época, os hackers Unix
não eram o tipo que reagiria a este tipo de tratamento desistindo. A
sétima edição do Unix foi lançada em 1979, ao mesmo tempo que as
fotocopiadoras tornaram-se acessíveis. Os engenheiros somaram dois e dois.
Os livros de Lions foram copiados secretamente e passados de mão em mão.
Fotocópias de quarta e quinta geração tornaram-se tesouros. Os livros eram
literalmente samizdat, a literatura feita em casa pela resistência.

\”Como não podíamos discutir legalmente o livro nas aulas de sistemas
operacionais da Universidade, vários de nós se encontravam à noite em uma
sala de aula vazia para discutir o livro\”
, conta Reintjes. \”Foi a única
vez em minha vida em que eu era um membro ativo de um submundo\”
.

Esta situação estranha perdurou por praticamente 20 anos. Mesmo quando a
USG tornou-se a Unix System Laboratories (USL) e foi vendida à Novell, que
por sua vez a vendeu ao Santa Cruz Operation (SCO), Richie nunca perdeu a
esperança que os livros de Lions pudessem ver a luz. Ele foi de companhia
em companhia. \”Era, sobretudo, um material de mais de 25 anos, mas quando
eles perguntavam aos seus advogados, estes diziam que não havia mal algum
à prmeira vista, mas sempre havia uma atitude do tipo \’mas nunca se
sabe…\’, e eles nunca tiveram coragem para ir adiante\”
, ele explica.

Finalmente, na SCO, Ritchie encontrou uma mina. Ele já conhecia Mike
Tilson, um executivo da SCO. Com a ajuda de seus amigos gurus de Unix,
Peter Salus e Berny Goodheart, Richie trouxe pressão ao caso. \”O próprio
Mike rascunhou uma carta de \’permissão concedida\’\”
, diz Ritchie, \”para
economizar o trabalho legal do pessoal!\”
A equipe de pesquisa, no fim,
ganhou.

Em 1996, a Peer to Peer Communications reimprimiu os livros de Lions. Foi
uma ocasião única, John estava sériamente doente. Quando os livros
chegaram à Austrália, Goodheart levou várias cópias para ele. \”Como vocês
podem imaginar, seu rosto se iluminou\”
, escreveu Goodheart, na época. \”Ele
estava tremendo de deleite e todos celebramos a ocasião com champanhe. Sua
saúde estava muito pior que eu pensava, mas ele podia entender que seu
trabalho havia finalmente sido publicado. Ele caía no sono durante as
conversas mais curtas e muito raramente dizia alguma coisa. Marianne não
tinha certeza se ele estava entendendo tudo, mas eu acho que sim…\”
Lions
perguntou o que havia acontecido com o brasão da UNSW.

\”Ele realmente riu baixo quando eu li o comentário na contracapa, \”O Mais
Famoso Manuscrito Suprimido na História da Computação\”
, escreveu
Goodheart. \”Mariane contou que fazia muito tempo que ela não o via tão
feliz. A filha de John, Liz, estava lá e lhe fez uma pergunta, \’Pai, você
realmente entende esta baralhada?\’, John respondeu \’Não\’, e recomeçou a
rir…\”

John Lions faleceu em 5 de Dezembro de 1998. Mais ou menos três anos antes
de sua morte, ele havia encontrado uma caixa com a primeira edição do
\”Commentary and Source\” no porão, um pouco danificada pela humidade, mas
fora isto, boa. Ele deu um par de livros para um jovem programador que ele
conhecia. Eles estavam entre os oito ou dez livros insubstituíveis que meu
noivo trouxe consigo quando mudou-se para São Francisco no último ano. Ele
está trabalhando no kernel do Linux agora — um sistema rico com uma
programação brilhante por que seu código fonte sempre esteve disponível.

Eu gosto de pensar que John Lions aprovaria isto.

==============

Este artigo foi traduzido por César A. K. Grossmann, do original que pode ser encontrado na Internet. O tradutor agradece a gentileza dos editores do Salon Technology, particularmente a Andrew Leonard, pela gentileza de tornar possível este trabalho.

