Cinéfilo

Vi dois filmes esse fim de semana, depois de um certo jejum de cinema:

  • O Senhor dos Anéis 3 – O retorno do Rei: finalmente olhei, e continuo achando que é essa foi a maior saga gay já criada. Pode ser que eu tenha a mente poluída, que eu esteja vendo coisas que não existem mas, sei lá, só sei que a amizade masculina não é do jeito que está caracterizada ali…
  • Encontros e Desencontros: belo filme! Bom, com toda a certeza! É belo, com um enredo delicado, com o Bill Murray e uma trilha sonora excelente. Mas… não, eu não achei aquela maravilha que muita gente está dizendo. É bom sim, mas não é uma obra-prima.

Resultado zero

Procurei no Google por alguém que me ame. Como eu não sou cachorro, nem o Charles Gavin, eu continuo sem amor. Sniff sniff…

Mas como me chamou a atenção o Darisbo o meu consolo é que só 4 pessoas amam o Lula, só 2 amam o Paulo Coelho e ninguém (ninguém!) ama a Fernanda Young, o Alexandre Frota ou a Daniela Ciccarelli. Eu já esperava que ninguém amasse o Bin Laden e o Fidel Castro, mas me espantei de ver que uma menina ama o Bush três vezes! Antes fosse o Olavo de Carvalho… Aliás ninguém ama o Olavo de Carvalho. 30 pessoas amam o João e 17 amam o Zé, sejam eles quem forem. 62 amam a Ana, 34 amam a Carol e 20 amam todas as mulheres. 4570 pessoas amam a si mesmas, contra 2400 que se odeiam. 178 amam muito tudo isso. E tem muito mais gente amando que odiando. E é claro que tem gente que vê isso e acha que tudo isso aqui é um saco. Tem gente prá tudo mesmo…

Ah! Sim, eu amo a Internet!!!

Decepção

Pois é, tem uma coisa que me deixa chateado no Mozilla Thunderbird: você não tem como desabilitar o ícone mostrando que novas mensagens chegaram na barra de tarefas. Tu tá lá trabalhando, conversando com alguém via ICQ, etc, quando vê aquele íconezinho lá. Todo faceiro abre o email e… vê que é mais um maldito email com o MyDoom! Isso quando não é um spam. Assim não dá, Bionicão! 🙁

Livre para fracassar…

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Hoje de madrugada a melhor escritora comercial do país, a Hilda Hilst, morreu. Por que comercial? Porque como ela mesmo disse em várias entrevistas ela começou a escrever livros eróticos para ganhar dinheiro, para se manter. O detalhe é que os livros eram excelentes, sendo populares e sofisticados ao mesmo tempo, com um linguajar rebuscado que qualquer um entendia e absorvia. Coisa de gênio. \”Contos d\’escárnio/Textos grotescos\”, por exemplo, é um marco, contrariando totalmente a noção de que livros escritos para o mercado, visando lucro, tem que ter uma linguagem pobre (caso, por exemplo, do Paulo Coelho). Pena, pena mesmo, ela ter ido assim, sofrendo 🙁

E em homenagem a ela aí vai o poema do título desse post:


O escritor e seus múltiplos vem vos dizer adeus.
Tentou na palavra o extremo-tudo
E esboçou-se santo, prostituto e corifeu. A infância
Foi velada: obscura na teia da poesia e da loucura.

A juventude apenas uma lauda de lascívia, de frêmito
Tempo-Nada na página.
Depois, transgressor metalescente de percursos
Colou-se à compaixão, abismos e à sua própria sombra.

Poupem-no o desperdício de explicar o ato de brincar.
A dádiva de antes (a obra) excedeu-se no luxo.
O Caderno Rosa é apenas resíduo de um \”Potlatch\”.
E hoje, repetindo Bataille:

\”Sinto-me livre para fracassar\”.


Update: a Fabrina botou um texto massa sobre a Hilda na Fraude, texto daqueles que é uma real homenagem a um escritor da qual se gosta muito. Vale ir lá ler.

Também morrem os verões

\"\"Finalmente parei para ouvir com calma o CD Morrem os Verões, da Deus e o Diabo. Todas as audições que eu tinha feito antes tinham sido no meu aparelho CCE com caixinhas de som mixurucas, o que dá uma idéia da quantidade de ruídos aleatórios que são inseridos na música. Então trouxe meus fones de ouvido lá do trabalho, peguei meu CD player e mandei bala. E o que posso dizer é que ouvir o CD é uma sensação estranha. É com certeza um trabalho claustrofóbico, com um instrumental muito bem elaborado, ruídos nem sempre discretos ao fundo e vocal estranho (já disseram uma vez que o Rafael cantava como que num disco tocado de trás para frente, o que no caso de Simples é uma imagem que se encaixa perfeitamente). As preferidas da casa foram: Liga prá mãe e Observática, pós-punk anos 00 para fazer o povo dançar; Simples, com sua constante massa de microfonias; Farrapos, com seu clima de trilha sonora para filmes em câmera lenta; o pesadelo épico de ONU & EUA; e a belíssima 26. Disco muito bom, com poucas falhas (por exemplo acho que se em São a Thiane tivesse mantido o mesmo tom de Infância, onde ela está perfeita, a música ficaria melhor; além disso a produção meio que \”chapou\” o som em algumas músicas, principalmente no que diz respeito aos agudos. São pequenos defeitos que não chegam a comprometer o resultado final), que fazem com que os doze reais que a banda está pedindo por ele sejam uma pechincha.

Detalhe interessante: enquanto estava ouvindo o CD eu estava achando ele super estranho. Ouvia e pensava: \”putz, o demo tava melhor, o que houve?\” Foi aí que eu peguei o demo para ver e vi que ele também estava estranho. Foi aí que me toquei que o CD player portátil (marca Powerpack) estava em modo mono. Opção mono num CD player? Esses chineses são malucos…