Quem sabe sabe

Nada como ter um especialista por perto para colocar as coisas no seu devido lugar. Pedi para ele dar uma olhada nas letras do Ventura, sem ouvir as músicas e o resultado foi bem interessante. Não, as letras do álbum ainda não se mantém sozinhas, precisam das melodias. Ou seja: para Chico falta muito ainda.

Tango Nuevo

Aliás fico imaginando se Piazolla ainda estivesse vivo e chamassem ele para tocar e mexer nos arranjos de além do que se vê. A beleza seria tamanha que chega a me doer a alma.

Ventura Top 5

Eis as minhas 5 preferidas do álbum Ventura, dos Los Hermanos:

  • o vencedor
  • cara estranho
  • além do que se vê
  • conversa de botas batidas
  • de onde vem a calma

Camelo 5 X Amarante 0

Hmmmm, começo a entender a … Mas, enfim, o interessante é que ao ouvir as músicas do Amarante a sensação que eu tive foi de que essas serão as músicas que eu mais vou gostar do disco no futuro, já que essas aí em cima me parecem mais digeríveis. Vamos ver, vamos ver…

E quer saber? Ver o Amarante tocando é muuuuito legal. O cara toca ao mesmo tempo que tem um ataque epilético em pé.

De banda

E aí vai um trecho do texto O libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor, do escritor português Luiz Pacheco:

Mas passam por mim duas miúdas: uma, grande cu descaído, badalhoca de cara, trouxa de carne a dar às pernas – é a que me tenta; outra, muito compostinha no trajar, casaco preto, saia branca ou creme, muito viva, muito espevitada. Atiro pontaria na badalhoca, a ver se avanço depressa o negócio, jogando no ganha-perde da beleza física e no cálculo das probabilidades dos complexos das feias. Vou-as seguindo, de rabo alçado como um garanhão, e a gorduchona já me topou. Olha para trás, por vezes. Já comunicou à parceira. A andar, a andar, chegamos a uma espécie de logradouro público, com certo ar antiquado e bancos largos de pedra, onde finda a linha dos eléctricos para o estádio (vejo o nome, Estádio 28 de Maio, oh a Política!, ah! ah!, isto só em Braga). Mas agora o grupo das meninas complicou-se: entrou por ali uma velha gorda, e inútil, e naturalmente sabichona e danada por invejar o prazer dos outros como é próprio de velhas; com ela, e tão empatas como ela, duas estúpidas de duas garotitas, broncas e também inúteis para questões de sexo. Sento-me num banco e faço de grão-senhor, porque assim disfarço as calças rotas no rabo. A miúda mais bonita dá-me uma chance? (será isso?). Atira-se a dizer: \”Eu sento-me já aqui\”, e vem toda lampeira para o meu banco, mas depois passa ao do lado. Manobra provocatória, mas feita por uma quase amadora? assim o entendi, e lanço-lhe uns olhares de desfazer pedras, o meu olhar mágico, de megatoneladas de cio (assim penso, mas com as 17 ou mais dioptrias e o estigmatismo e as lentes, e as clarabóias do verde, que olhar será o meu?). A trupe das estúpidas, porém, escolhe um banco lá pro fim e depois ficam todas sentadas e de costas umas para as outras e caladas. Domingos divertidos passam estas raparigas em Braga!

Vale a pena ler! 🙂 Muuuuito bom!

Filosofia de botequim

O ser humano é um eterno insatisfeito por causa de mecanismos biológicos. Como animal que consegue eliminar seus inimigos naturais aconteceu de que a própria espécie desenvolveu mecanismos para que ela não se prolifere a tal ponto que ela destrua as outras espécies. É isso que explica o fato de pessoas, quando morando em condições consideradas para lá de ideais, onde tudo funciona e dá certo, se matem. São justamente esses os idiotas que não conseguem ir além e ver que a própria proliferação tem que ser mantida numa faixa estável, que o grande imperativo não é ser a espécie mais forte. Óbvio que utilizando meios culturais o equilibrio com o ecossitema pode ser alcançado, mas tal ferramenta é por demais frágil, pois o ser humano, sendo insatisfeito, é facilmente corrompível. Daí não há pressuposto cultural que segure a onda.

Pois é… A vida é ou não é uma beleza?

Quase bem na foto

E eis que uma galera lá de Pelotas alugou uma van e se mandou pro show dos Los Hermanos. E, brincando brincando quase tirou uma foto minha… Felizmente o rombo capilar que está se formando na minha cabeça não apareceu, mas que eu tava do lado direito da Bethânia aquela hora eu estava! Bem, fica a foto como lembrança e pelos vários amigos que aparecem nela, mesmo que de costas 😉

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Loser manos?

Cheguei agora a pouco do show dos Los Hermanos no Opinião. Fui de galera para lá e lá encontrei uma galera maior ainda. Parecia que era um encontro, uma confraternização, não um show. E de certa foi forma foi um grande encontro, onde vi amigos queridos e conheci pessoas novas (aliás teve uma garota que dançou comigo e com a Dorothy Boyd e que eu não consegui gravar o nome de jeito nenhum, o que lamento) o que fez com que o show (que tal qual os outros shows que eu já vi antes da banda foi ótimo) fosse especial. E é interessante ver que Los Hermanos é uma banda de rock, mas que não faz rock: o som se aproxima cada vez mais do samba, da MPB carioca. E, mesmo assim, é rock. E não é emo, já que as letras são felizes, melancólicas sim, mas não tristes. É coisa de se tirar o chapéu. Lamento só que acabou cedo. Por mim eles poderiam ter ficado tocando mais e mais e mais, mas enfim…

Belo show, belo CD, bela banda.