Copyleft já!

\"\"

Brrrrr

Wired News: Sons graves despertam \”fantasmas\”

Cientistas comprovaram que sons extremamente graves, conhecidos como infrassom, produzem uma grande variedade de efeitos estranhos sobre as pessoas, incluindo ansiedade, tristeza profunda e calafrios.

Um grupo de pesquisadores produziu um som grave inaudível ao ouvido humano usando um tubo de sete metros e testou seu impacto sobre um grupo de 750 pessoas durante um concerto. Quando o som estava presente na música, mais de 20% das pessoas relataram experiências incomuns, como a sensação de intranqüilidade, tristeza e arrepios na espinha. As pessoas também relataram náusea e medo. A platéia não sabia quando o som estava sendo emitido e quando não estava.

E procurando por infrasom na rede cruzei com essa pérola:

Infra-som. Trata-se de uma poderosa arma sônica de freqüência ultrabaixa (FUB), que pode penetrar edifícios e veículos, podendo ser direcionada e regulada. Como uma arma, o infra-som e a baixa freqüência implicam as mesmas preocupações do som de alta intensidade. Após ser exposto ao infrasom de alta intensidade, a vítima sofre de desorientação e redução na capacidade de executar tarefas sensorio-motoras simples. Em níveis elevados, cobaias param temporariamente de respirar. Os princípios e conclusões concernentes a sons de alta intensidade aplicam-se ao infra-som. O sofrimento não seria maior do que o determinado por armas convencionais. O sofrimento deve ser proporcional aos objetivos militares. O som deve ser aplicado de modo que o dano a nãocombatentes seja incidental, face aos objetivos militares.

Infelizmente, enormes sistemas de altofalantes são necessários para garantir a direcionalidade, sendo gigantesca a demanda de energia elétrica. A interdição de áreas é uma missão muito plausível para esse mecanismo, visto que o nível de dor ou dano cresce, de modo previsível, com o decréscimo do alcance. Um invasor cometeria efetivamente suicídio, caso mostrasse a força de vontade para superar os níveis crescentes de dor.

Putz! Só na cabeça de um militar para dizer \”infelizmente\” numa situação dessas… Mas, enfim, a pergunta que não quer calar é: será que o Mike Patton já está sabendo de tudo isso?

Estado violência

\"\"

A foto acima é da capa de hoje do jornal baiano A Tarde. Mostra a ação covarde e violenta da polícia baiana que culminaram no espancamento de estudantes nesse sete de setembro. Deixo aqui registrado uma cópia da matéria que saiu no jornal:

Dizem que ela existe pra proteger

Parecia que o 7 de Setembro acabaria na paz. Mas algo estava por acontecer. Era 12h30 quando eu e a colega Neyse Limma fomos à Praça Municipal. Lá, uns 500 estudantes reunidos, na escadaria da Prefeitura, discutiam se bloqueavam ruas ou não pagavam passagem.

Na verdade, eles compareceram para detonar a parte oficialesca da festa, mas não se misturaram de vera à Marcha dos Excluídos. “Assembléia” rolando, helicóptero da Choque vaiado, tudo normal até aí. Quando chega um bando de mais ou menos 50 PMs e toma o local.

A meninada, provocativa, entoa “marcha soldado, cabeça de papel…” para emendar na seqüência, “polícia é pra ladrão, pra estudante não”. Com os PMs ali, a galera começou a debandar. Perguntamos para um deles o destino: “Lapa, entrar de graça no ônibus”. Seguimos de carro.

Mal chegamos, vinham uns 50, apitando e pulando eufóricos. Acompanhamos o movimento. Desceram para o subsolo da estação, onde estão as linhas da periferia. Tentaram parar um Cajazeira X, mas o motorista fechou as portas. “Se f…, estudante apareceu”, era o grito de guerra.

