PenCam rulez!

O Ripirraitec saiu da
depressão e para comemorar a nova fase na vida dele nos brinda com um belíssimo blog: Independência ou blog. E já que ele não tem links para post pego um trecho que vi lá:

(…) comprei uma pencam, essas camerazinhas pequenas (…). (Conforme saí fotografando gentes, paisagens, relógio, pés, varais, etc, fui associando-me ao personagem K ou ao J, do MIB). E claro estava que ela deixaria muito a desejar. Muitíssimo, em verdade. Sua resolução é baixíssima, o foco sofrível, o balanceamento de cores praticamente inexistente, a duração das pilhas uma piada. Uma agradável decepção! Mas estou feliz mesmo assim.

Sim, o cara conseguiu resumir perfeitamente o que eu senti quando comprei a minha: uma agradável decepção. O negócio é realmente muito ruim, cheio de defeitos, mas é apaixonante. A coisa é o legítimo brinquedo geek, sem qualquer possibilidade de uso profissional.

E é grande a tentação de comprar um óculos escuro e um terno preto e sair por aí brincando de MIB…

Abrindo o voto

Ainda estou procurando candidatos para votar. E hoje de noite encontrei o que vai levar o meu voto para deputado estadual: Elvino Bohn Gass – 13120

No fim das contas o que me fez decidir por ele? Nada mais nada menos que comprometimento com a causa do uso de software livre na administração pública. Acha pouco? Pois bem, pare e pense: estamos na era da informação. Praticamente estamos vendo o fim do emprego e entrando num período que nossa vida será cada vez mais comandada por máquinas. E se a gente não domina a tecnologia, ela nos domina, simples assim. E infelizmente no Estado não é levado em conta aspectos técnicos no que diz respeito a tecnologia, mas sim lobbys, e hoje em dia o lobby contra o software livre é fortíssimo.

10 discos que salvaram a minha vida

O Diego no Blog do Apanhador propôs o desafio: listar os 10 discos que \”salvaram a minha vida\”. Depois de muito pensar essa foi a lista que eu formulei, em ordem mais ou menos cronológica:

Legião Urbana – Legião Urbana: me mostrou o que era rock, numa época em que só havia Blitz e Kid Abelha tocando no rádio;

Talking Heads – Fear of Music: disco que comprei uns três, quatro meses depois de comprar o do Legião… foi o grande divisor de águas, o disco que realmente fez a minha cabeça, que me mostrou que a música ia além do \”ouvir no volume máximo\” e que mostrou que uma boa idéia pode ser mil vezes mais interessante que virtuosismos. foi ele que me abriu as portas para coisas como Joy Division, Bauhaus, Wolfgang Press, Durutti Column, Velvet Underground, Beatles, entre outras coisas;

Mutantes – Algo Mais: ótima coletânea que me fazia eu me perguntar como é que havia gente no Brasil que podia fazer aquilo em plena década de 60, e porque não tinha mais gente fazendo loucuras daquelas. A resposta fui achar depois em Defalla e Pato Fu;

João Bosco e Aldir Blanc – Nova história da MPB: outra coletânea, coletânea editada pela Abril, que me mostrou que samba é bom, muito bom, quando feito de forma séria;

Cocteau Twins – Treasure: vozes e guitarras se fundindo perfeitamente, me mostrando que havia muita beleza na tristeza e na melancolia, e que tal beleza podia muito bem ser desfrutada. foi o que me abriu portas para que eu pudesse depois desfrutar Portishead, Sigur Ros, Mum, etc;

Doly Carlos da Costa e seu sexteto típico – Recital de Tangos: tango, e milonga, e valsas. sim, você leu direito. e não, o tal do Doly não era argentino, mas sim um colega do meu pai, que trabalhava no Banco do Brasil e que um dia o meu pai comprou o disco para dar uma força. ele quase se arrependeu de ter comprado ele de tanto que eu ouvia. se hoje tenho CDs que nada tem a ver com rock e música pop esse disco tem grande parte da responsabilidade;

Jean-Michel Jarre – Zoolook: música eletrônica que eu ouvia na TV Guaíba. só anos mais tarde fui conseguir o disco, mas o estrago já estava feito. foi o disco que me preparou para ouvir coisas como Laurie Anderson e Kraftwerk;

