Sim, eu quero limites

Hoje estava chegando de Taquara, indo da rodoviária até em casa a pé (as delicias de morar apenas a três quadras do local…) e lá pelas tantas só ouvi o barulho de pneus cantando. Olho para trás e era um mané virando a esquina a trocentos quilômetros por hora, de certo se exibindo para sabe-se lá quem. Nessas horas eu fico desejando ter um revolver, só para apontar pro pneu do carro e obrigar a criatura estúpida que está atrás do volante a ir a 10 km por hora até a borracharia mais próxima. Mas não, eu não tenho revólver, e mesmo se tivesse eu seria bundão demais para ficar fazendo uso dele. Assim só me resta a raiva de ter que agüentar esses idiotas que compram carteiras de trânsito em Tramandaí.

Mas o melhor mesmo foi quando cheguei no prédio onde eu moro. Vou olhar a caixa do correio e o que eu acho? Um folheto querendo me vender um tal de Photo Spray Radar Flash. A coisa é o seguinte: você aplica o spray sobre a placa do carro e isso servirá para impedir que as máquinas fotográficas dos pardais peguem a placa do carro. A desculpa que vem dentro do folheto é que ele serve para \”colaborar no seu direito de não querer ser identificado. Se você não pode deter a criminalidade que, pelo menos, você possa fugir dela.\” Sim, eles querem dizer com isso que é para evitar que bandidos tirem fotos do seu carro e peguem o número da sua placa. Que bela desculpa para não dizer a verdade: \”Passe a toda por detectores de velocidade e não seja multado\”. Olho ese folheto e fico lembrando dos motoristas entrevistados sábado na TV, reclamando da instalação de radares móveis no trânsito de São Paulo; fico me lembrando dos motoristas que reclamam que esses dispositivos de controle não são sinalizados, que é tudo para dar dinheiro para o Estado. Não, os dispositivos não estão ali para pegar quem fere a lei, mas sim para pegar os \”desprevinidos\”. Sei…

É por essas que eu acho que automóveis deveriam sair de fábrica com limite de velocidade. O carro não teria como passar de 80 km/h, a não ser que ele recebesse um sinal via rádio indicando que estava numa área de maior velocidade. E se o motorista fizer uma gambiara para fraudar esse controle não teria choro nem vela: o carro seria apreendido e levado a leilão.

Sim, podem me chamar de ranzinza estúpido. Não me importo.

Coisa de gênio

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E eis que nesse fim de semana revi Festim Diabólico, clássico incontestável do Hitchcock. Se você ainda não viu o filme pare por aqui, já que vou comentar sobre o fim do filme.

O que sempre me chama a atenção no final do filme são duas coisinhas: a primeira é que o professor Cadell parece jogar totalmente o corpo fora quando descobre o corpo, livrando-se de toda e qualquer responsabilidade sobre o ato praticado por seus alunos. Contudo, vendo a expressão no rosto dele se vê que ele tem plena consciência de sua responsabilidade no ato, e de como é difícil aceitar isso. Ali estão dois alunos deles, que aplicaram as idéias dele, e ele tem que jogar o corpo fora, se eximindo de toda a culpa, repreendendo-os. Belo exemplo do dilema teoria X prática, no mesmo nível do filme RPM – Revoluções por Minuto, onde o sociólogo teve que abandonar suas idéias pois viu que do ponto de vista prático elas não davam para serem levadas adiante. Só que aí, nessa história, não houve mortos.

E a segunda coisa que me chama a atenção sempre no filme é a forma como o professor Cadell chama a polícia. Ele simplesmente vai na janela e dá uma série de tiros, deixando para a vizinhança fazer a ligação. Imagino se isso acontecesse na Nova Yorque de hoje. Quantas pessoas se dariam ao trabalho de ligar por causa de alguns tirinhos?

Sábias palavras

Na Crocodilo # 2 há uma entrevista com Mike \”Lebowski\”, do Zurich\’s True Beuty, um site dedicado a mostrar fotos coletadas no USGang de garotas se beijando. Ok, podem dizer que é machismo, é sexismo, etc, etc, mas vá lá:

C – Por que o fascínio por lésbicas?
M – Nada é mais sexy que estar numa cama com duas mulheres que também cuidem uma da outra. Acreditamos piamente que todo homem deveria ter essa experiência ao menos uma vez. Só que apenas depois do 50º aniversário. Se for antes ele fica sem objetivos na vida. Acredite: nós já perdemos totalmente nossa perspectiva de vida.

Eta visãozinha curta da vida 😀

Mas, enfim, fica a pergunta clássica: porque a maioria dos homens acham tão bonito ver suas mulheres juntas? Já tentei responder para amigas minhas que me perguntaram isso e até hoje não consegui. Só sei que eu e quase todos os meus amigos concordamos: é algo bonito de se ver sim. Machismo? Pode ser, mas vai segurar como os hormônios correndo pelo corpo?

Gótico?

Sexta-feira fui conferir o que é a tal da Noite Gótica da NEO. E quer saber? Me arrependo amargamente de não ter ido conferir antes qualé que era. Muita música boa rolando, de forma que fiquei umas 5 horas direto dançando. Na pista de cima era música eletrônica, como é o hábito, e na debaixo estava o ouro: muita música dos anos 80, como Echo, Smiths, Cure, Joy Division, Sisters of Mercy, entre outras coisas que me fizeram voltar aos meus 15 anos, assim como boas coisas dos anos 90, como Placebo. Até fiquei conhecendo umas coisinhas diferentes, que fui obrigado a perguntar ao DJ o que era: L\’aulne et la mort, do Collection D\’Arnell ~ Andréa. Nunca tinha ouvido falar dessa banda e foi uma grata surpresa. E como tem gente bonita nessas festas! A sensação que eu tinha era de que o único feio ali era eu. Com certeza virei freguês!