De forma muita rápida decidem bloquear a pista na entrada da Lapa. Guardamos o crachá de identificação (às vezes a presença da imprensa determina o rumo dos acontecimentos) e descemos com o grupo. No meio do caminho, descem PMs com “cara de mau” de viaturas. Um deles até empurrou um colega jornalista, Luciano Matos, que não estava trabalhando mas caminhava ao nosso lado. A massa adolescente engrossa em número.

Covardia – Parecia mesmo que a coisa ia explodir. Presenciamos a distribuição de cassetetes. A essa altura, a meninada estava barrando a passagem de ônibus no Vale dos Barris. Corremos para ver qual seria o movimento. Os PMs chegam com vontade de bater. Perseguem uma estudante que está com uma câmara digital na mão. Um PM determina que ela entregue o equipamento, o que é negado. Começa a pancadaria.

O policial derruba a garota no chão, puxa seu cabelo. “Crachá na cara deles!”, gritei. Mas ele, agora acompanhado de outro, continua: batem com cassetete, um deles pisa nela. Imagine a cena, é revoltante. Neyse tenta impedir a agressão. Outros estudantes são perseguidos e recebem cacetadas. Os policiais começam a retirar a identificação da farda.

Outro policial persegue um estudante apontando um revolver em sua direção. Todo mundo viu. Não há argumentos que justifiquem a atitude da polícia. Atravesso a avenida porque tem três policiais batendo num cara que carrega uma câmera fotográfica.

Nervosa, levanto o crachá e grito: “Imprensa, Jornal A Tarde. Eu tô vendo tudo”. Um PM mete o pé na parte superior da minha coxa. Agressão à imprensa. Num gesto de desespero, o fotógrafo Juarez de Araújo joga a câmera pra mim (é dele a foto da capa). Mas a máquina cai. Outros policiais chutam e partem pra cima. Um garoto consegue reavê-la e sai correndo. Talvez preocupados com a imprensa, os policiais param de bater.

Cinco viaturas paradas. Tento falar com o comandante da operação, major Couto, mas ele se nega a responder: “Agora não dá pra falar”. Queria saber quem foi que mandou bater nos adolescentes, repetindo a mesma atitude do 16 de maio de 2000, quando a Choque e PM deram porrada em estudantes que se manifestavam em favor da cassação do senador Antonio Carlos Magalhães. Eu também tava lá.

Mas a resposta quem me dá é Luciano Matos: “Um policial sem a tarja de identificação disse: são ordens expressas do governador”. Os estudantes não sabem o que fazer, estão tensos. Dois meninos detidos e levados para a 1ª Delegacia da Policia Civil, no Complexo dos Barris.

A Choque é acionada. Chega o tenente coronel Gondim tentando negociar. Ele diz para os estudantes, eu ouço e anoto: “Vocês têm que entender que não vão ocupar a pista. Se não saírem por bem, a gente vai agir”. Os meninos não sabem o que dizer. Decidem ir até a 1ª Delegacia para onde foram levados os colegas. Vamos junto. A imprensa ainda não pode entrar, diz um tenente da Choque.

Um dos meninos detidos, Lucas Alberto, aparece com dois PMs e é colocado no camburão. Pra onde vai? “Pro Beiru”, responde o policial. A viatura parte a mil. Os estudantes estão aglomerados defronte da delegacia. Quinze horas. Começa a chover. Presságio, talvez, de que hoje o tempo vai fechar.

E igualmente revoltante é o depoimento da estudante que foi atacada por tirar fotos:

Estudante agredida avisa: “Amanhã eu volto à rua”

“Hoje eu vou estravasar!” Essa foi a frase que Diana Neuma Santos de Sant’Anna ouviu da boca do soldado Fernando, da 41ªCP, minutos antes de começar a pancadaria na Estação da Lapa, da qual foi protagonista. A menina, de 17 anos, estudante do segundo semestre de História da Universidade Católica de Salvador, foi o pivô da confusão entre policiais militares e estudantes que se manifestavam em mais um dia de protesto, em pleno 7 de setembro. Tudo porque ela filmava as cenas de truculência dos policiais que decidiram, neste domingo, partir para a ignorância.