Sugarcubes – Life\’s too good: rock estranho, diferente, com uma mulher de beleza estranha, uma deusa nórtica inesperada, no vocal. para mim era o suficiente para me apaixonar perdidamente;

Bomb the Bass – Into the Dragon: dance music? não… colagens eletrônicas, mixagens malucas, tudo que eu precisava para ser feliz e não sabia. fico até hoje triste ao ver que o começo do acid foi o seu melhor momento e que depois a coisa ficaria numa mesmisse enorme, mesmisse que marcou boa parte dos anos 90;

aliás os anos 90 teriam passado por mim sem maiores marcas, já que o grunge para mim não queria dizer muita coisa, o brit-pop era insipiente, a mistura de rock com rap soava interessante mas nada além disso e músicas calmas e lentas cairam na vala comum da new age music. teriam, se não tivesse aparecido o décimo disco da lista:

Radiohead – Ok Computer

precisa explicar este?

Quero ver Cidade de Deus

Hoje de noite fui ver A Paixão de Jacobina. Já tinham me avisado que o filme era fraco, mas mesmo assim resolvi conferir e conferindo vi uma coisa que já haviam me comentado mas que eu pensei que acontecia no documentário que passava antes dele, mas não durante o mesmo. É o seguinte: uma personagem entra numa loja e compra um calçado. Até aí nada demais, se o calçado não fosse da marca Azaléia e a história não se passasse lá por volta de 1870. E o que tem isso? Bem, tá lá no site da empresa:

A história da Calçados Azaléia começa em 02 de dezembro de 1958, com dez pares de sapatos produzidos ao final do primeiro dia de trabalho.

Certo? Tá lá: 1958. Não, não é 1858, mas sim 1958. Agora alguém pode me fazer a delicadeza de explicar como é que um dos personagens do filme pode fazer essa compra? Vale lembrar que não adianta dizer que era outro calçado, com o mesmo nome da flor, já que o nome correto é Azalea. Ou seja: merchandising puro. Fosse um Guaraná Antarctica eu ainda aceitava, já que esse existe desde 1836, mas um produto que foi só aparecer quase um século depois? Por favor!

E só para não dizer que a experiência de ver o filme foi de todo ruim, lembro que o documentário apresentado antes do mesmo estava legal. Foi mais emocionante ver as duas descendentes da Jacobina Maurer subindo o Rio dos Sinos do que ver toda a saga da desgraça dela.

Existe!

Senhores, é com orgulho que anuncio que sou cunhado de uma pessoa entrevistada pelo Vox Populi! Sim, finalmente conheci uma pessoa que foi entrevistada por uma dessas empresas que fazem pesquisa. E melhor ainda: é da minha família!!!

Aliás, sobre o balaião…

É interessante ver que é no país todo, e com preços diferentes. Em São Paulo cada CD custava 3,90, e em Recife teve gente que conseguiu comprar Fatboy Slim, Clash e Beck. Esses eu não tive a sorte de encontrar. E tinha Jamiroquai também, mas deixei de lado…

Balaio

A dica veio na lista da midsummer madness: as lojas Carrefour estão promovendo um balaião, com vários CDs excelentes por 4,50. Assim lá fui eu, sábado de tarde, para Canoas, dar uma olhada. Eis o resultado da brincadeira:

  • Apollo Four Forty: Gettin\’ high on your own supply
  • The Byrds: Live at The FillMore – February 1969
  • Bad Religion: No substance
  • Ryuichi Sakamoto: BTTB
  • Manic Street Preachers: Know your enemy
  • Primal Scream: XTRMNTR
  • Sem fronteiras: Em benefício dos refugiados de Kosovo
  • Oasis: Standing on the shoulders of Giants
  • Trilha sonora do filme Pânico 3

Ok, confesso: Pânico 3 e Oasis é exagero, mas estava tão barato que pensei \”porque não?\” e mandei bala. E além desses CDs ainda haviam outros por 0,99. Duas pérolas que estavam no meio: As cidades, de Chico Buarque; e a trilha sonora dos filmes \”In the head of the night\” e \”They call me Mister Tibbs!\”, compostas pelo Quincy Jones. Simplesmente não dá para entender o que se passa na cabeça das pessoas que não compram duas maravilhas dessas pelo preço que estavam.