Só que eu fico com a velha dúvida: afinal o que é música gótica? Eu já fiz essa pergunta num artigo para O Apanhador e a conclusão que cheguei na época era a de que qualquer música é gótica, desde que seja triste, soturna. Isso permite que coisas dançantes como as que rolaram sejam consideradas góticas. É gozado classificar um tipo de música em função do estado de espírito que a música produz, não em função do estilo ou de características rítmicas, transformando o estilo em um imenso balaio de gatos. A sorte é que é um balaio de gatos de onde se tira muitas pérolas pop, para a felicidade (?) da galera.

Paranóia

Hoje consegui discutir com os meus pais por causa de um motivo estúpido. E o pior é que eu fui um besta também: simplesmente perdi a cabeça com uma situação estúpida, que não tem nada demais. É o seguinte: estava na casa dos meus pais quando o telefone ligou. Era uma vizinha avisando que um motoqueiro tinha estacionado na frente da casa, do lado oposto da rua. Isso foi suficiente para a minha mãe ir saindo desligando as luzes e ir correndo para a janela para ver quem era. Sim, paranóia pura. Como eu conheço essa vizinha e sei que ela é uma fofoqueira de marca maior, daquelas que vê chifre em cavalo, fiquei indignado e sai de casa discutindo com o meu pai e a minha mãe, que o clima de paranóia ali estava tão grande que fazia com que eu, morando em São Leopoldo, que é a cidade mais violenta do estado, me sentisse mais seguro lá do que em Taquara. E quer saber? É verdade. Só que eu não precisava falar isso, eu não tinha que falar isso. E não tinha nada que ter pedido pro motoqueiro esperar a namorada dele em outro lugar, que a vizinhança estava nervosa. O cara, gente fina, foi para outro canto. Sim, eu fiz essas besteiras. Depois, falando no telefone com a minha mãe ela botou para fora todos os medos dela, todos os temores, toda a fragilidade que ela tem sentido. Ela ficou indignada que eu falei com o cara (\”esperando a namorada? e se ele estava esperando a namorada para nos assaltar?\”) e eu ainda tentei argumentar que não dá para viver com tanto medo. Não, não adiantou, e tive que ouvir que se é para que eu me sinta seguro e à vontade que eu não vá mais na casa deles, que Taquara está se tornando uma cidade violenta sim.

E pensar que eu fiz esse escarcéu todo por causa da droga da vizinha. Eu odeio aquela mulher com todas as forças (nada me tira da cabeça que foi ela que inventou para a minha mãe que eu estava dando uma festa na casa dos meus pais na noite que ela foi assaltada e levaram a TV e o videocassete, o que é a mais deslavada mentira do mundo, e que fez com que eles perdessem a confiança em mim – sim, a minha mãe é capaz de acreditar naquela vaca e não no próprio filho) e fico muito indignado quando vejo a minha mãe dando ouvidos para aquela mulher. E sim, eu perdi a cabeça e falei coisas para os meus pais que eu não deveria ter dito, de uma forma que eu não deveria ter dito.

Droga!

Artê

Qual é o sentido de produzir arte? De se tentar fazer arte? Há algum sentido nisso, principalmente no que diz respeito à música? Eu creio que não, que depois dos experimentalismos do século XX (principalmente o que foi produzido por Stockhausen, Schönberg e Cage) o que resta é fazer músicas que toquem as pessoas, sem se preocupar se é algo inédito ou não. O mote é procurar ser original mesmo sabendo que isso é praticamente impossível, pelo menos até aparecer uma forma diferente de se fazer música. Assim, procurar elevar grupos como Godspeed You Black Emperor, Sigur Rós e outros do gênero à categoria de arte é algo tão válido quanto o que faz o pessoal do rock progressivo, que diz que Rick Wakeman é o cara. E é? Talvez seja. Pelos meus parâmetros não é, visto que eu vejo alí é um pastiche de música clássica, mas quem não garante que os dois grupos de post-rock que eu citei não são vistos como pastiche de experimentalismo pelo pessoal do Ex Machina? Pois é… Assim sendo, isso importa?

Update: Relendo esse post vi que ser músico hoje é ter uma liberdade conceitual enorme. Se tudo já foi tentado, o que temos agora é simplesmente ver o que desse tudo é válido e usar conforme a necessidade do que se quer transmitir, sem precisar ficar se justificando. É maravilhoso isso.

Alô

E ontem jantei com o Douglas e fiquei horas conversando com o Leonardo. E lamentei não ter encontrado o Diego e a Carol… Mas, enfim, o fato de ter conversado com o Doug e o Leonardo já foi legal. Tenho que ligar mais para os amigos, com certeza.

Engraçado

– Você não se importa com o fato de que eu tirei o link para ti no meu blog?
– ???
– Ou você não tinha percebido?

Há alguém interessado em fazer uma tese sobre mecanismos de afenidades na Internet? Essa questão de linkar ou não linkar renderia uma boa discussão.

Ah, claro! O que eu acho? Acho que um link é apenas um link. Gosto de ver meu site linkado por aí, mas não faço do fato de me linkarem ou não algo preocupante. Querem linkar? Linkem. Não querem? Não linkem. Simples assim. Eu aliás não tenho listas de links aqui no blog porque há blogs que vão e vêm, e prefiro daí usar os bookmarks mesmo. É mais fácil de atualizar.