“Eles já chegaram empurrando, com o cassetete na mão, provocando os estudantes”, narra Diana, já em casa e depois de passar por um exame de corpo de delito. Para a menina, que, apesar de tudo, continuava sorridente e altiva, os policiais aproveitaram o domingo, feriado, “com pouca gente na rua”, para “barbarizar”. Mas, para um dos membros da 41ª CP, que não quis se identificar, a ação foi uma surpresa.

“Não tô nem acreditando nas cenas que vi”, disse. “Se eles bateram, houve determinação, porque a ordem, até ontem, era não encostar a mão em ninguém. Tanto que a gente ’comeu calado’ esses dias todos”, disse. “Até o próprio major Couto (que aparece nas fotos batendo) era o primeiro a não querer tocar a mão nos estudantes. Não entendo porque se acabou a paciência. Talvez tenha sido ordem superior…do ’dono da Bahia’, talvez”, supõe.

Arbitrariedade – Ao perceber que Diana estava filmando, os policiais pararam um pouco o empurra-empurra e as provocações. Pouco tempo depois, recomeçaram as agressões, e Diana, câmera em punho, voltou a registrar a arbitrariedade. Ao ver a insistência da garota, o major Couto partiu para cima dela. “Aí é que tudo começou”, contou a garota, com uma inabalável calma.

“Ele veio em minha direção para tomar a minha câmera (uma handcam digital comprada há pouco menos de um ano) e eu resisti, contou. Me agarraram. De início, foram dois”, continua Diana, tranqüila. “Um me segurou e outro me deu uma rasteira. Eu caí, e passaram a me bater, me chutar, me pisar. Depois, me arrastaram pelo chão, puxando pelo cabelo, pelo pescoço. Queriam tomar minha câmera a todo custo”.

“Com a pancadaria, senti medo, sim. Afinal, eram cinco policiais com cassetete na mão, contra uma pessoa só, mulher, com um corpo que não foi preparado para isso”, pondera Diana, fazendo o saldo da covardia. “Mas, me defendi bem e não vou ter pesadelos por causa disso hoje, não. Não tenho medo de represálias e, amanhã, volto à rua”.

Apesar da truculência, Diana não se machucou muito. Só alguns hematomas pelos braços, pernas e no rosto. Ela ressalta que quem lhe valeu, para que não tomasse uma “fantada” (porrada de cacetete) na cara foi o estudante Camilo Moutinho Ferreira, 19, estudante de Biologia na UCSal., que, na hora, botou o braço na frente, em seu socorro. Camilo também tentou defender a câmera das mãos dos policiais, mas não conseguiu fugir. O equipamento terminou de posse de major Couto.

Mas Diana manda um recado para os seus agressores: “Cuidado. Porque, nossa guerra não é desse tipo, não é física. Não temos armas, como eles, mas nossa luta é ideológica, é para tentar conscientizar o pessoal para baixar a tarifa e, quem sabe, mas pra frente, lutar por melhores condições de ensino, de vida, e tal e tal”. A estudante deu queixa na 1ª DP e pensa em levar os seus agressores para a Corregedoria da Polícia Militar.

“Não quero ser mártir do movimento”, segue a estudante. “Acho que não existem nem líderes, nem mártires no movimento. Todos têm a mesma importância e querem a mesma coisa: reivindicar por dias melhores”.

E do CMI vem esse detalhe:

Uma camera filmadora foi apreendida. O Major Couto da viatura 94100 tomou a camera da mão de uma garota.

O engraçado é que ele tomou a camera a menina deu pra um \’pivete\’ e depois tomou da mão do guri, para que assim a camera ficasse apreendida como objeto de furto! O canalha usou o moleque pra roubar a camera!!! Major Couto é o seu nome, 94100 é o numero da viatura que ele usava, Policia Militar era o que dizia sua farda…

Pelo jeito a sorte do guri foi não ter levado um tiro na nuca, por ter \”resistido à prisão\”…