E depois das compras: Taquara City. Passei o domingão com os meus pais. Eles já tinham ficado deveras sentidos que eu não havia ido para casa semana passada, de forma que dessa vez fui. E assim passei a tarde com o meu pai olhando Jogos de Guerra (War Games) no videocassete. É muito engraçado ver o que era um computador pessoal no meio da década de 80, e lembrar que eu sonhava em ter um equipamento daqueles, assim como uma namorada daquelas. Ah, Ally Sheddy…

E no fim do dia algo estranho aconteceu: a Márcia passou por mim de carro na rodoviária, olhando para mim, e não me viu. Ou fez que não me viu, já que a última vez que eu falei com ela eu fui grosseiro. Sim, fui, e me arrependo por isso, mas fiquei de cara com o comentário que ela botou. Bem, não importa… O fato é que foi estranho ver o olhar dela passando por mim sem se focar. Mas nada supera o fato da Carla, minha colega de trabalho e ex-colega de especialização da Márcia, passar por mim quando ia subir no ônibus e nem reparar que eu estava ali, parado do lado da porta. Devo ter tomado alguma poção de invisibilidade…

Menos mal que hoje de noite teve uma festa, senão o fim de semana teria acabado com um gosto estranho na boca. No caso, festa de 15 anos da Ana Cecília. Não, não fui vestido com roupa de gala nem nada do gênero. A festa foi no BR-3 e era a fantasia. A minha fantasia? Só uma camiseta nerd com gravata e um óculos ridículo. Deveria tirar uma foto, mas não valia a pena. O fato é que a festa estava bem legal, com duas bandas tocando e em se tratando de festa de aniversário foi algo bem original.

Bin Gandalf

Pois acabei finalmente de ler O Senhor dos Anéis. Sim, passei pelos três volumes da Martins Fontes e agora posso dizer que vou ver o filme entendendo toda a história. Claro, afinal a primeira parte foi tão corrida que foi muito bom eu ter lido o primeiro volume antes de ter entrado no cinema… Agora é esperar para ver os próximos dois filmes, que assumidamente vou ver pelos aspectos visuais e não pela história, que achei fraca. Sim, isso mesmo, eu achei a história fraca. Consigo entender a adoração em cima do livro por causa da ambientação, dos seres estranhos (gostei principalmente dos ents), de todo o universo ali criado, porém achei a história fraca, muito fraca, não passando de uma história simples de Bem contra o Mal. Maniqueísta ao extremo.

E é gozado como a medida que eu ia lendo o livro eu ia vendo a ironia de se fazer um filme sobre uma história dessas numa época dessas. Afinal, o que temos no livro? Temos um grupo de heróis que embarca numa missão suicida contra o Mal, o grande Mal, o Mal que ameaça a tudo: a cultura, o modo de vida e a própria vida. E para combater esse Mal era necessário ir até a fonte de poder dele, atravessando áreas hostis e se desviando de seres disformes. Eu lia e ficava rindo, imaginando relações com o que está havendo hoje com os Estados Unidos. Afinal o que é a \”America\” para os fundamentalistas islâmicos senão o grande Mal, que quer destruir a cultura deles (que é, detalhe interessante, monarquista), assim como ameaça a vida de todos (Rio +10 está aí para provar)? Tudo isso movido pela ganância de mais dinheiro, de mais poder? E o que se fez para combater esse Mal? Voluntários se infiltraram no meio do território inimigo, se misturam no meio deles, agindo de forma meia invisível e depois partem para cima de uma das fontes de poder do inimigo.

Sim, é estranho isso: ficamos fascinados com a história de Frodo e seus amigos, que vão de encontro ao Mal para combatê-lo, mesmo sabendo que podem não sobreviver, e ao mesmo tempo ficamos chocados quando vemos no mundo real isso acontecendo. Afinal, para os malucos que sequestraram os aviões a um ano atrás, o que havia era a vontade de combater o Mal, destruí-lo, nem que fosse com o sacrifício da própria vida, e é isso que o livro defende: que combater o Mal é necessário, nem que isso leve à morte.